Relato de Experiência Olhar Neurodivergente: TDAH e AH/SD
Palavras-chave:
Inclusão, neurodivergência, diversidadeResumo
A crescente preocupação com a saúde mental no ambiente universitário, evidenciada pela carta aberta publicada por psicólogos da UNIPAMPA em outubro de 2024, destaca a urgência de ações voltadas ao bem-estar de estudantes e servidores. Entre os desafios enfrentados estão sintomas de ansiedade, depressão, assédio, racismo e sobrecarga acadêmica. Nesse contexto, estudantes neurodivergentes, como aqueles com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e/ou Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), enfrentam obstáculos ainda mais acentuados para permanecer se desenvolver plenamente no ensino superior. Apesar de representarem uma parcela significativa da população, com estimativas de prevalência entre 5% para o TDAH na infância e 2,5% na idade adulta e entre 3,5% a 5% para a superdotação, os estudantes com TDAH e/ou AH/SD ainda são pouco identificados ou reconhecidos no contexto acadêmico. Dados da própria UNIPAMPA revelam uma discrepância preocupante entre a estimativa populacional desses grupos e os números de autodeclaração no momento da matrícula. Dessa forma, justifica-se a criação de espaços acolhedores e informativos, que promovam a valorização da diversidade, a troca de experiências e o fortalecimento do pertencimento, contribuindo diretamente para a permanência e o sucesso acadêmico desses estudantes. Neste contexto, o projeto Olhar neurodivergente:TDAH e AH/SD foi desenvolvido com o apoio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico (PDA), buscando criar um espaço de sociabilização, informação e expressão artística para esses estudantes. O objetivo principal é promover o autoconhecimento além de sensibilizar a comunidade acadêmica sobre o tema. A metodologia do projeto envolve a realização de encontros mensais, presenciais ou híbridos, aos sábados, com duração média de três horas. Cada encontro é dividido em dois momentos: uma conversa mediada sobre TDAH e/ou AH/SD, com apoio de materiais audiovisuais, e uma oficina criativa com atividades como desenho, pintura, teatro ou música. Os encontros contam com a colaboração de profissionais convidados e voluntários. A divulgação das ações é feita via redes sociais institucionais e outros canais da universidade. Para avaliação, é aplicado ao final de cada encontro um questionário online, enviado por meio da lista de presença. Nele, os participantes atribuem notas (de 0 a 5) em perguntas fechadas sobre o tema e a oficina, além de responder a questões abertas com sugestões e críticas. A participação no questionário é voluntária, mas necessária para emissão de atestado válido como Atividade Complementar de Graduação (ACG). As ações realizadas até agosto de 2025 contaram com três encontros que reuniram, ao todo, 22 participantes. A partir dos questionários foram obtidas 8 respostas. A pergunta que avaliava o interesse pelo tema abordado, teve 7 respostas. Já a pergunta, que avaliava a oficina prática, contou com 8 respostas, sendo que 87,5% dos participantes atribuíram nota máxima (5) e 12,5% deram nota 4. As perguntas abertas indicaram maior interesse por atividades nas áreas de artes visuais e música. É importante observar que uma melhor divulgação dos eventos deve ser feita a fim de aumentar o número de participantes. Os estudantes interessados puderam receber atestados de horas culturais. Os resultados parciais demonstram que a utilização da arte como recurso pedagógico pode estimular a criatividade, valorizar a diversidade e promover a inclusão, contribuindo para a permanência acadêmica e para a construção de uma universidade mais acolhedora e atenta à neurodiversidade. Diante disso os dados obtidos sugerem interesse para a continuidade do projeto.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Relato de Experiência Olhar Neurodivergente: TDAH e AH/SD. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120435. Acesso em: 17 abr. 2026.