Piometra Aberta: Relato de Caso em Um Canino Fêmea da Raça Golden Retriever
Palavras-chave:
Patologia, cadela, úteroResumo
A piometra é um processo inflamatório caracterizado pelo acúmulo de líquido purulento no interior do útero, proveniente de uma hiperplasia endometrial cística, adjunta a uma infecção bacteriana decorrente de processos hormonais que acometem o sistema reprodutor feminino de cadelas não castradas. Há duas classificações para esta patologia, havendo a forma aberta, onde a cérvix encontra-se distendida e a secreção é excretada através da vagina para o ambiente, e a forma fechada, na qual a cérvix mantém-se oclusa, portanto o conteúdo permanece na região uterina. Ambas classificações são consideradas patologias graves, sendo o tratamento de eleição a remoção cirúrgica do útero e ovários, de forma emergencial. Em algumas exceções há indicação de tratamento a partir da utilização de antibiótico e hormônio terapia. Deste modo, o presente resumo tem como objetivo apresentar um relato de caso de uma cadela com piometra aberta, atendida em uma clínica veterinária na cidade de Bagé, RS. Acerca dos dados do paciente, trata-se de um canino, fêmea, da raça Golden Retriever, com 08 anos de idade, pesando 32 kg. Em relação ao atendimento clínico realizado pelo médico veterinário responsável, na anamnese foi relatado pelo tutor que a paciente apresentava sintomas de apatia severa, êmese, inapetência e secreção vaginal a alguns dias. Realizou-se o exame físico completo, no qual foram comprovados os sintomas já relatados pelo proprietário, sendo também identificado um aumento de volume significativo na região abdominal, e hipertermia através da aferição retal de temperatura, a qual estava em 39,7°C. A partir das informações coletadas no exame físico, optou-se pela realização de exames complementares. Primeiramente foi feito um exame de ultrassonografia abdominal, para confirmação do diagnóstico, nele observou-se um aumento do espessamento na parede do corpo uterino direito de 0,25 cm e de 0,27cm no esquerdo, bem como a presença de líquido no útero, confirmando assim, o diagnóstico de piometra aberta, com indicação cirúrgica para remoção do complexo útero-ovariano. Como exames pré-operatórios foi solicitado hemograma, onde foi identificada uma alteração nos leucócitos de 27,07x103, sabendo que os padrões normais se encontram entre 6-17x103, confirmando uma leucocitose, proveniente do processo infeccioso ocasionado pela própria patologia. Também foi solicitado exame de bioquímica sérica, que avaliaram ureia, creatinina, glicose, fosfatase alcalina, alanina aminotransferase e proteína total, os quais não apresentaram alterações significativas. Em relação a sedação da paciente, foi realizada por uma médica veterinária anestesista, utilizando a anestesia inalatória, sendo administrado cloridrato de metadona 0,3 mg/kg e acepromazina 0,03 mg/kg como medicações pré-anestésicas, propofol 0,4 mg/kg/min para indução e Isoflurano para manutenção, realizando-se as devidas monitorizações durante o procedimento. O procedimento cirúrgico adotou a técnica de ovariosalpingohisterectomia (OSH), inicialmente realizou-se uma incisão na linha média do abdômen para acesso do local anatômico e a exposição do útero e ovários, fez-se a ligadura das artérias e veias uterinas, seguindo por seccionar o corpo uterino, realizando assim a retirada total de ovários, cornos uterinos e útero. No pós-operatório a paciente manteve-se internada por 48 horas, utilizando roupa pós-cirúrgica, sendo administrado por via intravenosa fluidoterapia com ringer lactato e metronidazol BID 20 mg/kg, e administrado por via intramuscular, amoxicilina tri-hidratada 20 mg/kg e dipirona 25 mg/kg BID, e meloxicam 0,2 mg/kg SID por via subcutânea. Foram prescritos fármacos por via oral para tratamento domiciliar, sendo eles, metronidazol 20mg/kg e amoxicilina com clavulanato de potássio 20 mg/kg BID como antibioticoterapia, meloxicam 0,2 mg/kg SID como terapia anti-inflamatória e dipirona 25 mg/kg BID para analgesia. A paciente teve uma recuperação tranquila e quadro estável, e atualmente já realiza normalmente todas suas atividades fisiológicos e de lazer. Portanto, torna-se de suma importância a realização do diagnóstico assertivo e precoce para estabelecer o tratamento correto, bem como, a realização da OSH de forma eletiva como principal forma de prevenção da ocorrência desta patologia. Desta forma, conclui-se que o desenvolvimento deste relato de caso é considerável, para auxiliar ainda mais nas informações a respeito da piometra aberta, esta que acomete um número considerável de fêmeas não castradas.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Piometra Aberta: Relato de Caso em Um Canino Fêmea da Raça Golden Retriever. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120739. Acesso em: 13 maio. 2026.