Análise Econômica e Financeira da Produção de Tilápia na Fronteira Oeste Gaúcha
Palavras-chave:
Piscicultura, Tilápia, Análise, econômica, SustentabilidadeResumo
A agropecuária contemporânea integra um amplo conjunto de atividades que formam complexas cadeias produtivas, envolvendo fornecedores de insumos, produtores, distribuidores, indústrias de transformação, atacadistas e varejistas. Nessa dinâmica, produtores rurais enfrentam mercados oligopolizados a montante e a jusante, com pouco poder de barganha sobre preços, o que torna indispensável a profissionalização da gestão administrativa para manter a competitividade. Nesse cenário, a produção agropecuária e, em particular, a aquicultura cresce como alternativa produtiva, mas sua competitividade depende da adoção de ferramentas administrativas que permitam reduzir despesas, otimizar processos e ampliar margens econômicas. Soma-se a isso a carência de estudos sistematizados sobre a viabilidade econômica da atividade no estado do Rio Grande do Sul, lacuna que limita o planejamento estratégico de produtores, investidores e formuladores de políticas públicas. Assim, este trabalho buscou responder à seguinte questão: a produção de tilápia na Fronteira Oeste é economicamente viável em escala de um hectare de viveiros semi-intensivos? A análise foi realizada por meio de simulação técnico-econômica representativa da produção em um hectare de viveiros escavados, com densidade de 7 alevinos/m², sobrevivência média de 95% e peso final de 800 g por peixe ao longo de um ciclo de oito meses. Os custos fixos abrangeram depreciação, manutenção, juros (custo de oportunidade), seguro, remuneração da terra e contratação de um tecnólogo, enquanto os custos variáveis contemplaram insumos (ração, alevinos, calcário, biosegurança), mão de obra, energia, serviços técnicos, comercialização e tributos. O estudo considerou ainda os gastos iniciais com projeto e licenciamento ambiental, tratados como investimento de longo prazo. Os resultados indicaram uma produção de 56.012 kg por hectare, gerando receita bruta de R$ 475.541,88, a um preço médio de R$ 8,49/kg. O custo total alcançou R$ 430.963,05, sendo R$ 349.275,65 de custos variáveis e R$ 81.687,40 de custos fixos. Especificamente, o custo unitário total (CUT) foi de R$ 7,69/kg e o custo unitário desembolsável de R$ 6,20/kg, ambos abaixo do preço de mercado, indicando a competitividade do empreendimento perante o mercado. O lucro final foi de R$ 44.578,83 por hectare, com lucratividade em torno de 9%, confirmando viabilidade, ainda que com margens estreitas e alta sensibilidade a variações do preço de insumos, sobretudo da ração, a qual representou 66,55% dos custos variáveis, evidenciando seu papel como principal desafio econômico. Assim, destaca-se que, caso a ração sofra aumento de preço acima de 10%, a lucratividade é significativamente reduzida. Porém, quando consideradas apenas as despesas efetivamente desembolsadas (R$ 347.295,33), a margem bruta atingiu 26,96%, o que demonstra robustez do fluxo de caixa no curto prazo, embora a sustentabilidade dependa do provisionamento de reservas para reposição de ativos e mitigação de riscos, como a variação do preço da ração, que pode comprometer financeiramente o empreendimento no longo prazo. Em síntese, os resultados apontam que a criação de tilápia em sistema semi-intensivo na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul apresenta viabilidade econômica, com geração de renda e potencial contribuição ao desenvolvimento regional, desde que acompanhada de gestão profissional, controle rigoroso de custos e adoção de tecnologias que otimizem a conversão alimentar devido ao elevado peso dos insumos alimentares e energéticos na composição do custo total exigindo estratégias de gestão e inovação tecnológica contínuas.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Análise Econômica e Financeira da Produção de Tilápia na Fronteira Oeste Gaúcha. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120506. Acesso em: 17 abr. 2026.