Caminhos de Cuidado: a Vivência de Um Grupo Aberto em Um Caps Ad
Palavras-chave:
Saúde, Mental, Grupo, aberto, CAPS, ADResumo
O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), instituído pela Lei nº 10.216/2001, integra o Sistema Único de Saúde (SUS) como serviço especializado e comunitário. É voltado ao cuidado de pessoas em sofrimento psíquico decorrente do consumo abusivo de álcool e outras drogas, promovendo acolhimento, tratamento e reinserção social. Nesse contexto, a presença dos residentes multiprofissionais contribui para a qualificação das práticas de atenção, estimulando novos saberes, reflexão crítica e estratégias inovadoras. Entre as práticas terapêuticas, destacam-se os grupos, em especial o aberto e heterogêneo, que permite a entrada e saída de membros ao longo do processo, sem prazo fixo para encerramento. Tais grupos configuram-se como espaços de trocas, escuta e fortalecimento de vínculos, contribuindo para a redução do estigma e valorização das singularidades e trajetórias individuais. Assim, o objetivo deste trabalho é relatar os desafios e potencialidades de residentes em saúde mental coletiva na criação de um grupo aberto no CAPS AD. Trata-se de um relato de experiência, desenvolvido a partir da criação de um grupo aberto realizado por residentes do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva (PRISMIC), vinculado à Universidade Federal do Pampa. O grupo, denominado Caminhos, reflete a ideia de que sempre há outro caminho a seguir, estimulando a percepção de que, no serviço, os profissionais estão presentes para ajudar e não para julgar, seja em relação aos motivos, percepções ou uso de substâncias pelos usuários. Os encontros são realizados semanalmente no CAPS AD, teve início 25 de junho de 2025 e continua até o presente momento. O público-alvo são usuários recém-chegados ao serviço, após acolhimento, bem como aqueles que retornam após longas internações ou períodos prolongados de afastamento das atividades. A proposta é oferecer um espaço de vinculação com o serviço e com os demais usuários, flexibilizando a recepção de novos integrantes. A ideia do grupo surgiu das observações dos residentes durante os acolhimentos e dos diálogos com trabalhadores, que apontaram a existência de um fluxo composto por acolhimento, consulta psicológica, elaboração do PTS e inserção nas atividades. Percebeu-se que a entrada de novos usuários era dificultada pela necessidade de aguardar consulta psicológica e pela ausência de vínculo imediato, apesar do CAPS ser um serviço de portas abertas. O grupo foi construído de forma aberta e diversa, acolhendo a chegada de novos participantes e respeitando o momento de saída de cada um, acompanhando o ritmo e as mudanças da vida de quem dele participa. Nesse processo, os residentes identificam desafios como adesão em função dos horários, falta de espaço físico adequado, divulgação, dificuldades no manejo das falas e interação entre os participantes. Apesar disso, emergiram importantes potencialidades, como a interação grupal voltada ao acolhimento, informação e orientação sobre o funcionamento do serviço, direitos e deveres dos usuários e práticas de redução de danos. A utilização de tecnologias leves mostrou-se essencial para fortalecer vínculos, enquanto o diálogo multiprofissional com psicólogos, nutricionista e enfermeira ampliou as possibilidades de cuidado. O grupo buscou reduzir a desistência dos usuários e favorecer sua integração ao CAPS AD. Durante estes meses de encontros, houve aumento no número de participantes, que, mesmo não permanecendo fixos, passaram a se engajar em diferentes atividades terapêuticas, como artesanato, basquete, pilates e oficinas pedagógicas. Assim, o grupo se consolidou como um espaço introdutório, capaz de auxiliar na vinculação dos usuários à equipe e ao serviço. Em média, a cada três ou quatro participantes que frequentavam o grupo, um ou dois passaram a se engajar de forma mais contínua, comparecendo de uma a três vezes por semana, o que favoreceu a construção e o fortalecimento do vínculo com a rede de cuidado. Conclui-se que a experiência de criação do grupo aberto Caminhos no CAPS AD evidenciou a importância de espaços acolhedores, dinâmicos e flexíveis na atenção às pessoas, mostrando que grupos abertos podem funcionar como instrumentos de iniciação, vínculo e inclusão, contribuindo para a permanência dos usuários no serviço e para a efetividade das atividades terapêuticas.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Caminhos de Cuidado: a Vivência de Um Grupo Aberto em Um Caps Ad. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120536. Acesso em: 9 jun. 2026.