Mães Estudantes: Um Projeto de Apoio S Estudantes da Unipampa - Campus Bagé
Palavras-chave:
Permanência, estudantil, Políticas, apoio, Igualdade, gêneroResumo
A importância de uma rede de apoio para mães estudantes universitárias em universidades federais. Este artigo é um estudo preliminar, realizado a partir do projeto Mães estudantes: um projeto de acolhimento e apoio às estudantes da UNIPAMPA - Campus Bagé que se desenvolve desde 2024 no âmbito da Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (PROCADI) e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Assistência Estudantil (PRODAE) da Universidade Federal do Pampa. Esse projeto surge da necessidade de que as estudantes enfrentam em conciliar os estudos com a maternidade nunca foi uma tarefa fácil, e essa realidade se torna ainda mais desafiadora quando falamos das mães estudantes. No Brasil, milhões de mulheres enfrentam diariamente a difícil missão de equilibrar responsabilidades acadêmicas, o cuidado com os filhos, as tarefas domésticas e, muitas vezes, a necessidade de trabalhar para garantir o sustento da família. Esse acúmulo de funções afeta diretamente a permanência no ensino superior, contribuindo para os altos índices de evasão. De acordo com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023), existem cerca de 11 milhões de mulheres que criam seus filhos sozinhas no país. Dentre elas, aproximadamente 1,3 milhão são estudantes universitárias, um número que evidencia a existência de um grupo numeroso, mas frequentemente invisibilizado nas políticas educacionais. Nesse contexto, é fundamental ressaltar que este projeto e a formação de uma rede de apoio para mães estudantes se tornam ainda mais relevantes ao se tratar de uma universidade federal. Conforme aponta a "Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Graduandos das Instituições Federais de Ensino Superior" (2018), divulgada pela Andifes, mais de 70% dos estudantes das universidades federais brasileiras têm uma renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo. Isso revela que essas instituições são, majoritariamente, frequentadas por estudantes de estratos socioeconômicos mais baixos, o que torna os desafios da permanência ainda mais agudos, especialmente para as mulheres que precisam dividir seu tempo entre o papel de mãe, estudante e trabalhadora. Uma parcela significativa dessas mães enfrentam uma realidade extremamente difícil: para conquistar uma formação profissional, é comum que precisem sair de suas cidades de origem, deixando seus filhos sob os cuidados de outras pessoas. Isso significa abrir mão de acompanhar o crescimento dos seus filhos durante um período crucial da infância, por não haver com quem deixá-los enquanto frequentam aulas, estágios obrigatórios ou outras atividades acadêmicas. Essa separação forçada impõe uma sobrecarga emocional e psicológica que não pode ser ignorada. Nesse sentido, é essencial destacar que a universidade não deve ser apenas um espaço de acesso, mas também de permanência com dignidade. A criação de uma rede de apoio institucional para mães estudantes, que envolve ações concretas como: bolsas de permanência, auxílio-creche, flexibilização de prazos e horários, espaços de acolhimento infantil, e atendimento psicológico, é uma medida urgente e necessária. Os dados do Censo Demográfico (IBGE, 2022) reforçam essa realidade: 86,4% dos lares compostos por adultos que vivem sozinhos com seus filhos são chefiados por mulheres. Apesar dos desafios, muitas delas persistem, resistem e veem na educação uma oportunidade de reconstruir suas histórias. Cada diploma conquistado por essas mães representa mais do que uma realização pessoal simboliza um ato de resistência, um passo rumo à independência e a esperança de um futuro melhor para suas famílias. Todo o exposto, justifica a importância e relevância deste projeto, pois ele é urgente e necessário. Ao investir em políticas de apoio às mães estudantes, estamos investindo diretamente na transformação da sociedade. Garantir que essas mulheres possam estudar, se formar e conquistar autonomia é contribuir para a quebra de ciclos de pobreza, desigualdade e exclusão. A universidade precisa caminhar junto com essas mulheres, reconhecendo suas lutas e criando condições reais para que elas permaneçam e tenham sucesso na vida acadêmica e profissional.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Mães Estudantes: Um Projeto de Apoio S Estudantes da Unipampa - Campus Bagé. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120464. Acesso em: 17 abr. 2026.