Educomunicação e Alfabetização Midiática na Escola Como Estratégias para Enfrentar a Desinformação
Palavras-chave:
Desinformação, Educomunicação, Alfabetização, MidiáticaResumo
De acordo com o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2024 (Global Education Monitoring Report 2024), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a desinformação é considerada uma das principais ameaças à democracia e ao acesso equitativo ao conhecimento no século XXI. Esse fenômeno atinge diferentes grupos sociais por razões distintas. Enquanto os adultos mais velhos são apontados como mais vulneráveis em razão de um menor letramento digital, os jovens também figuram entre os mais afetados não pela dificuldade de uso das tecnologias, mas pela ausência de habilidades críticas para identificar manipulações, verificar fontes e avaliar a confiabilidade dos conteúdos. Frente ao exposto, torna-se evidente que a escola ocupa um lugar estratégico no enfrentamento da desinformação e na formação de uma juventude crítica, ética e participativa. Isso porque trata-se de um espaço institucionalizado de produção e circulação de saberes, responsável por fomentar competências de leitura crítica, análise de fontes, argumentação fundamentada e interpretação discursiva. Nesse sentido, tomando como tema central o papel da escola no enfrentamento da desinformação entre jovens, esta pesquisa investigou como práticas e estratégias já adotadas em escolas, que articulem princípios de Educomunicação e de alfabetização midiática, podem ser mobilizadas como estratégias pedagógicas para o enfrentamento da desinformação no espaço escolar. Além disso, buscou-se propor diretrizes e recomendações pedagógicas que favoreçam a interação de Educomunicação e alfabetização midiática como estratégia de enfrentamento à desinformação, especialmente quando integradas ao ensino de língua e às práticas de leitura e produção textual, fortalecendo a articulação entre teoria e prática no cotidiano escolar e criando oportunidades para que estudantes desenvolvam autonomia na análise crítica de conteúdos digitais. A fim de atender a esses objetivos, metodologicamente, a pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e bibliográfico, a partir da análise de referenciais teóricos nacionais e internacionais que discutem as intersecções entre educação, mídia e cidadania digital. Esse percurso metodológico permitiu não apenas sistematizar práticas já em desenvolvimento, mas também identificar lacunas e potencialidades para a consolidação de políticas educacionais voltadas à formação midiática dos jovens. A partir desta investigação foi possível verificar que a integração da Educomunicação e da alfabetização midiática ao ensino de língua no contexto escolar contribui significativamente para o enfrentamento da desinformação entre jovens, uma vez que pode promover o desenvolvimento de competências críticas de leitura, análise e produção discursiva em ambientes digitais, favorecendo práticas de autoria responsáveis, criativas e socialmente comprometidas. Os resultados evidenciam, ainda, que tais práticas, quando institucionalizadas e articuladas de maneira transversal no currículo, podem fortalecer vínculos entre escola, comunidade e sociedade, ampliando o alcance das ações educativas para além do espaço formal de ensino. Dessa forma, ressalta-se que a escola, ao assumir a centralidade no desenvolvimento dessas competências críticas, não apenas contribui para o fortalecimento da cidadania digital e da democracia, mas também se consolida como espaço privilegiado de resistência frente às dinâmicas de manipulação informacional e de circulação de conteúdos falsos em escala global. Tal perspectiva reforça a urgência de investir em políticas públicas que garantam formação continuada para educadores, bem como recursos didáticos que sustentem práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas às demandas do século XXI. Por fim, acredita-se que os levantamentos deste estudo podem subsidiar futuras pesquisas e práticas pedagógicas comprometidas com a construção de uma cultura de uso responsável, ético e consciente das mídias, colaborando para a formação de sujeitos capazes de atuar criticamente em sociedades cada vez mais complexas, conectadas e mediadas pela informação. Ao mesmo tempo, destaca-se que a incorporação da Educomunicação e da alfabetização midiática no ambiente escolar contribui para uma educação mais democrática, inclusiva e sensível às transformações sociais, reforçando o papel da escola como guardiã do pensamento crítico e como promotora de uma cidadania ativa, informada e capaz de enfrentar os desafios impostos pela desinformação.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educomunicação e Alfabetização Midiática na Escola Como Estratégias para Enfrentar a Desinformação. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120713. Acesso em: 14 maio. 2026.