Saúde Ocupacional do Fisioterapeuta: Consequências e Estratégias de Autocuidado

Autores

  • Maria Clara Silva da Trindade
  • Vitória Dorneles da Silva
  • Sophia Helena Lucas Pêgas
  • Hetielly Fernandes de Almeida
  • Alanis de Mello Medeiros
  • Camila Antunes

Palavras-chave:

Saúde, ocupacional, Autocuidado, Fisioterapia

Resumo

A prática fisioterapêutica envolve exigências físicas, emocionais e sociais que repercutem diretamente na saúde do profissional, cujo trabalho cuidar do outro enquanto, paradoxalmente, enfrenta desafios para preservar o próprio bem-estar. A compreensão adequada e eficaz dos pacientes e de suas doenças depende da integração de fatores biológicos, psicológicos e sociais, e a desconsideração desses aspectos repercute tanto nos pacientes quanto nos profissionais, reforçando a importância da perspectiva biopsicossocial. Inserido nessa ótica, o presente estudo buscou compreender as consequências dos impactos físicos na rotina do fisioterapeuta, identificando os principais agravos musculoesqueléticos decorrentes das demandas laborais e as estratégias de prevenção e autocuidado utilizadas para a manutenção da prática profissional. O trabalho foi desenvolvido na disciplina de Antropologia da Saúde e do Corpo, no curso de Fisioterapia, adotando abordagem metodológica de natureza qualitativa e quantitativa, que combinou revisão bibliográfica com coleta de dados empíricos realizada por questionários online, via Google Forms, e entrevistas semiestruturadas aplicadas a fisioterapeutas em atividade. Participaram da pesquisa 12 profissionais, sendo coletados 10 por questionários e 2 entrevistas orais com suporte de roteiro semi-estruturado. Da análise dos dados coletados, observou-se que entre as áreas de atuação identificadas, predominou a clínica (60%), seguida por fisioterapia esportiva (10%), traumato-ortopedia (10%), pilates (10%), gerontologia e quiropraxia em conjunto (10%), com sobreposição de áreas em alguns casos. Foram relatados casos de lombalgia frequente (50%), cervicalgia (30%) e cefaleia (20%), além do uso recorrente de medicação para controle da dor. Embora o foco do estudo tenha sido o impacto físico, também emergiram relatos sobre estresse, exaustão emocional e dificuldades no enfrentamento da perda de pacientes, evidenciando a interdependência entre dimensões físicas e psicológicas do adoecimento ocupacional. Entre as estratégias de proteção adotadas pelos sujeitos da pesquisa, destacam-se a prática regular de atividade física, dança, momentos de lazer, apoio entre colegas de profissão e cuidados relacionados ao sono. Os resultados mostraram ainda variação nas posturas adotadas durante os atendimentos: 60% relataram alternar entre posições em pé e sentada, 30% permanecem sentados durante toda a jornada e 10% atuam exclusivamente em pé. Quanto às pausas, 80% dos profissionais declararam realizá-las, ainda que de forma irregular, enquanto 20% não fazem qualquer intervalo. No que se refere às medidas preventivas, 90% mencionaram adotar estratégias de manutenção física, sendo o alongamento relatado por 90% e o fortalecimento muscular por 80%. Apenas 10% relataram utilizar exercícios aeróbicos, e nenhum mencionou práticas ergonômicas estruturadas. Os fisioterapeutas entrevistados evidenciam os riscos de lesão ou dor, em razão da sobrecarga do corpo e a mobilização de pacientes, especialmente de atendimentos domiciliares a idosos. Outro entrevistado destacou já ter procurado profissionais da área para tratar cervicalgia e lombalgia, dores recorrentes do trabalho, o que reforça os dados coletados através dos questionários. Em compensação, os depoimentos dos participantes revelaram práticas de autocuidado, como exercícios físicos e dança, adotados como meios de preservar a saúde mental e física. Esses dados revelam a importância do autocuidado individual, mas também apontam fragilidades relacionadas à ausência de políticas institucionais voltadas à ergonomia e à saúde ocupacional. Conclui-se que a saúde do fisioterapeuta é influenciada por múltiplos fatores interligados, que exigem não apenas medidas individuais, mas também suporte institucional. Ressalta-se a relevância da Norma Regulamentadora nº 17 (BRASIL, 2020), que estabelece parâmetros ergonômicos para adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, prevenindo agravos ocupacionais e promovendo segurança e eficiência. Refletir sobre a saúde do fisioterapeuta é essencial para garantir não apenas a qualidade da assistência prestada, mas também a longevidade e o bem-estar desses profissionais, reforçando o entendimento da saúde como fenômeno complexo situado entre corpo, mente e sociedade.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Saúde Ocupacional do Fisioterapeuta: Consequências e Estratégias de Autocuidado. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120763. Acesso em: 10 jun. 2026.