Contribuições do Exercício Físico para Modulação da Ansiedade e Memória em Estudantes Da educação básica
Palavras-chave:
Memória, Exercício, físico, Neuroquímica, AnsiedadeResumo
Promover uma educação de qualidade é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e a inovação pedagógica é fundamental para alcançá-lo. Pesquisas, especialmente com modelos animais, mostram que a aprendizagem é influenciada por fatores como a prática de exercício físico (EF), que beneficia a saúde física e mental e favorece a consolidação da memória. Estudos indicam que uma única sessão de EF pode ativar sistemas de neurotransmissão relacionados à aprendizagem, como o sistema catecolaminérgico. Esta pesquisa investigou tais efeitos em adolescentes da Educação Básica, considerando retenção do conhecimento, autopercepção da aprendizagem e níveis de ansiedade pré-teste. Também foi analisada indiretamente a ativação do sistema noradrenérgico, por meio da alfa-amilase salivar, marcador biológico de estresse fisiológico positivo. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética (61470922.6.0000.5323) e envolveu alunos do 8º ano da rede pública, divididos em dois grupos: experimental (grupo EF), que realizou uma sessão de exercício físico após uma aula de biologia, e controle, que seguiu a rotina escolar sem atividade física. A avaliação ocorreu em três momentos: 3h, 24h e 7 dias após a aula. Foram aplicados testes de retenção de conhecimento com 10 questões de diferentes níveis de dificuldade, relacionadas ao conteúdo trabalhado na aula que assistiram, escalas de autopercepção da aprendizagem e o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE). A escolha dos intervalos baseou-se em fundamentos neurobiológicos e estudos com modelos animais, que indicam fases distintas da consolidação da memória, especialmente nas horas iniciais após a aquisição do conteúdo. As primeiras 3h são críticas para a fase inicial da consolidação da memória de longa duração (MLD), altamente dependente de processos neuroplásticos que demandam tempo, sendo a lembrança nesse período sustentada pela memória de curta duração (MCD). Após 24h, exige-se a formação da MLD e, após 7 dias, a persistência do traço mnemônico. Foram coletadas 5 amostras de saliva para análise da alfa-amilase: a primeira (linha de base) após o consentimento para participação; a segunda, logo após a sessão de exercício físico; e as demais imediatamente antes da aplicação do IDATE, dos testes de retenção e das escalas de percepção da aprendizagem, nos intervalos de 3h, 24h e 7 dias após a aula. Os dados demonstraram que a realização de uma única sessão de EF após a aula contribuiu significativamente para uma maior retenção do conteúdo após 24 horas. O grupo que praticou EF obteve média de 7,94 ± 1,26 pontos no teste, enquanto o grupo controle obteve 6,90 ± 1,47 (P = 0,0147). No entanto, essa diferença não se manteve significativa após 7 dias (EF: 7,02 ± 1,31 vs. controle: 6,91 ± 1,44; P > 0,9999). Quanto à autopercepção da aprendizagem, o grupo que praticou EF relatou estar mais seguro quanto ao seu aprendizado após 7 dias (P = 0,0175), com um aumento médio de 1,2 pontos em uma escala de 0 a 10. Com relação à ansiedade, observou-se uma de redução nos níveis de ansiedade pré-teste entre os estudantes que praticaram EF, tanto na avaliação de 3 horas quanto na de 7 dias (ex.: 3h: EF: 40,2 ± 7,8 vs. controle: 45,6 ± 8,2; P = 0,0595). Em relação à alfa-amilase salivar, não houve diferenças significativas entre grupos ou momentos (P > 0,05). No entanto, esse marcador é sensível a diversos fatores externos, o que exige cautela na interpretação da ausência de ativação do sistema noradrenérgico. Os resultados indicam que uma única sessão de exercício físico pode favorecer a consolidação da aprendizagem após 24h, melhorar a autopercepção da aprendizagem e possivelmente reduzir a ansiedade frente às avaliações. Apesar de os efeitos não se manterem após 7 dias, o EF mostra-se uma intervenção viável e inovadora no contexto escolar. Ajustes simples na grade horária, como reorganizar a disciplina de educação física, podem contribuir para a melhoria da qualidade educacional.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Contribuições do Exercício Físico para Modulação da Ansiedade e Memória em Estudantes Da educação básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120471. Acesso em: 17 abr. 2026.