Gordura interesterificada compromete locomoção larval, emergência e longevidade de Drosophila melanogaster

Autores

  • Laura Gimenez
  • Luana Barreto Meichtry
  • Dieniffer Espinosa Janner
  • Pamela Piardi de Almeida
  • Frâncelly Marquez de Figueiredo
  • Marina Prigol

Palavras-chave:

Comportamento, Dieta, rica, gordura, Modelo, experimental

Resumo

A gordura interesterificada (GI) surgiu como uma alternativa tecnológica para a substituição das gorduras trans na indústria alimentícia. Esse tipo de gordura altera o perfil de ácidos graxos incorporados às membranas, modificando sua fluidez e sinalização. Como consequência, pode haver prejuízos em neurônios motores, refletindo em menor desempenho locomotor. Além disso, há indícios de que o alto consumo de dietas ricas em ácido palmítico, frequentemente presente em gorduras interesterificadas, induz estresse oxidativo, impactando negativamente o desenvolvimento e a longevidade. Apesar de sua ampla aplicação industrial, os efeitos metabólicos da ingestão da GI ainda são controversos. Considerando o elevado consumo de alimentos processados pela população, torna-se necessária a investigação de seus efeitos associados à saúde humana, sendo assim, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da exposição à GI sobre parâmetros comportamentais larvares, emergência e longevidade de Drosophila melanogaster. Foram utilizadas moscas Drosophila melanogaster, de ambos os sexos (75% fêmeas e 25% machos) com 1 a 4 dias de idade. As moscas progenitoras (F0) foram mantidas por 7 dias em uma das dietas seguintes: dieta regular (DR, composta por dieta padrão), (GI, a base de gordura vegetal) ou gordura não-interesterificada, (NGI, composta por uma mistura de óleo de soja e óleo de peixe, na proporção 1:1). As dietas GI e NGI foram ofertadas nas concentrações de 10% e 20%, sobre a DR. Após o período experimental, as moscas progenitoras foram removidas do meio, permanecendo apenas os ovos e as larvas. Posteriormente, utilizando as larvas de terceiro estágio expostas às dietas, foram realizados testes comportamentais de rastejamento e reorientação. Para o teste de rastejamento, larvas foram colocadas em placas de Petri com ágar 2% sobre papel quadriculado (1 mm²), registrando-se a distância percorrida em 1 minuto. O teste de reorientação avaliou a frequência de mudanças de direção ao longo do mesmo intervalo. A taxa de emergência foi determinada pelo número de indivíduos da geração F1 que completaram o desenvolvimento e emergiram como moscas adultas. Para a longevidade, imediatamente após a emergência, as moscas foram transferidas para frascos de DR e o número de moscas mortas foi registrado diariamente até que não houvesse mais moscas vivas. A fim de avaliar a aceitabilidade das diferentes dietas por larvas, foi realizado o teste de consumo alimentar em larvas controle de terceiro estágio. Para isso, as larvas foram expostas às dietas experimentais contendo corante azul, com acréscimo de um grupo com dieta controle sem o corante. Observou-se que o consumo larval foi semelhante entre os grupos expostos às diferentes dietas experimentais, indicando que a presença de GI ou GNI na dieta não influenciou a ingestão alimentar larval. Entretanto, foram observadas alterações significativas nos parâmetros locomotores, evidenciadas pela redução da distância percorrida pelas larvas expostas à GI em ambas as concentrações, quando comparadas aos grupos DR e GNI correspondentes. Nas larvas expostas à NGI, também foi observada redução da distância percorrida em relação à DR, independentemente da concentração. A redução da distância percorrida sugere que a exposição a ambas dietas ricas em gordura, compromete o desempenho locomotor larval, sendo esse resultado intensificado em larvas expostas à GI. Não foram observadas diferenças nos episódios de reorientação entre as larvas. Na taxa de emergência diária e total, houve uma redução significativa em todas as dietas em relação à DR, sendo exacerbada nos grupos expostos à GI em ambas as concentrações. Foi observada redução da longevidade de moscas expostas a GI 10%, GI 20% e NGI 20% em comparação à DR. Além disso, GI 20% e NGI 20% apresentaram redução de longevidade superior às menores concentrações, indicando que níveis mais elevados de gordura são mais nocivos. Assim, concluímos que o consumo de GI reduz a capacidade locomotora das larvas, além de comprometer a emergência e a longevidade das moscas. Esses achados indicam que, embora a GI seja uma alternativa tecnológica às gorduras trans, o seu consumo pode causar alterações motoras nas larvas, impactando no desenvolvimento larval e consequentemente no estágio adulto. A redução da emergência sugere que a exposição à GI durante o desenvolvimento compromete o ciclo de vida das moscas. No terceiro estágio larval ocorre intenso consumo e armazenamento de lipídios, essenciais para a metamorfose e a fase adulta; entretanto, por não se tratar de uma gordura natural, a GI pode dificultar sua metabolização, prejudicando esse acúmulo energético e impactando a sobrevivência dos indivíduos. Já a menor longevidade reforça a hipótese de efeitos cumulativos e prejudiciais. Assim, torna-se essencial investigar suas repercussões a longo prazo para compreender os potenciais riscos associados ao consumo humano.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Gordura interesterificada compromete locomoção larval, emergência e longevidade de Drosophila melanogaster. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120469. Acesso em: 17 abr. 2026.