Experiências do Pibid em Música: Práticas Pedagógicas e Formação Docente na Escola Básica
Palavras-chave:
Licenciatura, Música, Educação, Musical, básicaResumo
Este trabalho apresenta as experiências desenvolvidas no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) vinculadas a um curso de Licenciatura em Música, enfatizando sua relevância para a formação docente inicial e para a inserção dos estudantes universitários no cotidiano escolar. O subprojeto em questão teve como propósito aproximar os licenciandos das realidades de ensino na escola básica, proporcionando vivências pedagógicas que articulassem teoria acadêmica e prática educativa, ao mesmo tempo em que buscou contribuir com a qualidade da educação pública. As atividades foram realizadas em uma escola da rede pública de ensino fundamental e se organizaram em dois momentos complementares: uma etapa inicial de observação e diagnóstico, seguida da aplicação de um plano de aula coletivo, elaborado pelos bolsistas com orientação dos professores supervisores e da coordenação institucional. Na fase de observação, realizada em novembro de 2024, os licenciandos acompanharam a rotina escolar, os horários e espaços de convivência, as práticas pedagógicas de diferentes docentes e a interação dos alunos nas aulas de artes. Esse processo investigativo resultou em um panorama detalhado sobre o contexto educacional, as potencialidades e os desafios da comunidade escolar, servindo como subsídio para a elaboração das intervenções pedagógicas que seriam implementadas no ano seguinte. No início de 2025, após a sistematização dos dados obtidos na observação, foi elaborado um plano de ação direcionado a turmas de 7º e 9º ano do Ensino Fundamental, estruturado em três frentes pedagógicas. A primeira concentrou-se em atividades de sensibilização sonora e musical, utilizando jogos rítmicos, práticas de percussão corporal, exercícios de escuta ativa e a construção de linhas do tempo musicais que buscavam ampliar a percepção histórica da música. Essa etapa também incorporou recursos digitais, como experimentações criativas no aplicativo Suno, por meio do qual os alunos puderam explorar a composição musical em formato acessível, conectando-a à produção de registros artísticos visuais. A segunda frente voltou-se à improvisação rítmica, favorecendo o diálogo entre teoria musical e prática criativa. Através da retomada dos exercícios corporais e da introdução gradual de conceitos de figuras musicais, os estudantes foram incentivados a experimentar diferentes combinações rítmicas, explorando tanto aspectos técnicos quanto expressivos. Essa metodologia lúdica e integrada mostrou-se eficaz para a compreensão dos conteúdos, ao mesmo tempo em que possibilitou maior participação dos alunos nas atividades coletivas. A terceira frente promoveu a construção de instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis, em oficinas que mobilizaram a criatividade, a consciência ambiental e o trabalho colaborativo. Essa etapa culminou em uma apresentação coletiva, na qual os estudantes executaram a canção tradicional congolesa Olélé Moliba Makasi, originária do povo que vive às margens do rio Cassai, na República Democrática do Congo. A escolha da obra buscou valorizar a diversidade cultural, ampliar o repertório musical escolar e criar um espaço de reconhecimento das matrizes africanas na música, favorecendo práticas inclusivas e de valorização da memória afrodescendente. Os resultados evidenciaram que a abordagem prática e interativa contribuiu para a assimilação de conteúdos musicais, para o fortalecimento do engajamento estudantil e para o desenvolvimento criativo, possibilitando aos alunos experimentar diferentes formas de expressão artística. Entre os desafios enfrentados, destacou-se a escuta musical fragmentada, influenciada pelo consumo rápido e parcial de músicas em plataformas digitais, o que dificultava a percepção da forma e da duração completas das obras. Diante dessa realidade, as atividades buscaram incentivar a escuta integral, a reflexão sobre a estrutura musical e a produção de composições mais conscientes. Para os bolsistas, a experiência representou um espaço privilegiado de formação docente, pois permitiu vivenciar o planejamento coletivo, a aplicação de metodologias inovadoras e a reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Além de favorecer a construção da identidade profissional, o projeto reforçou a importância do PIBID como política pública de valorização da docência e de aproximação entre universidade e escola. Conclui-se que o subprojeto em Música possibilitou aprendizagens significativas tanto para os licenciandos quanto para os estudantes da escola básica, demonstrando que práticas pedagógicas criativas, colaborativas e culturalmente sensíveis têm potencial para renovar a educação musical e fortalecer sua relevância no currículo escolar.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Experiências do Pibid em Música: Práticas Pedagógicas e Formação Docente na Escola Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120659. Acesso em: 11 jun. 2026.