Desafios e Perspectivas dos Tradutores e Intérpretes de Libras na Era Digital
Palavras-chave:
Libras, Tradutor, Intérprete, (TILS), inclusão, digital, capacitação, profissional, valorização, laboral, acessibilidade, políticas, públicasResumo
O presente estudo analisa os desafios e perspectivas da profissão de Tradutor e Intérprete de Libras (TILS) no Brasil, considerando o contexto legal, as condições de trabalho e o impacto das tecnologias digitais na inclusão da comunidade surda. A trajetória da Libras no país é marcada por avanços legais significativos, iniciando com a Lei nº 10.436/2002, que reconheceu oficialmente a Libras como língua da comunidade surda, seguida pelo Decreto nº 5.626/2005, que regulamentou sua inclusão obrigatória na formação de professores. Em 2010, a Lei nº 12.319 regulamentou a profissão de TILS, definindo atribuições, requisitos de formação e abrindo espaço para visibilidade social e profissional desses profissionais. Mais recentemente, a Lei nº 14.704/2023 trouxe alterações que aprimoraram o exercício profissional e as condições de trabalho dos TILS, incluindo o guia-intérprete, regulamentando jornada, revezamento em interpretações longas e fortalecendo a valorização profissional. Apesar do reconhecimento legal, os TILS enfrentam desafios significativos, como a limitada valorização social e institucional, remuneração insuficiente, sobrecarga física e cognitiva decorrente da interpretação simultânea e jornadas extensas, impactando sua saúde e a qualidade do serviço prestado. A atuação desses profissionais exige mediação cultural e social entre a Libras e a língua portuguesa, indo além da tradução literal, o que evidencia a complexidade da função e a necessidade de políticas públicas que garantam pausas, revezamento, acompanhamento psicossocial e condições adequadas de trabalho. O avanço das tecnologias digitais, como aplicativos de tradução automática e softwares de acessibilidade, ampliou o alcance da comunicação em Libras, favorecendo a inclusão digital e maior autonomia da comunidade surda. Entretanto, essas ferramentas não substituem a mediação humana, pois não conseguem reproduzir nuances culturais, expressões faciais e contextos específicos que a interpretação humana proporciona, reforçando a necessidade de valorização e capacitação contínua dos TILS. A formação dos TILS tem se expandido, incluindo cursos de graduação, pós-graduação e especializações em áreas como interpretação acadêmica, jurídica e em saúde, permitindo maior qualificação e diversidade de atuação profissional. As perspectivas futuras apontam para a criação de um conselho profissional, definição de piso salarial nacional, ampliação da formação continuada, fortalecimento de políticas públicas e promoção da inclusão digital da comunidade surda. Os resultados da análise indicam avanços importantes na regulamentação e profissionalização dos TILS, mas ainda persistem desafios relacionados à valorização, condições laborais, desigualdades regionais e insuficiência de políticas públicas integradas. O progresso legal e tecnológico deve ser acompanhado de medidas concretas de apoio e capacitação para garantir inclusão plena, cidadania efetiva e qualidade na comunicação em Libras em diferentes espaços, como escolas, hospitais, órgãos públicos e ambientes sociais. Dessa forma, o estudo evidencia que a efetiva inclusão da comunidade surda depende não apenas do reconhecimento legal ou da tecnologia, mas de políticas que valorizem a profissão, promovam condições adequadas de trabalho, ampliem a formação continuada e garantam revezamento e suporte psicossocial aos profissionais, assegurando que a comunicação em Libras seja acessível, culturalmente adequada e plenamente funcional em todos os contextos sociais.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Desafios e Perspectivas dos Tradutores e Intérpretes de Libras na Era Digital. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120436. Acesso em: 17 abr. 2026.