Laboratórios Escolares de Ciências: o Que Mudou nos ltimos 15 Anos.

Autores

  • Cecilia Ribeiro Albuquerque
  • Marlize Grecco de Souza Silveira
  • Vanderlei Folmer
  • Salete de Lourdes Cardoso Santana
  • Mara Regina Bonini Marzari

Palavras-chave:

Educação, Ciências, Práticas, Experimentais, Laboratórios, Rede, Pública

Resumo

A pesquisa de mestrado, realizada entre 2009 e 2010, investigou o ensino de ciências em escolas públicas de dois municípios da fronteira oeste do RS, com foco na presença e uso de laboratórios de ciências para aulas práticas e experimentação. O estudo, que abrangeu 46 professores, 37 gestores e 1430 estudantes de 35 escolas, estaduais e municipais, localizadas em zona rural e urbana, revelou que na maioria das instituições não havia espaços laboratoriais adequados ou, quando presentes, apresentavam infraestrutura insuficiente, impactando a segurança e a capacidade de acomodar as turmas, geralmente numerosas. Verificou-se, ainda, que muitos laboratórios eram desviados para outras finalidades, como salas de recursos, sala de reuniões ou arquivos. A pesquisa, fundamentada em uma abordagem qualiquantitativa e tendo como meio de coleta de dados a aplicação de questionário misto, mostrou que 54,3%, ou seja, mais da metade das escolas, não possuía laboratórios. Dentre estas, uma ofertava o Ensino Médio, contrariando a Resolução 340/2018 do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul, que determina sua implementação para a disponibilização desse seguimento. Nas escolas que possuíam laboratórios providos de condições de uso, os professores não os utilizavam por "falta de hábito e outros docentes utilizavam esporadicamente. Apenas 6 escolas utilizavam os espaços frequentemente. As principais alegações giravam em torno da falta de verba para manutenção, carência de capacitação docente e de técnicos, e carga horária incompatível ou insuficiente para o preparo das práticas. Os estudantes, por sua vez, demonstraram interesse de acesso e ansiavam por mais oportunidades quanto ao uso dos laboratórios, percebendo que a conexão das práticas experimentais com seu cotidiano e da importância da ciência para a qualidade da aprendizagem. Professores e gestores demonstraram maior conscientização sobre a importância dos laboratórios, mostrando-se abertos à sua implementação e à formação continuada, apesar de reconhecerem as dificuldades financeiras e estruturais. Quinze anos após a pesquisa inicial, os locais foram revisitados para um comparativo entre 2010 e o cenário atual, 2025. Em 2010, a infraestrutura e o uso dos laboratórios eram limitados, com pouca capacitação docente e apoio institucional quase inexistente. Em 2025 o cenário apresenta uma importante iniciativa como do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), em parceria com a UNIPAMPA, assim como Projetos inovadores, como o LabMaker, que promove o protagonismo estudantil por meio da criação e construção, e a introdução de laboratórios móveis (caixas com materiais para experimentos simples). Apesar desses avanços, ainda se faz necessário investimentos para implementação e manutenção desses espaços, capacitando os docentes por meio de uma política de formação continuada, suporte financeiro e de recursos humanos para garantir o funcionamento adequado dos laboratórios durante todo o ano letivo e incentivar o uso de novas abordagens investigativas, como o uso de materiais de baixo custo e recicláveis. A pesquisa ainda ressalta que a ausência de uma infraestrutura ideal não deve servir como justificativa para a falta de práticas experimentais. Portanto, buscar e aplicar metodologias alternativas de baixo custo e fácil acesso, que sejam replicáveis, a fim de atender às demandas das práticas experimentais no ensino de ciências e assegurar uma educação científica crítica, inclusiva e transformadora, torna-se imperioso, indispensável, premente e inadiável.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Laboratórios Escolares de Ciências: o Que Mudou nos ltimos 15 Anos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120710. Acesso em: 14 maio. 2026.