Efeitos Tóxicos da Aflatoxina B1 na Saúde Humana

Autores

  • Juliano Guzenski Filho
  • Victoria Dornelles Godinho
  • Paula Ferreira de Araujo Ribeiro

Palavras-chave:

Micotoxina, AFB1, Mutação

Resumo

A aflatoxina B1 (AFB1) é uma micotoxina produzida por fungos filamentosos dos gêneros Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus que se desenvolvem em condições de alta umidade e temperatura. A legislação brasileira define a AFB1 como a principal e mais tóxica micotoxina produzida por fungos, com potencial mutagênico e cancerígeno para humanos. É frequentemente encontrada em alimentos do grupo dos cereais e das oleaginosas, como milho, amendoim, arroz e castanhas, devido à contaminação fúngica durante o cultivo e o armazenamento pós-colheita. Possui alta toxicidade e potencial carcinogênico, sendo classificada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como carcinogênica para humanos (Grupo 1). A exposição prolongada à AFB1 pode causar alterações na imunossupressão, toxicidade hepática, alterações no desenvolvimento infantil e outros distúrbios sistêmicos. Este cenário é agravado pela vulnerabilidade de populações que dependem de alimentos propensos à contaminação e pela dificuldade de controle em regiões de clima quente e úmido. Populações de países em desenvolvimento são mais vulneráveis à exposição devido à escassez de tecnologias de armazenamento adequado. O estudo teve como objetivo apresentar os mecanismos de toxicidade, analisar os principais efeitos da aflatoxina B1 na saúde humana, as doenças associadas à sua exposição e a importância do controle e monitoramento dos alimentos. O trabalho resultou de um seminário de revisão bibliográfica desenvolvido na disciplina de Toxicologia dos Alimentos do curso de Nutrição. Foi elaborado por meio de pesquisa bibliográfica, sendo consultados artigos científicos, dissertações, teses, livros e publicações governamentais. Os critérios de inclusão envolveram estudos que abordaram os efeitos da AFB1 em humanos, seus mecanismos de ação e implicações para a saúde pública. A seleção dos materiais considerou a relevância científica e a atualidade dos dados, sendo considerados apenas trabalhos com data de publicação nos últimos 10 anos. A partir da ingestão de um alimento contaminado com AFB1, esta substância alcança o trato gastrointestinal e, por ser lipossolúvel, atravessa facilmente a membrana celular da parede intestinal por difusão passiva. Após, segue pela corrente sanguínea até o fígado, onde ocorre a metabolização via sistema enzimático citocromo P450. O produto dessa metabolização é o epóxido aflatoxina B1-8,9-epóxido, um composto altamente reativo e genotóxico que se liga ao DNA das células, desencadeando mutações e lesões celulares. O principal órgão atingido é o fígado sendo que a exposição crônica pode provocar alterações celulares no tecido desse órgão, aumentando o risco de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular. O epóxido reativo derivado da metabolização se liga ao DNA dos hepatócitos formando adutos de DNA, os quais promovem erros de incorporação de bases quando as células se multiplicam. Mutações são desencadeadas, assim como a proliferação descontrolada de células cancerígenas. A AFB1 também possui efeito imunossupressor, podendo alterar a produção de citocinas (reduz a produção de citocinas promotoras da imunidade e aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias), diminuir os níveis de linfócitos, suprimir a formação de linfoblastos e diminuir os níveis das imunoglobulinas IgM, IgA e IgG. Essas interferências prejudicam o sistema imunológico e deixam o organismo vulnerável, diminuindo a sua capacidade de combater infecções. Com relação à legislação, quem regulamenta a presença da AFB1 em alimentos no Brasil é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da Resolução nº 7, de 18 de fevereiro de 2011. No entanto, a resolução não prevê limites isolados para a AFB1, estipulando apenas o quantitativo para aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2). O limite máximo permitido de aflatoxinas totais em alimentos varia entre 1 e 20 μg/kg. A AFB1 não altera o sabor, o aroma e a aparência do alimento contaminado, por isso representa um risco à saúde pública, uma vez que impossibilita o consumidor de distinguir um alimento contaminado de outro próprio para o consumo. Diante disso, é possível afirmar que a aflatoxina B1 é uma das micotoxinas mais tóxicas que se desenvolvem em alimentos, a qual, mesmo em baixas concentrações, representa um risco significativo à saúde da população. Sua ação mutagênica e carcinogênica pode causar diversas patologias, em especial, no sistema hepático. É essencial promover políticas de vigilância, prevenção e controle ao longo da cadeia produtiva, assim como durante o armazenamento e comercialização dos alimentos, através de programas e incentivos a pesquisa e melhorias no sistema de produção e armazenamento dos alimentos.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Efeitos Tóxicos da Aflatoxina B1 na Saúde Humana. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120544. Acesso em: 14 maio. 2026.