Embalagens de Medicamentos Como Recurso Didático para o Ensino de Química

Autores

  • Thaina Perez
  • João Antonio Souza de Freitas
  • Cassiane Fonseca Machado
  • Jaíne da Rosa Soares
  • Marcia Firme
  • Ricardo Costa Brião

Palavras-chave:

PIBID, Cidadania, Química, Orgânica

Resumo

O ensino de Química na Educação Básica frequentemente enfrenta o desafio de despertar o interesse dos estudantes, principalmente pela percepção de que os conteúdos são abstratos e distantes de sua realidade. Segundo Richetti e Alves (2014) a falta de conexão entre os conteúdos escolares e a realidade dos estudantes, especialmente nas aulas de Química, compromete o aprendizado, pois o ensino frequentemente baseado na memorização de conceitos abstratos, voltado apenas para avaliações e aprovação, resulta em um conhecimento superficial e rapidamente esquecido, por não apresentar significado real para os alunos. Nesse contexto, a utilização de metodologias ativas e recursos que aproximam os conceitos químicos do cotidiano dos alunos é uma estratégia relevante. Assim, os medicamentos representam um excelente ponto de partida, fazem parte da vivência diária das pessoas e carregam em sua composição princípios ativos que podem ser relacionados diretamente a conceitos de Química Orgânica e Bioquímica. O texto apresenta um trabalho desenvolvido no âmbito do PIBID, na qual foram utilizadas caixas de medicamentos e representações das moléculas dos princípios ativos indicados na embalagem, com o intuito de promover a identificação de substâncias químicas e estimular a relação entre fórmulas estruturais e produtos farmacêuticos. Santos e Schnetzler (2010) sugerem que o ensino deve abordar temas sociais para promover habilidades essenciais ao exercício da cidadania, como a participação ativa e a capacidade de tomar decisões. Assim, utilizar medicamentos e a análise de suas substâncias e composições como objeto de estudo aproxima a Química dos estudantes, estimulando o desenvolvimento da alfabetização científica (Chassot, 2006). A atividade foi aplicada em uma turma do terceiro ano do ensino médio, em uma escola pública estadual de Bagé/RS. A bolsista e o professor supervisor encaminharam a aula, selecionando e levando para a dinâmica caixas de medicamentos de uso comum como antialérgicos, analgésicos, antinflamatórios e xaropes, também foram feitas para a atividade tabelas com a estrutura orgânica e nome de moléculas que estavam presentes em pelo menos uma das caixas/bulas. Dentre as moléculas que faziam parte da composição dos medicamentos, algumas como paracetamol, dipirona e amoxicilina estão presentes em analgésicos e antibióticos de uso frequente das pessoas e os estudantes já conheciam, mas não tinham ideia da sua estrutura molecular e como nela estavam presentes funções orgânicas que estudavam durantes as aulas de química. Os alunos foram organizados em grupos, e cada grupo recebeu uma tabela diferente com várias moléculas. A dinâmica consistiu em identificar, a partir do nome, em quais medicamentos aquelas substâncias estavam presentes, preenchendo a tabela com o nome do medicamento de acordo com as informações coletadas. O papel do bolsista e do professor supervisor, foi mediar a atividade, incentivando a discussão entre os alunos e esclarecendo dúvidas sobre nomenclatura, grupos funcionais e aplicação prática das substâncias identificadas. Já que a turma de terceiro ano estava estudando funções orgânicas, foi possível discutir funções orgânicas presentes nas moléculas, como aminas, amidas, fenóis. Observou-se um envolvimento significativo dos alunos, que demonstraram empolgação durante a atividade. Alguns estudantes mostraram interesse em remédios comumente usados para dormir e calmantes, deixando em evidência que o uso é frequente entre os adolescentes, daí a importância do tema ser discutido nas escolas, deixando de ser um tabu e expondo eles à informações de forma que os próprios alunos se conscientizem por meio do conhecimento adquirido. A proposta favoreceu a associação entre representações moleculares e funções práticas, além de promover a discussão sobre a importância da leitura de bulas, especialmente no que se refere às orientações de uso, armazenamento, informações sobre composição e efeitos colaterais, promovendo além da participação ativa dos estudantes na sala de aula, a alfabetização científica.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Embalagens de Medicamentos Como Recurso Didático para o Ensino de Química. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120551. Acesso em: 14 maio. 2026.