Leitura e Oralidade no Ensino Médio: Aplicação de Sequências Didáticas no Pibid

Autores

  • Lucas Pintos
  • Franciele de Araujo Loureiro
  • Veridiana Veríssima Camargo Machado
  • Nathan Bastos de Souza
  • Juliane dos Santos Porto

Palavras-chave:

Gênero, entrevista, Leitura, crítica, Formação, cidadã

Resumo

Este trabalho apresenta os resultados iniciais de oficinas de Língua Portuguesa realizadas no 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Professor Waldemar Amoretty Machado, em Bagé/RS, como parte das atividades do PIBID Letras Português (Núcleo 2). As intervenções em sala de aula iniciaram com atividades de leitura e oralidade no mês de agosto de 2025. Na sequência didática (doravante SD) o foco foi o desenvolvimento da leitura crítica e da oralidade, articuladas ao estudo do gênero entrevista. A base teórico--metodológica para a proposição da regência de sala de aula se deu na perspectiva de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), que postulam que as sequências didáticas permitem o ensino da escrita e da oralidade de forma diferenciada, visando ao desenvolvimento de capacidades de produção oral e escrita e à compreensão de gêneros e situações comunicativas diversas. Conforme os autores, esse procedimento é caracterizado pela organização de atividades em torno de um gênero textual oral ou escrito, iniciando com uma produção inicial (diagnóstica), seguida de módulos de atividades diversas e culminando em uma produção final. Nesse sentido, o objetivo geral da SD consistiu em promover a formação leitora e a consciência crítica sobre o papel da leitura na vida pessoal e coletiva, estimulando a oralização da leitura com entonação adequada e a participação em discussões. A carga horária total foi de seis horas (6 h/a), distribuídas em encontros de duas horas semanais, nos quais se realizaram momentos de leitura e estudo do texto, produção de entrevistas e socialização dos resultados. A seguir, descrevem-se as atividades que compuseram cada etapa da SD.Nas primeiras duas aulas as intervenções consistiram, inicialmente, na exibição de um vídeo de Drauzio Varella sobre o exercício da leitura para sensibilização, seguida de leitura da crônica Ler ou não ler, eis a questão: uma crônica sobre livros e leitura, de Márcia Tiburi. Começamos por uma leitura silenciosa, depois aconteceu a leitura coletiva em voz alta em revezamento de parágrafos e discussão guiada com perguntas norteadoras. Em um segundo encontro, com mais duas horas de aula, a sequência previa atividades voltadas à discussão crítica da crônica de Márcia Tiburi, ao estudo do gênero entrevista e ao planejamento coletivo de entrevistas audiovisuais, que visavam traçar o perfil leitor da comunidade escolar, buscando compreender seus interesses, práticas e os desafios relacionados à leitura. No último encontro, com duas horas de aula, os alunos realizarão as gravações, assumindo diferentes funções no processo, e, por fim, os vídeos serão editados e socializados na escola, acompanhados de reflexão coletiva sobre os hábitos de leitura e sua relação com a formação cidadã. A produção inicial, neste caso, serviu como um diagnóstico essencial para identificar o conhecimento prévio dos alunos e suas dificuldades, permitindo uma mediação mais eficaz. A prática junto às turmas 201, 202 e 203 revelou diferentes níveis de engajamento. Enquanto as turmas 201 e 203 participaram ativamente, contribuindo com exemplos, argumentos e reflexões que enriqueceram o debate, a turma 202 demonstrou resistência, com apenas quatro alunos dispostos a ler em voz alta, o que exigiu maior mediação dos bolsistas para o cumprimento da atividade. Essas variações no engajamento podem ser compreendidas no contexto das dificuldades de implementação do trabalho com a oralidade e das realidades heterogêneas dos estudantes, conforme Dering e Silva (2020) e Bunzen (2020) apontam sobre as disparidades escolares e as particularidades dos estudantes. Apesar da dificuldade observada na turma 202, os estudantes demonstraram compreensão do texto e interesse pela temática. Os resultados parciais indicam que a sequência didática aplicada favoreceu o despertar do interesse pela leitura, estimulou a oralidade e reforçou a percepção de que ler é um ato político e cidadão, em consonância com a discussão proposta por Tiburi. Este resultado reflete o sucesso na aplicação do modelo de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), que contribui para o desenvolvimento progressivo de capacidades comunicativas e a produção autônoma e qualificada de textos, permitindo que os alunos se tornem mais competentes na comunicação oral e escrita. Conclui-se que, mesmo em estágio inicial, a experiência evidencia o potencial das sequências didáticas para articular teoria e prática, diversificar estratégias de mediação e ampliar a participação estudantil em atividades de leitura e reflexão crítica.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Leitura e Oralidade no Ensino Médio: Aplicação de Sequências Didáticas no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120681. Acesso em: 11 jun. 2026.