Inclusão de Autistas em Pinheiro Machado: Fragilidades e Potencialidades

Autores

  • Lisiane Inchauspe de Oliveira
  • Juliana dos Santos da Silva
  • Daniele da Silva Kunz
  • Rosane Soares Rodrigues
  • Laudixeia Antunes
  • Ménithen Ness Gouveia

Palavras-chave:

Inclusão, autismo, escolas, municipais, fragilidades, potencialidades

Resumo

A integração de estudantes com autismo no ensino básico representa um avanço significativo na direção de uma sociedade mais justa. No entanto, essa prática requer análise das potencialidades e fraquezas envolvidas, tanto no ambiente escolar quanto na formação de profissionais e na implementação de políticas públicas. A inclusão de alunos com necessidades especiais tem se tornado frequente no cotidiano das instituições do país, o que representa um avanço para uma educação mais equitativa. O presente estudo busca destacar possibilidades e deficiências da inclusão de alunos autistas em duas escolas municipais de Pinheiro Machado, cidade gaúcha a 354 km de Porto Alegre. Justifica-se o interesse das pesquisadoras, pois no município há muitas crianças atípicas frequentando a rede de ensino. Algumas autoras atuam como tutoras e outras são mães atípicas. Pesquisas apontam aumento no registro de alunos com Transtorno do Espectro do Autismo, fato que ressalta a necessidade de propor estratégias de ensino a partir de investigação individual de suas necessidades, considerando suas especificidades (Pessanha; Rangel, 2023). As crianças, ao ingressar em uma escola, entram em um mundo de descobertas e, muitas vezes, não sabem lidar com sentimentos e inseguranças. Assim, é preciso compreender as potencialidades e fragilidades do atendimento a autistas nas escolas analisadas. O projeto foi pautado na pergunta: quais as potencialidades e fragilidades da inclusão de autistas em uma escola municipal de Pinheiro Machado? Realizou-se pesquisa qualitativa, tratando da vida das pessoas, histórias, comportamentos e do funcionamento organizativo e relações (Henning, 2024). Trata-se de pesquisa de campo, que objetiva compreender fenômenos no espaço escolhido, aproximando o pesquisador do alvo. Sobre o instrumento de coleta, elaborou-se roteiro de entrevista aplicado a educadores da rede municipal, em forma de entrevista não estruturada, com questões abertas, permitindo ao entrevistado discorrer livremente. O estudo foi enviado a 10 profissionais em exercício em duas instituições municipais: Escola Municipal de Ensino Infantil Pinheirinho e Escola Municipal de Ensino Fundamental Dois de Maio. O critério de escolha foi que os docentes possuíssem alunos atípicos matriculados, possibilitando compreender opiniões sobre obstáculos e potencialidades da inclusão. Os dados foram analisados qualitativamente, proporcionando compreensão da realidade das possibilidades e limitações. Conforme Ribeiro (2018), a inclusão de crianças autistas tem gerado inquietações entre educadores, que afirmam que, durante a formação inicial, não foram capacitados para lidar com estudantes com características tão marcantes. Isso pode criar concepções equivocadas, fomentando ansiedades e resistências em relação ao processo de inclusão. Todos os entrevistados relataram não se sentir preparados para realizar a inclusão de forma apropriada. Os dados evidenciam a necessidade de uma equipe multidisciplinar em Educação Inclusiva para apoiar professores, já que a maioria não se qualificou para lidar com crianças com especificidades. Mesmo docentes com formação específica relataram desafios no cuidado com estudantes autistas. Os métodos empregados para alfabetização não atendem às expectativas devido às particularidades de cada aluno. O espectro autista exige estratégias adaptadas para variações de comunicação, interação social, comportamentos e competências cognitivas (Paula, 2014). Essas diferenças devem ser respeitadas no planejamento, sem comprometer conteúdos acadêmicos. Ademais, competências sociais precisam ser aprimoradas no processo de aprendizado. A integração de alunos atípicos progrediu, mas ainda enfrenta obstáculos. A inclusão eficaz depende de suporte especializado, adaptação das instalações físicas e conscientização da comunidade escolar. Apesar dos avanços, ainda há longo caminho para assegurar inclusão completa. Muitos alunos permanecem vistos como problema por suas dificuldades, reforçando estigmas (Barros, 2012). Instituições sem apoio especializado, adequações curriculares ou formação docente comprometem a efetiva inclusão. Os resultados revelam que educadores de Pinheiro Machado reconhecem que a ausência de formação especializada é vulnerabilidade significativa no processo de inclusão. Muitos professores ainda carecem de preparo adequado para abordar particularidades de estudantes autistas, abrangendo desafios sensoriais, comunicativos e sociais. Torna-se necessário oferecer mais possibilidades de capacitação. A inclusão permite que os alunos identifiquem competências, desafios e necessidades, promovendo desenvolvimento individual e integração ao ambiente escolar. Quando realizada corretamente, melhora a comunicação entre alunos típicos e atípicos, amplia oportunidades de interação e fortalece a empatia. Contudo, a pesquisa mostrou dificuldades na coleta de dados, pois muitos professores responderam de forma sucinta, dificultando análises.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Inclusão de Autistas em Pinheiro Machado: Fragilidades e Potencialidades. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120727. Acesso em: 14 maio. 2026.