Tiro com Arco Adaptado: Relato de Experiência de Ensino em Um Projeto Social

Autores

  • Roberto Carneiro
  • Jonathan Jardim da Silva
  • Susane Graup
  • Amanda Machado Barbosa

Palavras-chave:

Paradesporto, Deficiência, Inclusão

Resumo

O tiro com arco paradesportivo é uma modalidade adaptada do esporte olímpico que desempenha um papel fundamental na inclusão de pessoas com deficiência física ou visual, promovendo autonomia e desempenho esportivo. Originado no movimento paralímpico como uma ferramenta de reabilitação para indivíduos com lesões medulares, amputações e paralisia, o tiro com arco paradesportivo destaca-se por sua capacidade de proporcionar benefícios terapêuticos e sociais, permitindo que os praticantes superem barreiras e conquistem maior visibilidade em suas comunidades. A prática, que exige concentração, precisão e coordenação, é adaptada para atender às necessidades específicas de cada atleta, utilizando equipamentos e técnicas que garantem acessibilidade e segurança. Nesse contexto, o projeto social Dispara RS, iniciado em fevereiro de 2023 em Canoas, Rio Grande do Sul, surge como uma iniciativa pioneira para ampliar o acesso ao tiro com arco paradesportivo na região metropolitana de Porto Alegre. Idealizado por um atleta paralímpico com vasta experiência na modalidade, o projeto é realizado no ginásio do Complexo Esportivo São Luís, no bairro São Luís, em Canoas, em parceria com a prefeitura local e filiado à Federação Gaúcha de Tiro com Arco, que integra a Confederação Brasileira de tiro com arco (Brasilarco). Este estudo trata-se de um relato de experiência que descreve as vivências pedagógicas observadas durante a participação no projeto, destacando sua organização, impactos transformadores e relevância para a inclusão social. As sessões do Dispara RS ocorrem às sextas-feiras pela manhã, atendendo atualmente 12 praticantes com diferentes tipos de deficiência, incluindo cadeirantes e pessoas com deficiência visual. As atividades são realizadas na modalidade de tiro com arco indoor, que utiliza distâncias reduzidas para os disparos, adaptadas às condições do ginásio e às necessidades dos atletas. O projeto fornece equipamentos essenciais, como arcos recurvos e compostos, flechas, anteparos para alvos e guias táteis específicas para atletas com deficiência visual, que auxiliam na orientação espacial e na empunhadura do arco. Durante a oficina observada, participaram dois cadeirantes e dois atletas com deficiência visual, demonstrando a diversidade de públicos atendidos. A dinâmica dos treinos é estruturada com os alunos perfilados, cada um posicionado diante de um alvo ajustado à distância apropriada para a prática. Cada participante realizou três disparos por rodada, seguidos de orientações individualizadas pelos instrutores voluntários, que ofereceram feedback detalhado para melhorar a precisão e o agrupamento das flechas. A abordagem pedagógica é caracterizada por um cuidado especial com as particularidades de cada atleta, promovendo um ambiente acolhedor e inclusivo que valorize o esforço individual e coletivo. A participação na oficina revelou o potencial transformador do projeto. Os instrutores, todos voluntários, dedicam-se a compartilhar seus conhecimentos e experiências, criando um espaço de aprendizado motivador que incentiva os atletas a superarem desafios pessoais. Muitos participantes, mesmo enfrentando longos deslocamentos para chegar ao ginásio, demonstram grande comprometimento, utilizando o esporte como uma plataforma para expressar suas capacidades em competições e na sociedade. A prática do tiro com arco promove benefícios físicos, como o fortalecimento muscular, a melhoria da coordenação motora e o aprimoramento da postura, além de benefícios psicológicos, como o aumento da autoestima, da confiança e da resiliência. O projeto também fomenta a socialização, permitindo que os atletas construam redes de apoio, formem laços de amizade e se sintam mais integrados à comunidade. A dedicação da equipe organizadora, aliada à estrutura adaptada do projeto, cria um ambiente que valoriza as potencialidades dos participantes, indo além de suas limitações físicas ou sensoriais. A vivência no Dispara RS reforçou a importância de iniciativas que promovam a inclusão por meio do esporte. O projeto destaca-se como um exemplo de como o paradesporto pode transformar vidas, oferecendo oportunidades equitativas e incentivando o protagonismo de pessoas com deficiência. A experiência observada demonstra a necessidade de expandir o acesso ao tiro com arco e a outras modalidades paradesportivas em diferentes regiões, garantindo que mais pessoas tenham a chance de se beneficiar de suas práticas. O comprometimento dos voluntários e a estrutura do projeto demonstram seu papel como um agente de mudança social, promovendo não apenas a reabilitação física, mas também o empoderamento e a visibilidade dos atletas. A participação, ainda que breve, revelou que o esporte adaptado é uma ferramenta poderosa para a inclusão, permitindo que os praticantes superem barreiras, mostrem suas habilidades e ocupem espaços de destaque na sociedade.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Tiro com Arco Adaptado: Relato de Experiência de Ensino em Um Projeto Social. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120458. Acesso em: 17 abr. 2026.