Educação Musical no Âmbito Escolar: Vivências de Uma Dupla de Pibidianos do Curso de Música.

Autores

  • Everlin Cabral Oliveira
  • Geovane Dias Neves
  • Patrícia Colman Dinegri Guimarães
  • Carla Lopardo

Palavras-chave:

ESCOLA, MÚSICA, PIBID

Resumo

Desde crianças, sabemos que a Música está presente em diversos momentos das nossas vidas, mesmo que de forma imperceptível. Ela está nas ruas, nos supermercados e lojas, no trabalho, entre outros locais. Nós acreditamos que a educação musical é essencial, embora ainda pouco reconhecida nas escolas do Brasil. Nesse trabalho, trazemos um relato das nossas vivências, dois Discentes do quarto semestre do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa Unipampa Campus Bagé, que atualmente trabalham em dupla no Programa de Instituição de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) na escola Téo Vaz Obino. Esse texto apresenta nossas primeiras observações, desafios e aprendizados sobre essa escola de Ensino Fundamental com experiência limitada em educação musical. Nessa colaboração também queremos compartilhar como foram nossas reuniões com a nossa supervisora responsável, a elaboração dos planos de aula, as discussões sobre as atividades ideais e suas implementações, os desafios enfrentados em ministrar nossas primeiras aulas e os trabalhos em sala. Trazemos nossa visão sobre essas experiências, nossas expectativas e os resultados que obtivemos para nossa reflexão (onde podemos melhorar enquanto futuros educadores?). Este documento foi produzido a partir de nossas recordações e experiências ao longo de aproximadamente seis meses, organizadas em ordem cronológica de modo a evidenciar desafios em atuar como professor de música em escola pública. Tivemos nossos primeiros contatos em sala de aula apenas como espectadores da professora de artes, responsável por ministrar a aula. Permanecemos nessa fase de ambientação e observação por pouco mais de um mês, mas já era perceptível o desafio que estava por vir. De repente, nós estávamos em uma sala de aula diante de vinte e cinco a trinta crianças e adolescentes, sendo que, poucos anos atrás éramos nós nessa mesma situação de estudantes (fazendo bagunça, rindo com os colegas) e agora estamos diante de pessoas que esperam de nós: transmissão de aprendizagem e sabedoria, troca de conhecimentos, professores que ajudarão a trilhar seus futuros e encontrar um guia para despertar seu potencial. Nesse sentido, logo tentamos nos aproximar dos estudantes com o objetivo de compreender como eles pensam e são. Nessa análise, percebemos que um número considerável de estudantes não pertencia ao bairro onde a escola estava localizava, eles vêm de bairros vizinhos ou de bairros mais distantes, usando bicicletas ou ônibus como transporte para se deslocarem até a escola. Em relação a essas circunstâncias, um estudante nos informou que a razão pela qual optou por uma escola mais distante, se devia ao fato de haver muita violência na escola pertencente a sua comunidade e que na atual escola encontrava um ambiente tranquilo e seguro. Ao observar algumas turmas Pré I, quarto, quinto, e nono ano era nítido o ambiente acolhedor, embora houvesse bastante conversa e brincadeiras, todos são bem participativos em aula, com grandes expectativas para os trabalhos propostos. No momento, assumimos as aulas do quinto e nono ano, intercalando com a professora de artes, que também é nossa supervisora. Ela nos ajudou bastante no nosso começo, nos tranquilizando e explicando a sua filosofia como educadora. Nosso primeiro grande desafio foi pensar no que iríamos passar para os alunos, quais eram nossos objetivos, o nosso plano de ensino. Foram reuniões online para decidir os planos de aula, os questionamentos a colegas com mais experiência, entre outros, tudo para termos a confiança necessária de iniciar. Nossas primeiras práticas como docentes foram enriquecedoras, os alunos participaram com engajamento, comprometendo-se com o que propomos, o conteúdo abordado foi acerca dos parâmetros do som, utilizando elementos de percussão corporal e trabalhos em grupo, podemos observar que os alunos mostraram muita criatividade, alta capacidade de aprendizado e potencialidade. Ao utilizar os 3 eixos da educação musical: Apreciação, Interpretação e Criação, nós exploramos cada um desses elementos de forma aprofundada. Nossa troca de conhecimento enquanto dupla também foi importante para o amadurecimento de ambos, como colegas de curso, também tivemos uma boa sintonia profissional, o que deixou a experiência mais leve, assim conseguimos trabalhar com propostas familiares para nós, o que nos deixou ainda mais confortáveis em exercer a prática escolhida e lidamos juntos com as seguintes frustações: algumas vezes as atividades não saírem como o planejado, e alguns alunos não responderem como o esperado para tal atividade. Em geral, consideramos todo esse acúmulo de vivências, uma base sólida para edificar e modificar a educação musical nas escolas públicas brasileiras, assim como poder exercer nossa profissão, com reconhecimento e valorização, desmistificando a visão de que ser músico é uma perda de tempo e algo desnecessário e sim demonstrar que é uma profissão digna e de valor.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Educação Musical no Âmbito Escolar: Vivências de Uma Dupla de Pibidianos do Curso de Música. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120658. Acesso em: 14 maio. 2026.