O Jornal Escolar Como Ferramenta para a Construção do Protagonismo de Estudantes na Educação Básica
Palavras-chave:
Autonomia, Pibid, Ferramentas, digitaisResumo
Este trabalho tem como objetivo analisar o processo de construção do protagonismo e da autonomia de estudantes do Ensino Fundamental, a partir de sua participação em um projeto de jornal escolar. A experiência investigada ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. João Severiano da Fonseca, localizada na cidade de Bagé, no estado do Rio Grande do Sul. A referida instituição atende alunos do primeiro ao nono ano do Ensino Fundamental, sendo que os discentes envolvidos com o projeto do jornal escolar Fala, João se encontram matriculados no nono ano. A atividade é realizada no turno inverso ao das aulas regulares, conta com a participação de sete alunos, sob a orientação de duas licenciandas do curso de Letras - Português e Literaturas de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), também bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e com o suporte da professora supervisora do programa, que também atua como professora de Língua Portuguesa dos referidos alunos. O jornal escolar Fala, João foi instituído no ano de 2023, como desdobramento de um do seminário de pesquisa orientado pela professora supervisora junto a alunos do nono ano. No ano de 2024, uma nova equipe foi formada com os discentes concluintes da escola, e, atualmente a equipe de deste ano está sendo orientada pelas bolsistas de iniciação à docência desde o início do ano letivo, que mantêm um diário reflexivo sobre as práticas desenvolvidas. A análise desse material permitiu a identificação de indícios significativos da construção da autonomia por parte dos alunos. Deste modo, o presente trabalho busca compreender os processos de constituição do protagonismo dos estudantes a partir dos registros reflexivos das bolsistas. Ademais, são observados elementos que evidenciem revisões nas produções iniciais e finais dos textos dos estudantes, os quais são digitados e compartilhados por meio da plataforma Google Drive. No início das atividades, observou-se certa resistência por parte dos alunos ao aceitar o auxílio oferecido pelas bolsistas, preferindo recorrer à professora supervisora. Contudo, à medida que os vínculos interpessoais foram sendo fortalecidos, as professoras em formação passaram a exercer um papel mais ativo na orientação, o que ocasionou, em um primeiro momento, em uma dependência dos estudantes. As licenciandas, ao perceberem isso, tentaram minimizar sua interferência, com o intuito de estimular a autonomia dos alunos. A análise das atividades desenvolvidas evidencia a progressiva construção dessa autonomia, observável por meio das produções textuais, da capacidade de revisão crítica e do domínio gradual de ferramentas digitais. Em relação às produções escritas, os alunos passaram a demonstrar maior consciência na seleção lexical e na definição dos objetivos comunicativos, conforme exemplificado no seguinte excerto: Nesse dia, pareceram mais confiantes nas ideias que sugeriram, inclusive quando discordaram das minhas sugestões, e eles conseguiram justificar bem as suas escolhas. No que se refere à leitura, foi possível constatar o desenvolvimento de um olhar mais analítico por parte dos discentes, especialmente no que diz respeito à coesão e à coerência textuais, bem como à correção gramatical, em aspectos como pontuação, acentuação e ortografia. Ainda no início do projeto, foram identificadas dificuldades na utilização dos computadores, particularmente no processo de digitação e de formatação do texto, agora já superados, como evidencia o excerto: Durante a revisão das publicações, percebi que estão identificando com muita facilidade aspectos que antes nós precisaríamos apontar. Por exemplo, o uso de dois espaços entre as palavras ou a necessidade de justificar os parágrafos. Outra dificuldade enfrentada pelos estudantes era referente ao uso de ferramentas digitais, tais como Webnode, Google Drive e Canva. No caso do Webnode e do Google Drive, as limitações estavam relacionadas à publicação de conteúdos no site do jornal e à formatação dos textos, que foram superadas com na prática. Quanto ao uso do Canva, a principal dificuldade residia na autoria ao modificar os templates, especialmente na adaptação de acordo com as demandas da equipe. Com a implementação do formato impresso do jornal, observou-se, contudo, um uso mais criativo dessa ferramenta. Com base nas análises realizadas, foi possível constatar o comprometimento e a responsabilidade assumidos pelos estudantes ao longo do desenvolvimento do projeto. Os conteúdos linguísticos usualmente trabalhados em sala de aula passaram a assumir maior importância e sentido quando inseridos em um contexto em que os discentes assumem o protagonismo. O andamento do jornal depende das decisões tomadas pelos próprios alunos, o que contribui para a consolidação de sua autonomia e fortalecimento da participação ativa no processo de aprendizagem.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O Jornal Escolar Como Ferramenta para a Construção do Protagonismo de Estudantes na Educação Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120669. Acesso em: 14 maio. 2026.