Indicadores de Gênero na Produção Científica Escolar: Feira Integradora de Bagé 2025

Autores

  • Bruno Flores Mouchet
  • Luis Paulo Muller
  • Pedro Fernando Teixeira Dorneles

Palavras-chave:

Mulheres, ciência, Feira, ciências, Fecibagé, Unipampa

Resumo

A presença feminina na ciência tem sido historicamente marcada por desigualdades. Durante séculos, a produção científica foi predominantemente masculina e somente após a segunda metade do século XX, impulsionada pela expansão do ensino superior e pelas lutas por igualdade de direitos, as mulheres passaram a ocupar de forma mais expressiva os espaços acadêmicos e científicos (LETA, 2003). No Brasil, esse movimento é evidenciado pelo aumento da participação feminina nos cursos universitários: em 2001, elas representavam 56,3% das matrículas e 62,4% dos concluintes no ensino superior (INEP, 2003). Entretanto, estudos demonstram que, embora mais presentes na base do sistema, as mulheres ainda encontram barreiras de ascensão, sendo menos contempladas em bolsas de produtividade do CNPq, sub-representadas em cargos de gestão universitária e em academias científicas (LETA, 2003). Nesse contexto, analisar a participação de meninas em feiras de ciências é relevante, pois tais eventos configuram-se como espaços de iniciação científica e de estímulo ao pensamento crítico e à curiosidade investigativa. A Feira de Ciências do Campus Bagé da Unipampa (Fecibagé 2025) contou com a participação de diversas escolas da região, constituindo uma oportunidade para observar a inserção de estudantes no campo científico desde a educação básica. Esta pesquisa, de natureza quantitativa, descritiva e transversal, analisou os dados de inscrições na Fecibagé, totalizando 184 estudantes: 117 meninas (63,6%) e 67 meninos (36,4%). A proporção feminina foi estatisticamente superior a 50% (z=3,69; p<0,001), indicando predominância significativa das meninas no evento. Além disso, ao comparar dois estratos organizativos do evento, não foram observadas diferenças relevantes na distribuição por sexo (χ²(1)=1,15; p=0,284), o que reforça a consistência da presença majoritária feminina em todo o conjunto analisado. Os resultados convergem com a tendência nacional já registrada por Leta (2003), que identifica maior inserção feminina em cursos de graduação inclusive em áreas tradicionalmente masculinas, como engenharia e medicina. Ao mesmo tempo, a análise remete ao desafio apontado pela literatura: a forte presença inicial das mulheres não se traduz, necessariamente, em permanência e ascensão ao longo da carreira científica. Em etapas posteriores, observa-se o chamado funil ou teto de vidro, caracterizado pela redução do número de mulheres em posições de prestígio, liderança e reconhecimento institucional, como bolsas de produtividade do CNPq ou cadeiras na Academia Brasileira de Ciências. Assim, a predominância das meninas na Fecibagé representa não apenas um indicador quantitativo local, mas também um sinal de que o interesse feminino pela ciência está consolidado na educação básica. Esse dado, contudo, precisa ser compreendido como ponto de partida: para que o protagonismo feminino se mantenha, torna-se necessário desenvolver políticas públicas e institucionais de acompanhamento e incentivo, como programas de iniciação científica, mentorias e apoio à permanência em etapas avançadas da formação acadêmica. Em síntese, a análise da Fecibagé confirma a relevância da participação feminina na ciência desde a educação básica, em consonância com a literatura nacional que aponta o crescimento desse contingente nos espaços acadêmicos. Contudo, o desafio continua sendo a garantia de continuidade e ascensão para que a presença expressiva observada em eventos escolares se reflita, no futuro, em maior representatividade nas esferas de decisão e liderança científica no Brasil.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Indicadores de Gênero na Produção Científica Escolar: Feira Integradora de Bagé 2025. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120715. Acesso em: 15 maio. 2026.