Educação Física Escolar: Vivências em Uma Escola Pública Periférica de Uruguaiana/rs

Autores

  • Flavio Roberto Samurio Cardoso Junior
  • Luis Mikael dos Santos Santander
  • Calebe Krizan Belmonte dos Santos
  • Luiz Ricardo Silveira Verçosa
  • Tatiane Motta Da Costa E Silva
  • Diego de Matos Noronha

Palavras-chave:

Escola, Pública, Formação, Docente, Periferia

Resumo

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) tem como principal objetivo promover aos(as) discentes dos cursos de licenciatura uma aproximação com a educação básica, proporcionando vivências práticas que contribuem tanto para a formação pessoal quanto para a consolidação da identidade profissional do(a) futuro(a) professor(a). No curso de Educação Física, essa inserção assume relevância ainda maior, pois possibilita ao(a) graduando(a) compreender os desafios e as potencialidades de diferentes contextos educacionais, construindo experiências que vão além da teoria e que exigem capacidade de adaptação, criatividade e sensibilidade diante das especificidades dos(as) estudantes e das comunidades escolares. Nesse sentido, o presente trabalho busca relatar e refletir sobre uma experiência vivenciada em uma escola periférica do município de Uruguaiana/RS. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, descrito a partir de registros de observação, anotações em diário de campo e intervenções pedagógicas realizadas durante a atuação enquanto bolsistas do PIBID. A instituição, no qual a vivência foi realizada, conta com um espaço físico favorável para o desenvolvimento das aulas de Educação Física, com ginásio poliesportivo semi-coberto, campo aberto amplo e materiais esportivos diversificados, o que amplia as possibilidades de planejamento e execução de práticas corporais diferenciadas. Essa estrutura, contudo, não elimina os desafios cotidianos relacionados às condições sociais dos estudantes, que muitas vezes carregam consigo as marcas das desigualdades e vulnerabilidades do território em que vivem. No acompanhamento das turmas de 9º ano, inicialmente esperava-se certa resistência dos estudantes em relação às atividades, considerando o estigma de desinteresse frequentemente associado a adolescentes em escolas periféricas. Entretanto, a prática revelou um cenário diverso: os estudantes se mostraram motivados e dispostos a participar, ainda que demonstram uma preferência quase exclusiva pelo futsal, modalidade que ocupa espaço central em suas práticas corporais. Essa predileção gerava, em muitos momentos, rejeição a propostas de vivência de outros esportes, danças ou atividades expressivas, exigindo por parte dos(as) pibidianos(as) uma postura negociadora e a busca de estratégias pedagógicas que incluíssem o futebol de salão como elemento motivador, mas que, ao mesmo tempo, abrissem espaço para a diversidade de conteúdos prevista para a Educação Física escolar. Com o apoio da professora supervisora, foi possível mediar esse processo, garantindo a inclusão de novas práticas sem romper com o interesse dos estudantes. A conquista da confiança da turma foi gradativa, exigindo que os(as) pibidianos(as) se apresentassem não apenas como mediadores do processo de ensino, mas também como sujeitos dispostos a escutar, dialogar e construir coletivamente o ambiente das aulas. Com o passar do tempo, observou-se um fortalecimento dos laços entre pibidianos(as) e estudantes, marcados por respeito mútuo, cooperação e vínculos de amizade, que tornaram o espaço das aulas mais colaborativo e menos conflituoso. Essa aproximação favoreceu a aceitação de diferentes conteúdos e permitiu que os(as) pibidianos(as) compreendessem melhor os ritmos, os limites e as potencialidades do grupo, ampliando sua aprendizagem profissional. Destaca-se ainda que a experiência contribuiu para o desenvolvimento de competências essenciais à docência, como a gestão de turma, a adaptação metodológica, a sensibilidade para reconhecer a realidade social dos estudantes e a busca constante por estratégias inclusivas. Ao mesmo tempo, os estudantes da escola tiveram a oportunidade de vivenciar aulas mais dinâmicas, com propostas que valorizavam tanto o futsal, atividade central em sua preferência, quanto outras práticas corporais que ampliaram sua compreensão do movimento humano e da diversidade esportiva. Nesse processo, o PIBID se mostrou fundamental ao possibilitar a formação em serviço, aproximando teoria e prática, universidade e escola, em um movimento que fortalece a identidade docente e contribui para uma Educação Física escolar mais crítica, inclusiva e significativa. Conclui-se, portanto, que a atuação no âmbito do PIBID na escola, em questão, representa uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que os(as) licenciandos(as) ampliam seus saberes pedagógicos e compreendem melhor os desafios da profissão, os estudantes da educação básica se beneficiam de práticas mais ativas, acolhedoras e diversificadas, fortalecendo o papel da escola pública como espaço de socialização, formação integral e transformação social.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Educação Física Escolar: Vivências em Uma Escola Pública Periférica de Uruguaiana/rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120527. Acesso em: 14 maio. 2026.