Poesia e literatura: sentimentos, escuta e empatia
Palavras-chave:
Palavras-chave, literatura, empatia, diversidadeResumo
Este trabalho busca apresentar a prática dentro do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Tanto para os alunos quanto para o professor, trabalhar com textos literários em sala de aula tem se revelado uma experiência transformadora. A poesia e a literatura fazem despertar sentimentos profundos, as crianças ampliam a escuta e acabam refletindo mais sobre o mundo e sobre nós mesmos, demonstrando empatia ao se colocarem no lugar de quem sente fome, não apenas de alimento, mas de esperança e dignidade. Como no texto A Fome Comeu¨ de Cecília Meireles, trabalhado no 4º ano do ensino fundamental de uma escola pública. Quando leem poemas que abordam a fome, a desigualdade ou a saudade, os alunos tendem não apenas a compreender com racionalidade, mas também sentem a força que essas palavras têm. Muitos acabam contando lembranças pessoais, histórias familiares ou alguma situação que vivenciaram. Essa aproximação entre a palavra poética e a vida real aumenta a consciência e a construção de uma forma de ver a sociedade mais crítica. Além de aproximar as crianças entre si, pois ao compartilharem esses momentos, sentimentos e reflexões, elas percebem que não viveram isso sozinhas, seja nas suas alegrias ou angústias. A sala de aula acaba se transformando em um espaço de encontro onde as diferenças deixam de ser um problema ou até mesmo barreiras e passam a ser pontes para uma conversa amigável, nos mostrando que a diversidade não é um obstáculo e que com a literatura transforma-se em um caminho potente para desenvolver valores humanos. A participação ativa dos alunos surpreende e faz perceber como é possível despertar a consciência social desde cedo. A cada encontro, nota-se nas crianças uma abertura sincera para discutir diversos temas. A proposta de desenhar e escrever sobre o que gostam em si mesmos promove autoestima e orgulho pessoal. Não tem como não reparar no brilho dos olhos deles, o poder de se reconhecerem como únicos e valiosos ao trabalhar com o texto Menino de todas as cores de Luiza Ducla Soares, onde os alunos responderam: O que o menino branco aprendeu nas viagens? O que cada cor representa no poema? Por que é importante respeitar e valorizar as diferenças? O momento de partilha tem como objetivo estimular a escuta ativa e o respeito às falas dos colegas, promover a valorização da desigualdade cultural e étnica, desenvolver habilidades de oralidade, memória e afetividade. Transformando a sala de aula em um momento acolhedor e cheio de descobertas. Essa aula reforça no professor a importância de valorizar a diversidade e trabalhar com temas que tocam a alma. As histórias e os poemas se tornam pontes entre o conteúdo e a vida, revelando memórias, afetos e compreensões singelas, mas potentes. É tocante perceber como os alunos se emocionam, se identificam, se escutam e começam a se respeitar. Trabalhar o texto Amoras de Emicida faz despertar o prazer pela leitura, desenvolve habilidades de compreensão e interpretação de texto, além de ampliar o vocabulário, promovendo a reflexão e a análise. Essas aulas reafirmam a importância de uma educação sensível, que acolhe e valoriza cada voz e cada cor que compõem o nosso coletivo. Sinto que plantamos pequenas sementes de empatia e valorização do outro. Percebe-se que a literatura vai além do simples ato de ler e sim, ela é um convite para sentir, para imaginar e também se reconhecer na experiência do outro. A forma com que eles escrevem sobre si mesmo, de poder olhar pra dentro e se reconhecer com todas as suas qualidades é muito poderosa, pois em casa frase escutada tem uma certeza se criando, uma afirmação de identidade: Eu gosto do meu sorriso, Eu gosto de ser amigo, Eu gosto de desenhar. Esses pequenos gestos ajudam a construir de forma positiva e genuína. A literatura, nessa forma, serve como espelho e janela: espelho que reflete quem já somos e a janela que vai abrindo possibilidades para ver além do que já sabemos que somos. Percebe-se que trabalhar a poesia explora o poder da linguagem de uma forma criativa, com ritmo, imagens, metáforas e até mesmo sensações que os versos provocam. Mesmo num verso curto dizer tanto com tão poucas palavras, despertando o prazer pela leitura e pela escrita, criando uma outra forma de comunicação. Sem deixar de destacar o quão importante é a escuta com atenção, fortalecendo o diálogo entre o educador e o aluno, que é transformador e transforma a escola em um ambiente mais humanizado, onde não se aprende apenas por conteúdos e sim com valores que sustentam a vida em comunidade. Essas experiências mostram que a literatura é um recurso pedagógico muito potente, capaz de formar leitores críticos e seres humanos mais empáticos e conscientes, capazes de sonhar e de transformar a realidade.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Poesia e literatura: sentimentos, escuta e empatia. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120609. Acesso em: 14 maio. 2026.