Os Desafios de Planejar Música: Um Relato de Experiência Vivenciado no Pibid

Autores

  • Amanda Késsia Correa
  • Carla Lopardo

Palavras-chave:

Ensino, música, Planejamento, Prática, sala, aula, Vivência

Resumo

Sou aluna do curso de Música - Licenciatura na Universidade Federal do Pampa, no campus Bagé, desde 2019. Antes disso, formei-me em Magistério no Rio de Janeiro. Nesse contexto, já vivenciei diversas versões da educação desde o início da minha formação como professora: trabalhei como substituta em creche particular, professora de reforço escolar, monitora de alunos com deficiência e também atuei como estagiária em escolas públicas durante o curso. Estar no Pibid pela primeira vez trouxe novos choques de realidade e desafios para a minha caminhada docente, que vem sendo construída há anos, especialmente no que se refere aos planejamentos de aula. Já tive contato com eles diversas vezes, mas sempre em versões e com exigências diferentes. Pensar música é algo simples quando não se tem outro objetivo além de ensinar e fazer com que o aluno aprenda. Contudo, quando habilidades, calendários, objetivos, projetos e prazos são inseridos na equação, planejar música se torna o maior dos obstáculos para mim. Como atender a todas as normas pré-estabelecidas? Como inserir música de forma a dialogar com as habilidades da área? Como planejar algo sem saber se funcionará? O que fazer quando, apesar de conhecer o ponto de partida, na prática isso simplesmente não se encaixa com o todo? Pensar, a longo prazo, em um conjunto de aulas que dialoguem entre si e deem sequência no decorrer do ano, considerando possíveis obstáculos e imprevistos, foi algo que aprendi na prática, sem muita instrução. Esse processo ocorreu em grupo, sentada com meus colegas pibidianos, pensando, imaginando e selecionando as melhores opções de ideias, aulas, objetivos e prazos. No início, a sensação era de estar perdida, sem saber por onde começar. Percebi que planejar música exige não apenas criatividade, mas também organização e clareza de objetivos. O domínio da tecnologia se mostrou um pré-requisito para a função, uma vez que as folhas de papel foram substituídas por arquivos, pastas e sistemas online. Ao mesmo tempo em que havia liberdade para propor atividades musicais diversas, também existia a responsabilidade de garantir que elas dialogassem com as habilidades previstas pela BNCC e com a realidade dos estudantes e da escola. Nesse processo, descobri que cada escolha de repertório, de dinâmica em sala ou de metodologia carregava um peso capaz de impactar a forma como os alunos se relacionavam com a música. Muitas vezes, uma atividade que parecia simples no papel mostrava-se complexa na prática, e foi necessário adaptar, rever e recriar estratégias constantemente durante o ano, mesmo após a elaboração de um planejamento anual. Esse choque de realidade da prática em sala de aula contribuiu para que eu percebesse que o planejamento não é um documento rígido, mas sim um guia flexível, que precisa se moldar às necessidades da turma e aos imprevistos do cotidiano escolar. Ao olhar para trás, compreendo que os desafios enfrentados foram, na verdade, oportunidades de amadurecimento docente. Planejar música do zero exigiu de mim paciência, escuta, criatividade e, sobretudo, a coragem de experimentar. Não se trata apenas de escrever um plano de aula, mas de criar experiências musicais significativas, capazes de despertar nos alunos o desejo de aprender e de conhecer. Concluo que a vivência do primeiro planejamento no Pibid foi um marco na minha formação, pois me colocou diante da prática real de algo que, até então, eu conhecia de forma muito simplificada. Aprendi que planejar é errar, revisar e tentar novamente, mas também acreditar que a música pode transformar o espaço escolar e a mente de quem ouve. Essa experiência me mostrou que, mesmo em meio às dúvidas e receios, é possível construir caminhos potentes quando se tem dedicação e disposição para aprender com os desafios.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Os Desafios de Planejar Música: Um Relato de Experiência Vivenciado no Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120660. Acesso em: 2 maio. 2026.