Monitoria Acadêmica da Disciplina Fisioterapia em Urologia, Ginecologia e Obstetrícia: Percepção de Discentes
Palavras-chave:
Aprendizagem, Ensino, MonitoriaResumo
A Fisioterapia, enquanto profissão regulamentada no Brasil desde 1969, expandiu-se ao longo das últimas décadas, incorporando diferentes áreas de conhecimento e prática clínica. Nesse percurso histórico, a Saúde da Mulher passou a constituir uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) por meio da Resolução nº 372/2009. Essa normativa, que completa 15 anos de vigência, definiu como campos de atuação Urologia, Ginecologia, Obstetrícia, Mastologia/Oncologia e Coloproctologia. A área tem como finalidade a ampla atuação fisioterapêutica ao longo do ciclo vital feminino: na infância, na gravidez, no trabalho de parto, no pós-parto, no puerpério, no climatério e no processo de envelhecimento. Tal especialidade representa um aperfeiçoamento da prática do fisioterapeuta voltada às especificidades das mulheres que ultrapassam questões reprodutivas, incorporando-se um olhar voltado à integralidade e consideração aos aspectos socioculturais, conforme assinala a Associação Brasileira de Fisioterapia na Saúde da Mulher (ABRAFISM). Embora haja elevados níveis de evidência científica que respaldam a atuação da Fisioterapia em Saúde da Mulher, ilustrado pela recomendação da Sociedade Internacional de Continência (ICS), que desde 1999, recomenda como primeira opção terapêutica para disfunções do assoalho pélvico (eg., incontinência urinária), a Fisioterapia do assoalho pélvico, ainda existem desafios. Há pouco conhecimento da comunidade sobre a atuação do fisioterapeuta nessa área, associada à escassez de recursos e de um baixo número de especialistas. No contexto universitário, a disciplina de Fisioterapia em Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, de conteúdo teórico e prático, constitui-se de carga horária de 90 horas e estimula a formação de um profissional capacitado para atuar em todos os níveis de atenção. Essa disciplina se encontra no oitavo período e faz parte do eixo profissional. Objetiva-se, assim, conhecer, de forma descritiva, a percepção de acadêmicos sobre a disciplina que cursaram em 2025/1. Estudo transversal realizado por meio de um formulário eletrônico, de caráter anônimo, composto de 12 questões (11 de múltipla escolha e 1 discursiva). A coleta de dados foi realizada em setembro/2025. Das 11 discentes matriculadas, quatro responderam o questionário na faixa etária de 18 a 31 anos. Previamente à disciplina, 75% da amostra respondeu que já tinha conhecimento sobre a área, sendo citadas como fontes vivências (25%), informações na universidade (25%) e rede social (25%). Sobre o conteúdo, todas responderam ser totalmente adequado. As áreas que geraram maior interesse foram Obstetrícia e Oncologia. Sobre as práticas realizadas na comunidade, 50% consideraram o número de atendimentos suficientes e 50% baixo. Em relação às expectativas sobre a disciplina, para 50% da amostra permaneceu a mesma e 50% relataram que superou a expectativa inicial. Para 25% das respondentes, houve algum grau de dificuldade, sendo citados o horário da disciplina e a vivência prática. Para a formação profissional, 75% a consideraram ótima e para 25% foi boa. Com base no número de respondentes, sugere-se que a disciplina demanda ajustes com maior número de atividades práticas a fim de agregar os conteúdos às vivências externas. Entende-se que ao se articular conteúdos teórico-práticos, mediante evidências científicas, será propiciado ao discente um aprendizado mais amplo que permita, por sua vez, uma formação profissional mais integral, crítica, ética e humanizada. Por fim, contribuirá para a qualificação da assistência à saúde e para o fortalecimento do cuidado centrado na mulher ao longo de seu ciclo vital.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Monitoria Acadêmica da Disciplina Fisioterapia em Urologia, Ginecologia e Obstetrícia: Percepção de Discentes. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120757. Acesso em: 14 maio. 2026.