Jornalismo Digital e Inclusão Social: a Construção do Portal Paradesporto Informa

Autores

  • Matheus Henrique Ribeiro Laurindo
  • Amanda Moreira Ferreira
  • Kendra Caroline Chaves Davila
  • Isabela Fernanda Siqueira Noe
  • Marco Antonio Bonito

Palavras-chave:

Acessibilidade, Jornalismo, Digital, Paradesporto, Site, Portal, Inclusão

Resumo

O presente trabalho apresenta o projeto Paradesporto Informa, desenvolvido inicialmente na disciplina de Comunicação e Cibercultura e executado em Teorias e Práticas de Jornalismo Digital. A iniciativa surgiu da constatação da carência de conteúdos jornalísticos esportivos voltados ao paradesporto na cidade de São Borja (RS) e região. Observa-se que o telejornalismo tradicional raramente aborda a temática, exceto em ocasiões específicas como Paralimpíadas, o que contribui para a invisibilidade do esporte adaptado e de seus praticantes. Visando a carência do tema no sul do país, o problema central investigado é: de que maneira um portal de notícias especializado em paradesporto pode contribuir para a conscientização dos poderes públicos e da sociedade civil em relação à sua importância? O objetivo geral do projeto foi dar visibilidade ao paradesporto por meio de jornalismo inclusivo e multimídia, utilizando recursos digitais e estratégias de comunicação que contemplassem multimidialidade, hipertexto e interatividade. Como objetivos específicos, buscou-se criar um portal digital dedicado à temática, realizar entrevistas com atletas, profissionais da saúde e gestores públicos, lançar reportagens multimídia que valorizassem histórias mas que também mostrassem a realidade de quem prática o paradesporto, além engajar a sociedade civil na pauta da inclusão esportiva. A metodologia utilizada teve caráter exploratório e descritivo, fundamentando-se em procedimentos jornalísticos e comunicacionais. O processo incluiu: definição de nome e marca (Paradesporto Informa), com identidade visual elaborada em parceria com estudante de Publicidade e Propaganda - Pesquisa documental e de campo sobre o cenário do paradesporto dentro e fora de São Borja, buscando identificar lacunas na cobertura midiática. - Entrevistas com atletas, fisioterapeutas, professores de Educação Física, gestores públicos e pesquisadores da área, realizadas presencialmente e a distância. - Produção multimídia de reportagens com aplicação de recursos de hipertexto, interatividade e multimidialidade. - Criação do portal digital com base em ferramentas de design (Canva) e de produção audiovisual (câmera, tripé, microfones e lapelas). - Divulgação e lançamento oficial do site e de conteúdos em redes sociais. Os dados coletados foram analisados de forma qualitativa, com foco na interpretação de discursos, narrativas e experiências de vida ligadas ao paradesporto. O desenvolvimento do projeto contemplou diferentes dimensões do paradesporto. As reportagens elaboradas trouxeram olhares complementares: Aline Schirmer, fisioterapeuta, destacou a importância do cuidado integral e da reabilitação, ressaltando que as barreiras sociais são mais limitadoras que as físicas. - Wagner Xavier, pesquisador em estudos de gênero e esporte, apresentou um olhar interseccional ao aproximar a marginalização de corpos de pessoas com deficiência e da população LGBTQIAPN+. - Tamires Fernandes, atleta com deficiência visual, relatou a ausência de projetos inclusivos em São Borja e como encontrou no atletismo, em outra cidade, a oportunidade de se tornar atleta. - Márcio Cardozo, cadeirante, compartilhou sua experiência com modalidades como jiu-jitsu, tiro com arco e fisiculturismo, evidenciando a falta de políticas públicas e estrutura local. - Larissa Soares, educadora física de Joinville, mostrou como o paradesporto pode transformar vidas desde a infância, ainda que sofra com a invisibilidade midiática e a desigualdade estrutural. Essa diversidade de perspectivas reforçou o caráter inclusivo e plural do projeto, alinhado aos princípios do jornalismo digital e da cibercultura. Os principais resultados alcançados foram a criação de um portal digital funcional, a produção de conteúdos multimídia e hipertextuais, o lançamento oficial da plataforma com entrevistas exclusivas e reportagens independentes, além da divulgação inicial em redes sociais. Observou-se também a valorização de histórias invisibilizadas, que ganharam espaço no projeto. Do ponto de vista acadêmico e social, a discussão aponta para a importância do jornalismo inclusivo como ferramenta de transformação. O projeto rompeu com a lógica esporádica do telejornalismo tradicional, que limita a cobertura do paradesporto a eventos pontuais, e mostrou que a produção independente pode preencher lacunas informativas, sensibilizar a sociedade e pressionar por políticas públicas. Os desafios permanecem: manter a produção jornalística, obter financiamento (via coletivo) e garantir engajamento da sociedade e da mídia. Além disso, o projeto ainda não dispõe dos recursos de acessibilidade planejados, o que será prioridade no próximo estágio para atender pessoas com deficiência visual, auditiva e sensorial. Ainda assim, o Paradesporto Informa mostrou potencial para fortalecer uma cultura esportiva mais plural, acessível e inclusiva no Sul do Brasil.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Jornalismo Digital e Inclusão Social: a Construção do Portal Paradesporto Informa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120439. Acesso em: 17 abr. 2026.