Letramento Racial e Educação Física: Enfrentando o Racismo Estrutural no Esporte

Autores

  • Luiz Valdeir de Souza dos Santos
  • Layza Antoniella Rosa Fernandes
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira
  • Diego de Matos Noronha

Palavras-chave:

Racismo, estrutural, Esporte, Educação, Física

Resumo

O esporte, enquanto fenômeno social, cultural e educacional, é frequentemente compreendido como espaço de integração, superação e igualdade de oportunidades. No entanto, sua história no Brasil revela contradições, uma vez que nem sempre os valores de respeito e inclusão se concretizam. Ao mesmo tempo em que proporciona experiências coletivas significativas, também reproduz desigualdades históricas, refletindo as hierarquias sociais da sociedade. Portanto é necessário compreender como os mecanismos de exclusão se materializam dentro das quadras, campos e ginásios, evidenciando que o racismo atravessa não apenas relações interpessoais, mas também as estruturas institucionais que organizam o esporte. O racismo estrutural, enraizado em diferentes dimensões da vida social, impacta diretamente as trajetórias de atletas, treinadores, torcedores e demais sujeitos envolvidos com a prática esportiva. A ideia de que o esporte seria um espaço neutro, livre de preconceitos e pautado unicamente pelo mérito, sustenta o mito da democracia racial ainda presente no imaginário brasileiro. Contudo, a recorrência de episódios de discriminação e a manutenção de desigualdades evidenciam que o campo esportivo não está isento das dinâmicas de exclusão racial. Compreender esses fenômenos e propor alternativas educativas é passo fundamental para transformar o esporte em um verdadeiro instrumento de justiça social.O trabalho tem como objetivo investigar os impactos do racismo estrutural no esporte, buscando compreender como ele se manifesta de maneira explícita e implícita dentro e fora dos espaços esportivos, influenciando atletas, torcedores e profissionais da área. A proposta parte de uma vivência pessoal do autor, acadêmico negro e desportista, que, ao longo de sua trajetória, experimentou tanto as oportunidades de ascensão social oferecidas pelo esporte quanto as barreiras impostas pela desigualdade racial. O estudo fundamenta-se no conceito de racismo estrutural discutido por Silvio Almeida (2018), que o entende como fenômeno enraizado nas estruturas sociais, políticas, culturais e econômicas, e não apenas como práticas individuais de preconceito, além de dialogar com as reflexões de Maria Aparecida Bento (2022) sobre a branquitude, que revelam os mecanismos de manutenção de privilégios por parte dos grupos dominantes, por meio do chamado pacto narcísico da branquitude. No universo esportivo, tais dinâmicas se expressam de diferentes maneiras: desde a restrição histórica e social do acesso a determinadas modalidades, normalmente reservadas a grupos de maior poder aquisitivo, até casos concretos de discriminação racial, como ofensas verbais direcionadas a atletas em partidas, exclusões em processos seletivos e desigualdades nas oportunidades de carreira. Ainda que a população negra seja maioria em diversas modalidades, sua presença é frequentemente marcada por estereótipos, como a ideia de que atletas negros possuem apenas força física, enquanto atributos técnicos, estratégicos e intelectuais são mais associados a atletas brancos. A mídia também reforça esse processo ao invisibilizar ou retratar atletas negros de forma estigmatizada, perpetuando desigualdades simbólicas. Nesse contexto, este trabalho evidencia a necessidade de enfrentar o mito da democracia racial e de promover o letramento racial e a educação antirracista no campo da Educação Física, especialmente na formação docente. A metodologia escolhida é qualitativa e baseia-se na triangulação de dados, articulando três etapas principais: revisão de literatura, para fundamentar teoricamente a discussão sobre racismo no esporte; análise documental, envolvendo relatórios e estatísticas de instituições que registram casos de discriminação racial; e grupos focais com sujeitos que vivenciaram essas experiências, de modo a compreender percepções, sentimentos e estratégias de enfrentamento, articulados à autonarrativa do autor. Como resultados, destacam-se a promoção de reflexões críticas entre acadêmicos e professores sobre as formas de manifestação do racismo no esporte, a produção de materiais teóricos e práticos que subsidiem a implementação da Lei 10.639/2003 na Educação Física, a geração de análises atualizadas sobre episódios de discriminação no cenário esportivo nacional e a proposição de práticas pedagógicas voltadas para a valorização da diversidade. Além disso, a pesquisa poderá fortalecer as ações do NEABI Mãe Fausta, núcleo que atua na valorização das identidades negras e indígenas, articulando ensino, pesquisa e extensão e ampliando a inserção comunitária da universidade. Com isso, o estudo contribui para a produção científica e fomenta transformações sociais mais amplas, incentivando práticas esportivas e educacionais comprometidas com a justiça social e a igualdade racial. Ao propor a reflexão crítica sobre o racismo estrutural no esporte, o projeto busca virar o jogo contra a desigualdade, consolidando o esporte como espaço de inclusão, respeito e cidadania.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Letramento Racial e Educação Física: Enfrentando o Racismo Estrutural no Esporte. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120452. Acesso em: 18 abr. 2026.