A LUDICIDADE COMO FERRAMENTA PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA

Autores

  • Daphne Guinevere Araujo Guedes
  • Aline Behling Duarte

Palavras-chave:

Palavras-chave, Práticas, lúdicas, Engajamento, Aprendizagem, Significativa

Resumo

O presente trabalho resulta das experiências vivenciadas durante o Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental. As atividades ocorreram na turma do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pérola Gonçalves. Foram desenvolvidas 15 h/a de regência, organizadas em sequências didáticas que privilegiaram a ludicidade como recurso metodológico para o ensino dos conteúdos de Língua Portuguesa. Os conteúdos abordados foram o estudo do sentido denotativo e conotativo e das figuras de linguagem (metáfora, metonímia, hipérbole, antítese, aliteração, assonância e personificação). A proposta partiu da compreensão de que o aprendizado da língua materna deve ultrapassar o caráter normativo e tornar-se mais significativo por meio da interação, da criatividade e da intencionalidade pedagógica. Nesse sentido, Martins (2016) argumenta que trazer o lúdico para a escola implica reconhecer a seriedade do processo de aprender, ao mesmo tempo em que promove interesse por esse desafio. Com base nisso, as aulas foram fundamentadas em pressupostos teóricos que destacassem o papel ativo dos alunos na construção do conhecimento. Nestes termos, Piaget (1986) ressalta a importância da assimilação e acomodação para o desenvolvimento cognitivo; Vygotsky (2001) enfatiza a dimensão social e a mediação da linguagem no processo de aprendizagem; Ausubel (2003) valoriza a aprendizagem significativa, que ocorre quando novos conteúdos se conectam a saberes prévios; Wallon (2007) evidencia a relevância dos aspectos afetivos e emocionais para o engajamento. A metodologia empregada consistiu na elaboração de sequências didáticas (Dolz; Schneuwly, 2004) articuladas em etapas progressivas. Cada uma foi planejada de maneira a promover a participação ativa dos alunos em atividades diversificadas. A título de exemplo, foram utilizadas atividades como: questionários diagnósticos e de sondagem, jogos de cartas com charadas e memes, atividades de reescrita criativa, paródias musicais e Rap, produções poéticas, construção de slogans publicitários, minipeça de teatro. Além disso, aplicou-se um teste de personalidade lúdico que vinculava as figuras de linguagem a arquétipos de animais. Esses recursos estimularam a oralidade, a escrita, a leitura crítica, o raciocínio linguístico e a expressão criativa dos estudantes, permitindo que os conteúdos ministrados tradicionalmente considerados abstratos fossem ressignificados por meio de práticas lúdicas. Como resultado, observou-se um maior engajamento da turma, com expressiva participação nas atividades propostas, maior motivação para explorar a aplicação das figuras de linguagem e dos sentidos conotativo e denotativo em diferentes contextos. Apesar de dificuldades pontuais em distinguir algumas figuras de linguagem, como metáfora e metonímia ou aliteração e assonância, os estudantes demonstraram uma evolução progressiva na compreensão e no uso desses recursos. Esse progresso ficou evidente com o passar das aulas, especialmente quando os conteúdos foram estrategicamente trabalhados de maneira a integrar o cotidiano dos alunos com elementos de humor e liberdade criativa. Acredita-se que as atividades lúdicas também favoreceram o desenvolvimento da autoestima criativa, do trabalho colaborativo em grupo e da sensibilidade interpretativa. Diante disso, a ludicidade não se restringe a momentos de recreação, mas constitui uma estratégia pedagógica essencial para o fortalecimento da aprendizagem significativa. Assim, Kishimoto (1996) observa que, quando as práticas lúdicas são intencionalmente planejadas pelo professor para estimular a aprendizagem, o lúdico revela seu potencial pedagógico. Dessa forma, conclui-se que o estágio supervisionado possibilitou a articulação efetiva entre teoria e prática, confirmando o potencial da ludicidade como ferramenta para o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa. Ademais, destaca sua relevância para a formação integral do estudante, que passa a perceber a língua não apenas como objeto de estudo gramatical, mas como um espaço de expressão, criação e interação social. De acordo com Brasil et al (2025) a aprendizagem deve ir além dos aspectos formais e normativos, contemplando também o desenvolvimento de competências interpretativas e argumentativas essenciais para a comunicação social. Nesse sentido, este trabalho evidencia que práticas pedagógicas inovadoras, fundamentadas no processo de aprendizagem ativa e significativa podem transformar as experiências de aprendizagem dos alunos no Ensino Fundamental. Além de favorecer a compreensão de conteúdos tradicionalmente considerados desafiadores, a ludicidade também amplia horizontes ao despertar a autonomia intelectual e fortalecer vínculos afetivos em sala de aula. Entende-se que esses aspectos apontam, assim, para caminhos promissores em futuras pesquisas e práticas docentes que desejem reconhecer a linguagem como potência criadora e agente de transformação humana.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A LUDICIDADE COMO FERRAMENTA PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120655. Acesso em: 14 maio. 2026.