Currículo Dua Como Estratégia para o Ensino de Bioquímica em Sala Inclusiva do Ensino Médio
Palavras-chave:
Neurodiversidade, Metodologias, Ativas, Ensino, CiênciasResumo
O Ensino de Bioquímica no Ensino Médio é tradicionalmente percebido como um desafio tanto para professores quanto para alunos, por envolver conceitos abstratos, terminologias específicas e conteúdos que exigem articulação entre diferentes níveis de organização biológica. Essa dificuldade se intensifica em ambientes inclusivos, nos quais a diversidade de perfis cognitivos e estilos de aprendizagem demanda estratégias pedagógicas inovadoras, flexíveis e sensíveis às particularidades de cada estudante. Nesse cenário, destaca-se a importância de desenvolver práticas que não apenas transmitam conhecimento científico, mas que também favoreçam o engajamento e a participação equitativa de todos. A inclusão de estudantes neurodivergentes, como aqueles diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), evidencia a importância de metodologias capazes de superar as barreiras pedagógicas tradicionais e de favorecer a construção de significados de maneira mais acessível, inclusiva e motivadora. O presente estudo teve como objetivo investigar a aplicação do Currículo do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) como eixo norteador no Ensino de Bioquímica Básica, com o propósito de criar um ambiente educacional inclusivo, dinâmico e significativo. A pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CAAE: 84364724.0.0000.5323), foi conduzida com nove estudantes do 1º ano do Ensino Médio da Escola pública Marechal Cândido Rondon em Uruguaiana, RS, entre os quais havia alunos com laudos de TEA e TDAH. Ao longo do processo, foram ministradas dez aulas: cinco de caráter expositivo, apoiadas por slides adaptados com linguagem acessível, recursos visuais e analogias contextualizadas, e cinco aulas voltadas a atividades práticas, lúdicas e colaborativas. Os conteúdos abordados foram selecionados a partir de temas do cotidiano que dialogam diretamente com a bioquímica, como o funcionamento do sistema digestório, a compreensão das macromoléculas (carboidratos, lipídios e proteínas) e a relação desses elementos com condições metabólicas relevantes, como o diabetes. A metodologia de coleta de dados envolveu a aplicação de dois questionários (um diagnóstico inicial e outro final), compostos por questões objetivas e discursivas, além de registros qualitativos por meio de observações sistemáticas durante as aulas. O planejamento pedagógico foi guiado pelos três princípios fundamentais do DUA: múltiplas formas de representação, oferecendo imagens, vídeos, analogias, textos simplificados e materiais manipuláveis para ampliar a compreensão conceitual; múltiplas formas de ação e expressão, estimulando os estudantes a demonstrar seus aprendizados por meio de diferentes estratégias, construção de mapas mentais, elaboração de jogos e participação em dinâmicas interativas; e múltiplas formas de engajamento, utilizando-se de temas próximos da realidade dos alunos, atividades lúdicas e momentos de escuta ativa que valorizavam a voz dos estudantes. Os resultados quantitativos apontaram progressos significativos na aprendizagem da maioria dos participantes. No questionário inicial, observou-se um repertório conceitual restrito, com respostas incompletas e pouco fundamentadas. No pós-teste, verificou-se maior precisão nas respostas, incorporação de vocabulário científico adequado e ampliação da capacidade argumentativa. Já as observações qualitativas evidenciaram um aumento notável do engajamento coletivo, favorecido pela variedade de estratégias pedagógicas utilizadas e pelo incentivo à participação ativa. Alunos com TDAH demonstraram foco e envolvimento em atividades que demandavam movimento, manipulação de materiais e interação em grupo. Por sua vez, os estudantes apresentaram maior interesse diante do uso de recursos visuais, em comparação às atividades puramente expositivas. Esses achados indicam que a utilização do DUA contribuiu para a redução de barreiras atitudinais e metodológicas, promovendo um ambiente de aprendizagem mais equitativo e de forma eficaz na construção de um currículo flexível desde o planejamento inicial, beneficiando todos os estudantes da turma. Conclui-se que essa proposta representa uma estratégia promissora para o Ensino de Ciências em contextos inclusivos, pois amplia as possibilidades de aprendizagem, valoriza a diversidade e fortalece a equidade nas experiências educacionais. Além disso, ressalta-se a relevância da formação continuada de professores para a apropriação de práticas pedagógicas fundamentadas em evidências neurocientíficas, que reconheçam a importância da neurodiversidade como elemento enriquecedor no processo de ensino-aprendizagem.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Currículo Dua Como Estratégia para o Ensino de Bioquímica em Sala Inclusiva do Ensino Médio. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120519. Acesso em: 9 jun. 2026.