A Influência do Conceito de Consciência de Classe de Karl Marx na Educação do Campo: Um Estudo de Caso no Curso de Educação do Campo na Unipampa Campus Dom Pedrito.

Autores

  • Bruna Nunes de Moura
  • Jonas Anderson Simões das Neves
  • Algacir José Rigon

Palavras-chave:

Educação, Campo, Consciência, Classe, Karl, Marx, Formação, Crítica, UNIPAMPA

Resumo

A Educação do Campo constitui um espaço estratégico para a formação crítica, política e cultural dos sujeitos sociais que vivem em contextos rurais historicamente marcados por desigualdades estruturais, exclusão social e ausência de políticas públicas eficazes. No Brasil, a história da educação do campo foi moldada por iniciativas descontextualizadas, em geral pautadas por uma lógica urbana, que pouco dialogaram com as especificidades culturais e sociais das comunidades camponesas (CALDART, 2004). Nesse cenário, a teoria marxista, especialmente o conceito de consciência de classe, fornece um referencial potente para compreender as contradições sociais e o papel da educação na superação da alienação. Para Marx (2011), a classe trabalhadora só se transforma em sujeito coletivo e revolucionário a partir da tomada de consciência de suas condições materiais de existência, organizando-se para a transformação da sociedade. Assim, investigar como esse conceito tem sido incorporado no curso de Educação do Campo da UNIPAMPA Campus Dom Pedrito permite analisar o impacto das práticas pedagógicas na formação de estudantes como sujeitos sociais críticos e engajados. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, buscando interpretar a realidade a partir das experiências e percepções dos sujeitos (MINAYO, 2014). Foram aplicados questionários a estudantes do 2º e do 6º semestre, comparando percepções de ingressantes e concluintes acerca da consciência de classe, além de entrevistas semiestruturadas com docentes responsáveis pelas práticas pedagógicas, possibilitando identificar concepções, metodologias e estratégias utilizadas para fomentar a formação crítica dos alunos (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Também foi realizada análise documental do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), planos de ensino e demais documentos institucionais, verificando a inserção da teoria marxista e do conceito de consciência de classe como orientadores das práticas pedagógicas. Trata-se de uma pesquisa exploratória (GIL, 2008), por aprofundar um tema pouco estudado, e descritiva (LAKATOS; MARCONI, 2017), pois detalha práticas, estratégias e percepções sem interferência direta, utilizando triangulação entre dados para analisar a articulação entre teoria, prática pedagógica e formação crítica. O aporte teórico fundamenta-se em Marx e Engels, que destacam a luta de classes como motor da história e a consciência de classe como elemento central para a emancipação dos trabalhadores (MARX; ENGELS, 2007). Marx (2011) diferencia a classe em si, definida pelas condições objetivas, da classe para si, caracterizada pela consciência política e organização coletiva. A educação, nesse processo, pode servir à reprodução da ordem capitalista ou à emancipação (SAVIANI, 2003). Libâneo (2012) ressalta que as práticas pedagógicas devem considerar o contexto social e histórico, favorecendo a formação integral, e Vygotsky (2000) aponta a centralidade da interação social na construção da consciência. A Educação do Campo emerge, assim, como espaço de resistência, valorização cultural e luta por justiça social (ARROYO, 2004; CALDART, 2004), ainda enfrentando desafios como infraestrutura precária e ausência de políticas públicas consistentes (SANTOS, 2017). A pesquisa já avançou para a etapa de coleta de dados, em processo de análise e categorização, visando identificar padrões de respostas, níveis de apropriação do conceito de consciência de classe e diferenças entre estudantes ingressantes e concluintes. Os resultados preliminares apontam que, em ambos os grupos, existem concepções equivocadas sobre o conceito, revelando lacunas na articulação entre teoria e prática. Nos ingressantes, a consciência de classe é muitas vezes reduzida à desigualdade social; nos concluintes, embora haja maior aprofundamento e vinculação com aspectos políticos e identitários, persistem interpretações parciais que não contemplam integralmente a perspectiva marxista da organização coletiva para transformação social. As práticas pedagógicas, entretanto, demonstram papel significativo no processo de conscientização, sobretudo quando articulam os conteúdos curriculares às realidades sociais e culturais do campo. Do ponto de vista docente, espera-se que as entrevistas ampliem a compreensão sobre intencionalidades formativas, metodologias e desafios, e que a análise documental do PPC evidencie em que medida o curso assume, de forma institucional, a formação política como objetivo central. Os resultados em fase de sistematização e as discussões posteriores buscam demonstrar a relevância do curso de Educação do Campo da UNIPAMPA Campus Dom Pedrito como espaço de resistência, emancipação e formação crítica, reafirmando o papel da universidade na construção de sujeitos sociais engajados, capazes de intervir em suas comunidades e contribuir para processos de transformação social.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A Influência do Conceito de Consciência de Classe de Karl Marx na Educação do Campo: Um Estudo de Caso no Curso de Educação do Campo na Unipampa Campus Dom Pedrito. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120588. Acesso em: 14 maio. 2026.