Letramento para a Inclusão: Experiências do Pibid em Uma Escola de Dom Pedrito - Rs
Palavras-chave:
Inclusão, PIBID, Educação, LetramentoResumo
A escassez de profissionais na educação básica representa um dos grandes desafios contemporâneos no Brasil. Diante dessa realidade, a formação inicial de licenciandos ganha centralidade, pois é nesse momento que se delineiam os fundamentos teóricos, metodológicos e éticos que orientarão a prática docente. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) destaca-se como uma política voltada a aproximar universidade e escola, inserindo futuros professores em experiências orientadas e supervisionadas que articulam teoria e prática. No núcleo interdisciplinar dos cursos de Letras Português e Pedagogia, da Universidade Federal do Pampa, na modalidade a distância, esse movimento não é diferente: os alunos são inseridos no cotidiano escolar, atuando de forma colaborativa em projetos de intervenção, práticas de letramento e ações pedagógicas integradas. No polo Dom Pedrito, as atividades dos seis bolsistas são realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Arthur Villamil de Castro, que atende cerca de 200 estudantes nos turnos matutino e vespertino, além de algumas ações no contraturno escolar. A experiência aqui apresentada integra as ações do PIBID à necessidade de promover debates sobre inclusão e direitos humanos em âmbito escolar, alinhando-se ao tema da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla e à perspectiva de uma educação que valorize a diversidade e o respeito às diferenças. Entre os dias 21 e 28 de agosto de 2025, foram desenvolvidas diversas atividades voltadas à reflexão sobre inclusão e direitos humanos, com a participação de 17 estudantes do Ensino Fundamental II, organizados em turmas de 6.º e 7.º anos e mediados por duas bolsistas do programa. A programação iniciou-se com uma atividade disparadora, composta pela exibição do vídeo da campanha nacional promovida pela APAE e pela leitura de um texto informativo, seguida de uma roda de conversa em que os conceitos de inclusão, empatia e capacitismo foram apresentados e debatidos, oportunizando aos estudantes o diálogo sobre a temática. Na sequência, realizou-se a dinâmica da empatia, em que os alunos receberam situações-problema relacionadas à acessibilidade e às dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, sendo convidados a refletir criticamente sobre suas possíveis atitudes diante desses contextos. Também foram propostas outras experiências, como o desafio da escrita com a mão não dominante, que buscou sensibilizar os participantes para as barreiras enfrentadas por pessoas com limitações motoras, e a atividade de comunicação através da sinalização, que possibilitou a vivência de diferentes formas de expressão não verbal. Além disso, os estudantes tiveram a oportunidade de aprender a datilologia do alfabeto e algumas saudações em LIBRAS, ampliando seus conhecimentos sobre a língua de sinais e fortalecendo a compreensão acerca da acessibilidade comunicacional. Como encerramento, foi proposta a construção do mural coletivo Mãos que acolhem. Nessa produção, cada aluno desenhou a própria mão e registrou palavras ou expressões que representassem inclusão, acolhimento e respeito. O mural, exposto no espaço de circulação da escola, tornou-se não apenas um produto visual da atividade, mas também um símbolo da aprendizagem construída coletivamente. Os resultados evidenciaram o interesse dos estudantes em dialogar sobre o tema, a disposição para refletir criticamente sobre suas atitudes e a capacidade de reconhecer a importância da empatia no convívio social. De modo geral, a experiência demonstrou que a inserção de práticas pedagógicas voltadas à inclusão e aos direitos humanos no ensino fundamental contribui para ampliar a compreensão dos alunos sobre diversidade e para estimular atitudes mais responsáveis e respeitosas. A participação ativa dos estudantes, associada ao uso de recursos multimodais (vídeo, debates, dinâmicas e produção coletiva), favoreceu a construção de um ambiente de aprendizagem participativo e reflexivo. Observou-se que, ainda que determinados conceitos fossem inicialmente desconhecidos, a ação oportunizou a construção de novos saberes e a valorização de práticas inclusivas. O conjunto das atividades reafirma o potencial do PIBID como espaço de formação docente e de intervenção no contexto escolar, aproximando universidade e educação básica em torno da promoção de uma escola inclusiva, equitativa e de qualidade, em consonância com os princípios dos direitos humanos e da justiça social.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Letramento para a Inclusão: Experiências do Pibid em Uma Escola de Dom Pedrito - Rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120440. Acesso em: 17 abr. 2026.