GESTÃO ESCOLAR: A RELAÇÃO ENTRE OS FATORES RELACIONADOS AO TECHNOSTRESS E A SATISFAÇÃO NO TRABALHO NO RAMO EDUCACIONAL PÚBLICO
Palavras-chave:
Technostress, Gestão, Escolar, Satisfação, TrabalhoResumo
A transformação digital no setor educacional tem provocado mudanças profundas na forma como a gestão é conduzida, especialmente a partir da intensificação do uso de tecnologias no período pós-pandemia. As tecnologias da informação e comunicação passaram a ocupar papel central na rotina dos gestores escolares, otimizando processos, melhorando a comunicação entre equipes e possibilitando maior alcance das ações administrativas e pedagógicas. Contudo, ao mesmo tempo, em que oferecem avanços importantes, também introduzem novos desafios relacionados à adaptação e ao domínio de ferramentas entre demandas profissionais e pessoais. Nesse cenário, emerge o fenômeno do technostress, no qual se trata da inabilidade de lidar com as tecnologias, caracterizando-se por dimensões como tecno-sobrecarga, tecno-invasão, tecno-complexidade, tecno-insegurança e tecno-incerteza. Compreender a relação entre esses elementos torna-se fundamental para identificar estratégias que favoreçam a construção de um ambiente escolar equilibrado, onde a tecnologia seja uma aliada e não uma fonte de desgaste. Neste contexto, a pesquisa buscou identificar a presença de fatores relacionados ao technostress em gestores de escolas municipais, analisando os diferentes aspectos do uso das tecnologias e sua relação com a satisfação no trabalho. Foram considerados profissionais que atuam diretamente na gestão escolar e que utilizam ferramentas digitais em suas rotinas administrativas e pedagógicas, como sistemas de gestão escolar. O estudo se caracteriza como quantitativo, com caráter descritivo, cuja população são gestores escolares. A coleta foi realizada através de uma Survey e o instrumento adaptado de Lencina (2023). No que tange as análises, foram realizadas estatísticas descritivas e regressão linear múltipla. Os resultados indicaram que, embora os gestores apresentem níveis satisfatórios de motivação e satisfação em desempenhar sua função, os efeitos da tecnologia sobre sua rotina são ambíguos. De um lado, a digitalização permite maior agilidade, eficiência e acesso à informação; de outro, intensifica o ritmo de trabalho, invade horários de descanso e amplia a sensação de sobrecarga. A tecnoinvasão e a tecnossobrecarga apareceram como fatores mais recorrentes, evidenciando que a tecnologia ultrapassa os limites do expediente e interfere em momentos que deveriam ser destinados ao lazer, à família ou ao autocuidado. Essa realidade gera não apenas desgaste físico e emocional; mesmo diante da satisfação com os resultados do trabalho, a pressão digital contínua ameaça o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A análise sugere que a estabilidade da carreira pública pode atenuar parte das inseguranças relacionadas ao uso da tecnologia, como o medo de substituição ou a perda de relevância profissional. De modo geral, os achados revelam que a sobrecarga de trabalho e o sentimento de invasão tecnológica são os fatores que mais contribuem para o technostress, podendo levar ao esgotamento, à redução da motivação e até à evasão de profissionais da gestão escolar. Ao mesmo tempo, torna-se evidente que a tecnologia é indispensável e continuará a se expandir no cotidiano educacional, estando presente em computadores, smartphones e dispositivos de monitoramento. Tais achados apontam para a necessidade de se pensar em estratégias institucionais mais efetivas de enfrentamento, que não se restrinjam apenas a capacitações técnicas, mas que também contemplem políticas de bem-estar e incentivo ao equilíbrio entre inovação tecnológica e qualidade de vida. Assim, o estudo oferece contribuições práticas para instituições de ensino que desejam cuidar da saúde e da qualidade de vida de seus gestores, fortalecendo a importância de políticas públicas e institucionais relacionadas a está temática. . Como contribuição teórica, este trabalho amplia a discussão sobre technostress no setor educacional, tema ainda incipiente no Brasil, especialmente em contextos municipais. Também abre caminho para estudos comparativos entre diferentes regiões e níveis de ensino, permitindo a construção de estratégias mais amplas e eficazes de enfrentamento. Entre as limitações, destaca-se o recorte geográfico restrito, que pode não refletir realidades de outras localidades; no entanto, essa limitação é também uma oportunidade para ampliar o escopo de futuras pesquisas. Recomenda-se que novos estudos explorem não apenas a dimensão quantitativa, mas também qualitativa, ouvindo narrativas de gestores para aprofundar a compreensão dos impactos do technostress. Assim, ao articular a análise empírica com discussões teóricas, o estudo reforça a relevância do debate sobre saúde mental, gestão educacional e políticas de valorização profissional em tempos de crescente digitalização.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
GESTÃO ESCOLAR: A RELAÇÃO ENTRE OS FATORES RELACIONADOS AO TECHNOSTRESS E A SATISFAÇÃO NO TRABALHO NO RAMO EDUCACIONAL PÚBLICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120644. Acesso em: 15 maio. 2026.