Relato de Experiência Sobre a Implantação do Cuidado Farmacêutico em Policlínica Infantil da Fronteira Oeste

Autores

  • Mariana Ferreira Nunes
  • Rodrigo José Freddo
  • Fernanda Bruxel
  • Suzan Gonçalves Rosa

Palavras-chave:

Cuidado, Farmacêutico, Pediatria, Policlínica, Infantil

Resumo

O cuidado farmacêutico consolidou-se a partir da década de 1990, tendo como propósito assegurar o uso seguro e eficaz dos medicamentos, ampliando o foco do fármaco para o paciente e suas necessidades de saúde. Entre os grupos que mais se beneficiam dessa prática destaca-se a população pediátrica, que apresenta características farmacocinéticas distintas das observadas em adultos, estando mais suscetível a reações adversas e a erros de dosagem, evidenciando a importância do acompanhamento farmacêutico individualizado. Apesar dos benefícios documentados, uma das principais barreiras à consolidação do cuidado farmacêutico refere-se à limitada compreensão, tanto por parte da população quanto dos profissionais de saúde, acerca de sua natureza clínica. Contudo, evidências científicas apontam que a integração do farmacêutico clínico às equipes multiprofissionais resulta em maior racionalização da farmacoterapia, redução de custos e melhorias significativas nos desfechos clínicos e na qualidade da assistência ao paciente. Neste contexto, este trabalho tem por objetivo relatar a experiência da implantação do cuidado farmacêutico em uma policlínica infantil de um município da fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, no âmbito de um programa de residência integrada multiprofissional. A implantação do cuidado farmacêutico ocorreu em uma Policlínica Infantil do município, serviço ambulatorial multiprofissional voltado ao atendimento integral da criança. As atividades foram realizadas entre maio e agosto de 2025. O público-alvo compreendeu crianças que iniciavam ou já faziam uso contínuo de medicamentos. A tentativa de implantação do cuidado farmacêutico teve início em maio/2025, sendo a principal dificuldade o comparecimento dos pacientes às consultas, que foi contornado com o agendamento mensal de atendimentos de 30 minutos de duração, realizados uma vez ao mês, com confirmação prévia de presença. Durante as consultas, foram identificados diversos problemas relacionados à farmacoterapia, como resistência em administrar os medicamentos prescritos, ajuste inadequado de doses pelo próprio responsável, efeitos adversos de medicamentos, entre outros. As intervenções farmacêuticas incluíram orientações diversas em saúde, orientações sobre a importância da adesão terapêutica, para a administração correta de medicamentos e ajuste de doses, para acesso aos medicamentos pelo Sistema Único de Saúde, e encaminhamentos a outros profissionais de saúde. Em paralelo, a literatura aponta problemas recorrentes relacionados à automedicação, administração incorreta de doses e uso inadequado de formas farmacêuticas, sendo necessárias orientações específicas e encaminhamentos multiprofissionais, como realizado durante a experiência aqui relatada. As diferenças farmacocinéticas entre crianças e adultos, e a frequência do uso off label de medicamentos na pediatria, aumentam o risco de erros de dosagem e de eventos adversos, reiterando a necessidade da presença do farmacêutico clínico como mediador do uso seguro de medicamentos. O relato desta experiência evidencia que a presença do farmacêutico clínico contribuiu para a prevenção de riscos, otimização dos tratamentos e maior segurança do paciente pediátrico, ainda que persistam barreiras quanto ao reconhecimento de sua atuação clínica. Conclui-se que a inserção efetiva do farmacêutico em equipes multiprofissionais é estratégica para a promoção do uso racional de medicamentos e para a melhoria da qualidade da assistência em saúde infantil.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-26

Como Citar

Relato de Experiência Sobre a Implantação do Cuidado Farmacêutico em Policlínica Infantil da Fronteira Oeste. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120473. Acesso em: 17 abr. 2026.