JORNALISMO FUTEBOLÍSTICO E DESINFORMAÇÃO: O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO APOIO AO FACT-CHECKING
Palavras-chave:
Jornalismo, Futebolístico, Fact-checking, Desinformação, Inteligência, Artificial, HumanaResumo
A dissertação investiga de que forma a Inteligência Artificial (IA) pode atuar como ferramenta de apoio ao jornalismo futebolístico no combate à desinformação no contexto da plataformização e da cultura da convergência. Parte-se do pressuposto de que a circulação de conteúdos não verificados foi potencializada pelas mídias sociais digitais, impactando a credibilidade jornalística. O estudo diferencia o jornalismo futebolístico de outras modalidades esportivas, defendendo-o como uma subcategoria específica que merece análise própria, dada sua relevância cultural, social e econômica no Brasil. A revisão bibliográfica articula autores como Poell, Van Dijck e Nieborg (2020), que explicam a plataformização como processo em que infraestruturas e fluxos informacionais são mediados por plataformas digitais, priorizando engajamento e métricas algorítmicas em detrimento de critérios editoriais. Recuero, Soares e Zago (2021) são mobilizados para explicar o papel das câmaras de eco na amplificação de crenças pré-existentes, reforçando polarização e desinformação. Jenkins (2006) contribui ao tratar da cultura da convergência e da participação ativa dos públicos, ressaltando como a interação das torcidas amplia tanto a difusão de boatos quanto a força de narrativas coletivas. A pesquisa adota procedimentos metodológicos baseados em observação exploratória sistemática de seis agências brasileiras de fact-checking (Agência Lupa, Aos Fatos, Estadão Verifica, UOL Confere, G1 Fato ou Fake e Projeto Comprova), análise de conteúdo de materiais verificados e entrevistas semiestruturadas. O objetivo foi identificar como essas agências incorporam ferramentas de IA em seus processos de checagem. Os resultados mostram que o uso de IA ainda é limitado, concentrado em buscas automatizadas de dados e organização de informações, mantendo a verificação final sob responsabilidade da inteligência humana (IH). Casos como o uso da robô Fátima, do Aos Fatos, ilustram tanto os avanços quanto as fragilidades da aplicação de IA: embora o sistema ofereça respostas rápidas, ainda apresenta dificuldades em checar conteúdos dinâmicos do futebol, restringindo-se a reconhecer ausência de dados em situações recentes.Casos práticos de circulação de informações falsas no futebol são discutidos, como rumores de transferências de atletas amplamente divulgados e posteriormente desmentidos. Exemplos extraídos do X (antigo Twitter) evidenciam como a lógica da velocidade e do engajamento influencia jornalistas e cria espaço para erros. Também foram analisados casos em que torcedores, mobilizados nas redes sociais, influenciaram decisões de clubes, como ocorreu no Flamengo durante negociação com o atleta Mikey Johnston, mostrando como a opinião digitalizada das massas impacta diretamente o mercado esportivo. Esse cenário exige que o jornalismo adote estratégias híbridas que conciliem rapidez com rigor informativo. No campo teórico, o trabalho enquadra o jornalismo, dentro da Indústria Criativa (IC), ressaltando sua dimensão cultural e econômica. A produção jornalística é vista como atividade criativa, que transforma informações em produtos simbólicos, mobilizando grandes audiências e gerando valor econômico por meio de publicidade, patrocínios e direitos de transmissão. Na conclusão, o estudo reforça que a IA não deve ser entendida como ameaça ao jornalismo, mas como aliada no combate à desinformação. A união entre IA e IH potencializa o fact-checking, tornando-o mais ágil e acessível, sem substituir o crivo editorial humano. Os achados servem como base para o aperfeiçoamento da checagem de faots, contribuindo para fortalecer a credibilidade do jornalismo e reduzir os impactos da poluição informacional nas mídias digitais.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
JORNALISMO FUTEBOLÍSTICO E DESINFORMAÇÃO: O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO APOIO AO FACT-CHECKING. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120636. Acesso em: 9 jun. 2026.