Educação Física Escolar e Formação Inicial de Professores: Pesquisa-ação Como Possibilidade de Aprendizagem da Docência

Autores

  • João Carlos da Silva Moreira
  • Luiz Ricardo Silveira Verçosa
  • Mauren Araujo
  • Diego de Matos Noronha

Palavras-chave:

Educação, Física, escolar, Ensino, Médio, Formação, Professores, Pesquisa-ação

Resumo

O Ensino Médio, enquanto etapa final da Educação Básica, tem o desafio de formar sujeitos críticos e socialmente responsivos, contudo a Educação Física escolar frequentemente aparece desvalorizada e circunscrita a práticas esportivas convencionais que reforçam dinâmicas excludentes. Partindo dessa problemática e ancorados em referenciais crítico-libertadores e na metodologia da pesquisa-ação, foi realizada uma intervenção pedagógica na maior escola de Ensino Médio da rede estadual pública, localizada no município de Uruguaiana/RS, com duração de 15 semanas, envolvendo cerca de 70 estudantes do Ensino Médio, o professor regente e graduandos do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA, com o objetivo de compreender o contexto do Ensino Médio em Uruguaiana. A pesquisa-ação teve como base observações realizadas na componente curricular Prática como Componente Curricular V (PCCV) do curso de Licenciatura em Educação Física da UNIPAMPA, que evidenciaram baixa participação e reduzido conteúdo crítico-reflexivo nas aulas, apontando a necessidade de implementar práticas que favorecessem a integração, a socialização e a reflexão crítica. O desenho metodológico da pesquisa-ação contemplou quatro momentos articulados: leitura da realidade (observação participante e aplicação de questionário inicial), planejamento compartilhado (oficinas com estudantes para co construção de ações baseadas nas observações), desenvolvimento das ações (aulas expositivas dialogadas com intuito de sensibilizar sobre ações inclusivas, circuitos de habilidades e atividades lúdicas adaptadas com foco na cooperação) e avaliação crítico-reflexiva (diários de campo, questionários finais e rodas de conversa). A proposta de adaptação em jogos incluiu construção coletiva de regras inclusivas, por exemplo, permissão de dois quiques por equipe, redução momentânea da área de deslocamento, uso de materiais alternativos e distribuição rotativa de funções que valorizassem táticas coletivas e colaboração, além de atividades específicas em que alguns alunos assumiram papéis com restrição motora simulada, o que potencializou discussões sobre acessibilidade e direitos. Importante foi garantir que os estudantes fossem coautores do processo, propondo ajustes e avaliando as dinâmicas, o que consolidou um ambiente democrático e ampliou a apropriação das práticas. Os resultados apontaram aumento expressivo da participação, especialmente entre alunos que antes se afastavam por não se reconhecerem nas práticas competitivas. Os registros em diários e os relatos em rodas de conversa evidenciaram maior disposição para colaborar, crescimento da solidariedade, respeito às diferenças e surgimento de reflexões críticas sobre as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência. Do ponto de vista da aprendizagem, o vôlei adaptado permitiu articular saberes motores e táticos com saberes socioemocionais e críticos, contribuindo para a consolidação de competências previstas no Referencial Curricular Gaúcho, como trabalho coletivo, autonomia e análise de preconceitos nas práticas corporais. Para os graduandos, a intervenção constituiu-se em espaço formativo valioso, ampliando sua capacidade de planejar aulas inclusivas, realizar avaliações formativas e problematizar práticas escolares tradicionais. Limitações relevantes incluem a duração reduzida da intervenção, fruto da Reforma do Ensino Médio (aulas semanais de 45 minutos para algumas turmas), limitações materiais e a necessidade de formação continuada docente. Portanto, essas restrições apontam para implicações institucionais que demandam reorganização curricular e investimentos em infraestrutura e formação. A intervenção abrangeu turmas do 1.º ao 3.º ano do Ensino Médio, o que exigiu adaptações por faixa etária, onde as análises qualitativas destacaram protagonismo estudantil, responsabilização coletiva e questionamento de estereótipos corporais. Sendo assim, propõe-se articular formação inicial e continuada, ampliar tempos letivos para práticas adaptativas e fomentar parcerias entre escola, universidade e serviços locais para sustentar ações de acessibilidade. Conclui-se que as atividades lúdicas adaptadas com foco na cooperação, quando integrada a processos participativos de pesquisa-ação, configura-se como estratégia pedagógica potente para promover integração, participação e consciência crítica no Ensino Médio, recomendando-se sua incorporação sistemática em projetos de formação docente, em planos de ensino e em políticas escolares voltadas à educação inclusiva.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Educação Física Escolar e Formação Inicial de Professores: Pesquisa-ação Como Possibilidade de Aprendizagem da Docência. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120535. Acesso em: 14 maio. 2026.