Encapsulamento de Probiótico em Matriz Gelatinosa Base de Mucilagem de Quiabo
Palavras-chave:
cápsula, quiabo, mucilagemResumo
Alimentos funcionais vão além de simplesmente nutrir, eles trazem benefícios extras para a nossa saúde. Entre esses alimentos, os probióticos têm ganhado destaque por sua capacidade de ajudar a manter o equilíbrio da microbiota intestinal, fortalecer o sistema imunológico e promover o bem estar geral. Esses microrganismos vivos, quando consumidos na quantidade certa, podem melhorar a saúde do nosso sistema digestivo, facilitar a absorção de nutrientes e até ajudar a prevenir problemas metabólicos. No entanto, apesar de todos esses benefícios, incorporar probióticos em alimentos não é algo fácil. Durante o processamento, armazenamento e até no momento do consumo, fatores como temperatura, pH, umidade e contato com o oxigênio podem prejudicar a sobrevivência desses microrganismos, diminuindo sua eficácia. Para superar esses desafios, a indústria tem investido em técnicas de encapsulamento, que funcionam como uma espécie de escudo protetor. Além de garantir que os probióticos cheguem vivos até o consumidor, essas técnicas também ajudam a melhorar a textura, o sabor e a durabilidade dos produtos. Nesse sentido, foi realizado o encapsulamento de probióticos utilizando uma matriz gelatinosa formulada a partir da mucilagem de quiabo, combinada com alginato de sódio, de forma a potencializar as propriedades estruturais e funcionais das cápsulas. A análise dimensional foi conduzida com 30 cápsulas selecionadas aleatoriamente e mensuradas com auxílio de um paquímetro digital. A análise de umidade foi conduzida por meio da determinação da perda de massa em triplicata, com aproximadamente 5 g de amostra, em estufa a 105 ± 3 °C, até a obtenção de peso constante, seguindo rigorosamente a metodologia descrita pelo Instituto Adolfo Lutz. Para avaliar a viabilidade dos probióticos encapsulados durante o período de armazenamento, foram realizados ensaios em triplicata, em que cada frasco continha cápsulas suspensas em água destilada. As amostras foram submetidas a análises microbiológicas por plaqueamento qualitativo em ágar MRS, a fim de identificar a presença ou ausência de Lactobacillus sakei nos dias 0, 3, 6, 9, 12, 15 e 20. Essa aplicação permitiu observar a manutenção do crescimento microbiano e a resistência das cápsulas às condições de estocagem simuladas. Além disso, foi avaliada a migração do probiótico encapsulado por meio de testes com líquidos simulantes de contato com alimentos. Foram utilizados três meios distintos: água destilada (como referência), solução aquosa de ácido acético a 3% (v/v) e solução de etanol a 95% (v/v), ambos diluídos em água destilada, simulando diferentes cenários de contato. As amostras foram analisadas microbiologicamente em ágar MRS nos dias 0, 2, 4, 6, 8 e 10, permitindo compreender o comportamento do probiótico em meios de polaridade e acidez distintas. Com isso as cápsulas mostraram formato predominantemente esférico, aspecto brilhante e coloração esverdeada, características associadas à presença da mucilagem de quiabo. O tamanho médio das partículas foi de 2,12 ± 0,12 mm, evidenciando uniformidade estrutural. A umidade média registrada foi de 92,3% ± 0,43, confirmando a elevada retenção de água, aspecto típico de cápsulas produzidas com matrizes ricas em polissacarídeos hidrofílicos. A viabilidade das cápsulas durante a estocagem, bem como os testes de migração em líquidos simulantes, demonstraram que a maioria das cápsulas manteve-se íntegra ao longo dos experimentos, evidenciando a eficiência da matriz utilizada como barreira protetora. Além disso, os resultados reforçam o potencial da mucilagem de quiabo como biomaterial sustentável, de baixo custo e abundante, capaz de agregar valor a sistemas de encapsulamento destinados à indústria de alimentos funcionais. Com isso pode-se concluir que a tecnologia empregada para o encapsulamento de probióticos utilizando mucilagem de quiabo associada ao alginato de sódio mostrou-se eficiente, resultando em cápsulas uniformes e funcionais. Tais cápsulas foram caracterizadas de forma satisfatória e apresentaram desempenho comparável ao relatado na literatura, evidenciando sua aplicabilidade em futuros desenvolvimentos de produtos alimentícios inovadores.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Encapsulamento de Probiótico em Matriz Gelatinosa Base de Mucilagem de Quiabo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120466. Acesso em: 20 abr. 2026.