Transição do Recrear Ao Sistematizar na Educação Física: Percepções de Estudantes de Uma Escola Rural

Autores

  • Gabriel Carvalho
  • Gustavo Goulart Pinto
  • Maria Fernanda Bayon Dinis
  • William Martins dos Santos
  • Patrícia Becker Engers
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro

Palavras-chave:

Educação, Física, Escolar, Transição, Pedagógica, Formação, Crítica

Resumo

Historicamente, no contexto educacional brasileiro, fatores como desigualdade social, vulnerabilidade e acesso desigual a bens culturais impactam diretamente o cotidiano escolar, sobretudo em escolas públicas localizadas em áreas rurais, de modo que, nível socioeconômico da comunidade escolar influencia a qualidade das práticas pedagógicas e a permanência dos alunos na escola. Nesse cenário, a Educação Física escolar assume papel fundamental, pois contribui para a formação crítica dos sujeitos por meio da valorização da cultura corporal e da leitura da realidade vivenciada. A pedagogia freireana, ao propor a tríade ação-reflexão-ação, inspira práticas pedagógicas que respeitam os diferentes tempos de aprendizagem e valorizam a escuta ativa. Nesta perspectiva, as aulas de Educação Física organizam-se do simples ao complexo, mantendo o lúdico como elemento estruturante, sem perder de vista a intencionalidade pedagógica. O presente estudo, desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID), buscou compreender o impacto da transição do caráter recreativo para práticas mais sistematizadas da Educação Física, considerando as percepções dos estudantes do 6º e do 8º ano de uma escola pública municipal de tempo integral, situada na zona rural do município de Uruguaiana RS. A escola apresenta especificidades próprias de sua realidade rural, como menor acesso a equipamentos e materiais esportivos, turmas reduzidas e forte vínculo comunitário, fatores que influenciam diretamente a prática pedagógica. Para a coleta de dados, foram aplicados questionários diagnósticos com os estudantes, além de observação participante em aulas acompanhadas pelo subprojeto PIBID de Educação Física, durante o primeiro semestre de 2025. Os resultados apontaram que, no 6º ano, os estudantes ainda se encontram em processo de adaptação ao novo formato das aulas, demonstrando maior apego às experiências lúdicas e ao caráter de socialização por meio do movimento. Essa fase evidencia certa resistência quando a proposta exige maior sistematização, seja no domínio de fundamentos esportivos ou na compreensão de regras formais. Já no 8º ano, observou-se maior compreensão da intencionalidade pedagógica das atividades e aceitação de propostas que demandam organização e sistematização, embora o componente lúdico ainda seja valorizado como aspecto motivador. Essa diferença entre faixas etárias evidencia o desafio do professor em promover aprendizagens significativas, equilibrando prazer e sistematização, diálogo e reflexão, elementos que convergem com a crítico-superadora da Educação Física escolar. Além disso, emergiu das respostas dos estudantes uma percepção clara sobre a importância do papel do professor como mediador nesse processo de transição. Enquanto os alunos do 6º ano relataram que a condução docente foi decisiva para manter o engajamento nas atividades, os estudantes do 8º ano destacaram a relevância do professor em relacionar os conteúdos com situações concretas de sua realidade social, conectando a prática corporal com o cotidiano da comunidade rural. Essa constatação reforça a necessidade de uma Educação Física que vá além da mera reprodução de técnicas esportivas, assumindo função crítica, reflexiva e emancipatória. Conclui-se que a transição do recrear ao sistematizar exige sensibilidade docente para reconhecer os diferentes tempos de aprendizagem e respeitar a singularidade de cada turma. Nas escolas rurais, onde os recursos são limitados e as relações interpessoais são mais estreitas, o papel da Educação Física ganha ainda mais relevância na formação de sujeitos críticos, autônomos e capazes de interpretar sua realidade. O estudo aponta que ouvir os estudantes é fundamental para orientar práticas que, ao mesmo tempo, preservem o prazer pelo movimento e ampliem as possibilidades de sistematização dos conteúdos, contribuindo para a formação crítica. Assim, reforça-se que a Educação Física escolar, em diálogo com a comunidade e inspirada por concepções pedagógicas críticas, é um espaço privilegiado para articular jogo, experiência, diálogo e transformação social.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Transição do Recrear Ao Sistematizar na Educação Física: Percepções de Estudantes de Uma Escola Rural. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120528. Acesso em: 14 maio. 2026.