VIVÊNCIAS NA FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA: AMPLIANDO HORIZONTES DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL

Autores

  • Stephany Raisa Machado Pereira
  • Camila Goncalves

Palavras-chave:

Saúde, Alunos, Fisioterapia

Resumo

A Fisioterapia iniciou suas atividades no Brasil através da reabilitação de casos de poliomielite e acidentes de trabalho, no século XX, o que resultou na criação dos primeiros cursos de graduação na área. Tendo como marco inicial o Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969, a profissão foi reconhecida como de nível superior, atuando especificamente na promoção, prevenção e recuperação da saúde.Atualmente, o papel do fisioterapeuta não restringe-se à reabilitação, mas também à prevenção de agravos em diferentes contextos através dos saberes da saúde coletiva. A atuação na comunidade auxilia na promoção de saúde, e fortalece o acesso a condições dignas de saúde e cidadania da população. Vale destacar que a atuação do fisioterapeuta no SUS, em setores especializados como a neurologia infantil, a neurologia adulta, como também, na atenção primária, permite compreender que a atuação foi ampliada agindo desde o acompanhamento individual, como também, grupal, familiar e comunitário. Este trabalho tem como objetivo relatar experiências práticas em diferentes cenários de atuação do curso de fisioterapia, dando ênfase ao setor de neurologia infantil, neurologia adulta e Atenção Primária , na cidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A metodologia utilizada baseou-se em três relatos da prática vivenciada pelas estudantes do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa.A primeira experiência foi realizada no setor de neurologia infantil, na APAE (Associação de Pais e Amigos de Uruguaiana), onde os alunos puderam observar a atuação do fisioterapeuta no local e compreender a importância do acompanhamento de pacientes com necessidades especiais e suas redes sócio afetivas. Nesse contexto, foi possível observar de forma particular cada paciente, avaliando suas limitações e visualizando a evolução conforme as atividades propostas, assim como suas interações nos ambientes coletivos. A segunda vivência foi realizada no setor de neurologia adulta no ambulatório, acompanhando pacientes com distúrbios neurológicos como AVC (acidente vascular cerebral), doença de Parkinson, lesão medular e síndrome de Guillain-Barré, entre outros. Vale ressaltar que cada paciente observado era atendido de forma singular, respeitando a condição neurológica acometida. Em alguns casos, eram realizados exercícios em decúbito ventral, com o auxílio de equipamentos como tatames, escadas, bola suíça para alongamento de tronco, além de circuitos, exercícios de motricidade fina e descarga de peso. A terceira vivência ocorreu na Atenção Primária (Estratégia de Saúde da Família 16), onde foi possível observar atendimentos domiciliares e atividades em grupos de idosos, organizados pelos estagiários do curso de Fisioterapia. Essas atividades incluíam exercícios voltados à promoção da saúde e à prevenção de quedas. Foram utilizados materiais como bolas, cadeiras e objetos improvisados, além do monitoramento individual dos sinais vitais de cada paciente. Também foram realizadas ações de educação em saúde. Os resultados obtidos a partir das atividades propostas pelos estagiários nos setores infantil, adulto e na ESF mostraram que, com o passar do tempo, é possível observar uma melhora na qualidade de vida dos pacientes . Ressalta-se também que, tanto as atividades em grupo quanto os atendimentos domiciliares, permitem ao fisioterapeuta compreender o ambiente familiar e comunitário dos pacientes e suas limitações, possibilitando propor soluções que favoreçam o melhor condicionamento, além de envolver a família no processo de cuidado. No caso das atividades em grupo com os idosos na ESF, observou-se que elas promovem interação social e bem-estar. Já no setor de neurologia infantil, o atendimento individual mostrou-se fundamental para a evolução de cada quadro clínico, sendo a interação com os pais um importante aliado na melhora do paciente. A observação no setor de neurologia adulta destacou a relevância de movimentos simples, mas que fazem grande diferença no tratamento. Em suma, o acompanhamento das práticas realizadas pelos estagiários do curso de Fisioterapia auxiliou na compreensão da importância da atuação do profissional na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. No entanto, é importante ressaltar a carência de profissionais qualificados em algumas áreas, principalmente na Atenção Primária. Durante as práticas em Uruguaiana, observou-se que, em todos os setores, há fragilidades na infraestrutura, além disso, a falta de equipamentos adequados para atender com qualidade a demanda da população. Além disso, o número de profissionais especializados é limitado, sendo necessário abertura de novos concursos públicos. Portanto, a vivência dos alunos, ao observarem diferentes realidades contribuiu de forma significativa para a formação pessoal e profissional, preparando-os para colocar em prática o aprendizado adquirido ao longo dos anos de estudo, mesmo diante da falta de recursos, sempre buscando oferecer o melhor tratamento possível.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-24

Como Citar

VIVÊNCIAS NA FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA: AMPLIANDO HORIZONTES DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120764. Acesso em: 15 maio. 2026.