Práticas pedagógicas e avaliativas na educação básica: reflexões a partir de experiências de observações
Palavras-chave:
Inclusão, Práticas, Pedagógicas, Prática, DocenteResumo
Neste trabalho, analisamos práticas pedagógicas e avaliativas desenvolvidas nos anos finais do Ensino Fundamental em uma escola pública municipal de Bagé/RS, a partir de um estágio de observação. A pesquisa foi conduzida pela problemática de compreender de que forma a atuação docente favorece a inclusão, a aprendizagem e o engajamento dos alunos, diante dos desafios presentes no cotidiano escolar. O objetivo geral do trabalho foi investigar a prática de uma professora de Língua Portuguesa, com foco em como suas metodologias e estratégias de avaliação fomentam a interação, a amorosidade e a aprendizagem significativa. Para isso, os objetivos específicos incluíram a observação da dinâmica das aulas, a análise dos critérios avaliativos empregados e a reflexão sobre a ligação entre a gestão escolar e o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. A instituição, localizada em um bairro periférico, destaca-se pela preocupação com acessibilidade e inclusão, dispondo de rampas e salas equipadas para estudantes com deficiência. A pesquisa envolveu uma professora de Língua Portuguesa e suas turmas, que apresentaram perfis variados, desde alunos participativos até aqueles mais silenciosos ou resistentes. Os dados foram organizados em três eixos: metodologia, prática docente e avaliação. Como elementos de continuidade, observou-se a postura acolhedora e paciente da professora, a realização de atividades interativas, como a chamada temática, a oferta de materiais adequados às diferentes necessidades dos alunos e o acompanhamento individualizado. Como elementos de diferenciação, destacou-se a mudança nos critérios avaliativos: no primeiro trimestre, o modelo incluía prova, teste com consulta ao caderno e nota pela organização; já no segundo, passou a contemplar prova, caderno e participação em aula, revelando flexibilidade, um cuidado equilibrado e atenção para envolver os estudantes de forma adequada. O referencial teórico deste trabalho fundamenta-se nas concepções de avaliação formativa e nas perspectivas humanistas de ensino, com foco na teoria e prática de Paulo Freire (1996), conforme analisadas por Ana Maria Saul (1988). Articula-se, assim, nos princípios da mediação pedagógica, da autonomia do sujeito, do aprendizado como um processo contínuo, do aprendizado que integra dimensões cognitivas, sociais e afetivas, e das avaliativas dialógicas. A avaliação é compreendida como um instrumento de libertação e melhoria contínua do processo ensino-aprendizagem, priorizando aspectos qualitativos, dialógicos e participativos, em oposição à lógica de controle e reprovação. O ensino é concebido como prática de humanização e libertação dos sujeitos, contrapondo-se à educação bancária e promovendo uma escola crítica, alegre, solidária e ética. A mediação pedagógica assume centralidade no diálogo, compreendido como elemento essencial à reflexão crítica e à transformação da realidade, configurando a avaliação como espaço democrático e horizontal entre professor e estudante. Nesse processo, valoriza-se a autonomia do sujeito, entendida como capacidade de tornar-se protagonista de sua própria história, bem como a autonomia docente no planejamento. O aprendizado, por sua vez, é visto como processo contínuo e plural, realizado em diferentes ritmos e sustentado por práticas inclusivas, que reconhecem o aluno em sua totalidade e integram dimensões cognitivas, sociais e afetivas. Conclui-se que a experiência analisada contribui de forma significativa para a formação docente inicial, ao provocar reflexões sobre o papel do professor como mediador do conhecimento e sobre os desafios concretos da escola pública. A prática observada evidenciou que a inclusão e o engajamento dos estudantes dependem não apenas de metodologias inovadoras e avaliações formativas, mas também da postura ética, acolhedora e flexível do professor. Entretanto, obstáculos como indisciplina, desrespeito e falta de apoio institucional evidenciam a necessidade de políticas educacionais que garantam condições de trabalho adequadas e compartilhadas coletivamente. Dessa forma, reafirma-se que práticas pedagógicas fundamentadas na amorosidade, no diálogo e na avaliação como processo contínuo configuram-se não apenas como estratégias de ensino, mas como compromisso ético e social com a construção de uma educação pública inclusiva e transformadora.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Práticas pedagógicas e avaliativas na educação básica: reflexões a partir de experiências de observações. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120661. Acesso em: 9 jun. 2026.