Metodologias Ativas no Ensino de Química Orgânica: Impactos na Aprendizagem do Ensino Médio
Palavras-chave:
Ensino, ciências, Química, Orgânica, Inovação, pedagógicaResumo
Este estudo buscou analisar de maneira sistemática os impactos da aplicação de metodologias ativas (MAs) no processo de ensino-aprendizagem de Química Orgânica, em comparação com os métodos tradicionais de ensino, em turmas do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública localizada no município de Uruguaiana (RS). A escolha pela Química Orgânica se justificou pelo seu caráter de grande abstração e pela frequente dificuldade relatada por estudantes em lidar com conceitos que exigem elevado nível de raciocínio simbólico e representação molecular (SILVA; MORTIMER, 2010). Assim, o objetivo central da investigação consistiu em compreender de que forma a utilização de MAs pode contribuir para a construção de aprendizagens contextualizadas nesse campo da Química, que é historicamente marcado por altas taxas de desinteresse e evasão. A pesquisa assumiu um delineamento experimental de caráter qualitativo, sendo desenvolvida em duas turmas distintas: a Turma A, na qual o ensino ocorreu de forma tradicional, mediante aulas expositivas e exercícios de fixação; e a Turma B, onde foi implementado metodologias ativas, especialmente a gamificação, a aprendizagem baseada em problemas (ABP) e a produção colaborativa de materiais didáticos. Essas práticas foram escolhidas por promoverem a participação, o desenvolvimento da autonomia e a construção coletiva do conhecimento, em consonância com os pressupostos defendidos por autores como Moran (2015) e Bacich, Tanzi Neto e Trevisani (2015), que ressaltam a necessidade de superar a lógica transmissiva da sala de aula. A coleta de dados ocorreu por meio de dois instrumentos principais: (1) um questionário investigando a percepção dos estudantes em relação ao ensino de Química, contemplando aspectos de motivação, engajamento e relevância social; e (2) um questionário diagnóstico sobre aprendizagem conceitual, complementado por avaliações formativas aplicadas ao longo do processo. O tratamento dos dados foi conduzido por meio da Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2011), o que possibilitou identificar categorias emergentes relacionadas ao desempenho cognitivo, ao desenvolvimento de competências socioemocionais e à postura crítica dos estudantes diante do processo de aprendizagem. Os resultados revelaram diferenças significativas entre as turmas. A Turma B, que vivenciou as metodologias ativas, apresentou maior engajamento e apropriação conceitual, além de demonstrar avanços no desenvolvimento de habilidades cognitivas (como análise, síntese e resolução de problemas) e socioemocionais (como cooperação, comunicação e autoconfiança). Já a Turma A, submetida ao ensino tradicional, evidenciou aprendizagens predominantemente mecânicas, com forte dependência da memorização e baixos índices de motivação e interação em sala. Apesar dos desafios enfrentados, como a resistência pedagógica e a limitação de recursos materiais e tecnológicos, a experiência evidenciou que as metodologias ativas representam uma alternativa viável e eficaz para promover aprendizagens mais marcantes, principalmente em áreas de alto grau de abstração como a Química Orgânica. Quando planejadas estrategicamente, essas práticas não apenas favorecem a assimilação de conteúdos complexos, mas também estimulam autonomia, protagonismo e pensamento crítico, configurando-se como ferramentas de democratização do acesso ao conhecimento científico. Conclui-se que a inserção de metodologias ativas no ensino de Química Orgânica tem potencial para transformar a experiência de aprendizagem, aproximando teoria e prática, remodelando o papel do estudante no processo educativo e rompendo com modelos instrucionais centrados exclusivamente no professor. Nesse sentido, o estudo reafirma a pertinência de repensar o currículo escolar à luz de práticas pedagógicas mais interativas e dialógicas, capazes de preparar o estudante não apenas para avaliações, mas também para a vida em sociedade e para os desafios do século XXI.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Metodologias Ativas no Ensino de Química Orgânica: Impactos na Aprendizagem do Ensino Médio. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120549. Acesso em: 15 maio. 2026.