Jykre Kar: Aprendizagens Interculturais e Educação Escolar Indígena na Perspectiva da Sustentabilidade

Autores

  • Michele Carvalho dos Santos Borba
  • Maria Cristina Graeff Wernz
  • Onório de Moura

Palavras-chave:

Educação, escolar, indígena, Sustentabilidade, cultural, Interculturalidade, Povos, indígenas, Memória, território

Resumo

O projeto Jykre Kar:aprendizagens Interculturais, desenvolve ações que buscam ampliar a compreensão sobre a diversidade cultural e promover o diálogo entre professores, acadêmicos e comunidades, a partir de diferentes metodologias interculturais. A proposta está em consonância com a Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nos currículos escolares, e se articula com a missão da universidade pública de fomentar processos educativos que valorizem a pluralidade de saberes e modos de vida. O curso conta com dez encontros, que abordam temas relacionados à arte, memória, território e educação escolar indígena, entendida como espaço de fortalecimento da identidade, da língua e dos conhecimentos tradicionais de cada povo. Essas atividades constituem oportunidades de reflexão crítica, troca de experiências e fortalecimento das identidades culturais, gerando impactos positivos, tanto para a formação acadêmica dos participantes, quanto para a valorização das comunidades envolvidas. Durante a trajetória desta edição, participei de dois encontros que marcaram significativamente meu percurso formativo. O primeiro deles, intitulado A arte pedagógica Guarani (FAPEU), destacou o papel da arte como elemento central na pedagogia indígena, revelando a potência das práticas artísticas como caminho de ensino, aprendizado e resistência cultural. O segundo, correspondente ao 3º encontro, foi realizado no Museu das Culturas Indígenas e contou com a presença de Cristine Takuá, liderança indígena do povo Maxakali e coordenadora do museu, residente na Terra Indígena Rio Silveira (Bertioga/SP). Sua fala trouxe reflexões sobre a importância da memória e do patrimônio cultural como fundamentos da sustentabilidade indígena, reforçando que a preservação da cultura, da língua e das práticas tradicionais está diretamente vinculada à sustentabilidade ambiental e social. A metodologia adotada pelo projeto, fundamentada em encontros interculturais e rodas de conversa, possibilita um aprendizado dialógico, em que os saberes acadêmicos e tradicionais se entrelaçam, fortalecendo a interculturalidade como prática educativa. Os resultados dessas ações evidenciam não apenas a ampliação de conhecimentos sobre os povos indígenas, mas também o fortalecimento das identidades, o reconhecimento da diversidade e a sensibilização dos participantes para a importância da educação escolar indígena como política pública de inclusão, resistência e valorização cultural. Enquanto bolsista do projeto, reconheço que a participação nas atividades fortalece meu pertencimento e identidade, aproximando-me da história e das experiências do meu povo e de meus parentes. Essa vivência amplia horizontes acadêmicos e pessoais, reafirmando a relevância da universidade como espaço de construção coletiva e de diálogo intercultural. Nesse sentido, o projeto Jykre Kar dialoga diretamente com o tema do SIEPE 2025 Ciência, Comunidades e Sustentabilidade: Aquífero Guarani como elo transfronteiriço, ao propor uma visão de sustentabilidade que integra natureza, território e saberes tradicionais, reconhecendo que a preservação da água, da terra e da cultura é inseparável do futuro das comunidades. Assim, o Jykre Kar se consolida como uma ação de extensão que articula ciência, educação e memória, reafirmando a importância da interculturalidade na formação acadêmica e na construção de sociedades mais justas e plurais.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Jykre Kar: Aprendizagens Interculturais e Educação Escolar Indígena na Perspectiva da Sustentabilidade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120587. Acesso em: 15 maio. 2026.