Acessibilidade Digital: o Uso da Tecnologia na Aprendizagem de Alunos Surdos da Eja

Autores

  • Daniele Pinheiro
  • Roberta dos Santos Messa
  • Claudete Da Silva Lima Martins

Palavras-chave:

Acessibilidade, digital, uso, tecnologia, aprendizagem, alunos, surdos, EJA

Resumo

A concepção de educação na perspectiva inclusiva pauta-se fundamentalmente no princípio de que o acesso e a permanência na escolarização constituem-se direitos de todos. Tal compreensão exige uma construção contínua e reflexão crítica acerca das estratégias pedagógicas, de modo a assegurar não apenas o acesso formal, mas também as possibilidades de aprendizagens. Nessa perspectiva no que concerne à educação de alunos surdos, é fundamental remeter-se ao Decreto nº 5.626/2005, que regulamenta a Lei nº 10.436/2002, a qual reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão. O Decreto, em seu Art. 2º, define: considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais. (BRASIL, 2005,p.28). A presente normativa reconhece a Libras como língua e evidencia a cultura surda como um campo de experiências baseadas nas diferenças e culturas surdas. Lacerda, Santos e Caetano (2013, p. 186), enfatizam que para favorecer a aprendizagem do aluno surdo, não basta apenas apresentar os conteúdos em LIBRAS, é preciso explicar os conteúdos de sala de aula utilizando toda a potencialidade visual que essa língua tem. A prática inclusiva exige tanto a desconstrução das narrativas dominantes quanto a busca de estratégias que assegurem aos sujeitos surdos o direito de aprender. Frente ao desenvolvimento tecnológico que vivenciamos, a utilização dos recursos digitais no contexto educacional, pode potencializar o processo de aprendizagem de alunos surdos. Este resumo apresenta pesquisa que foi desenvolvida, em 2025, a partir da aplicação de uma sequência didática que envolveu o uso de jogos digitais, vídeos em Libras e a tela interativa, ofertando atividades e momentos de interação ao longo de duas semanas, as práticas foram conduzidas em torno da temática preservação do meio ambiente, possibilitando a exploração de conteúdos de forma acessível para os estudantes surdos, tendo como objetivo descrever e analisar intervenções pedagógicas realizadas por meio de recursos digitais com 14 alunos surdos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma escola da rede municipal de Alegrete-RS. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, configurando-se como uma pesquisa-ação, que, segundo Thiollent (1986), caracteriza-se pelo envolvimento direto dos sujeitos no processo investigativo, permitindo que a prática educativa seja ao mesmo tempo objeto de análise e espaço de transformação. Como instrumentos de coleta e análise de dados, utilizaram-se: observações sistemáticas durante o desenvolvimento da sequência didática; avaliação final, composta por três atividades: a primeira denominava-se Qual é a palavra? Nesta atividade,os alunos tinham que sinalizar a palavra sorteada em Libras. A segunda atividade, foi o Jogo de imitação de ações, no qual eram apresentadas pequenas frases em português escritas na tela interativa na qual os alunos deveriam imitar a ação proposta na frase. A terceira foi uma autoavaliação realizada em forma de roda de conversa, proporcionando espaço para que os próprios estudantes expressassem percepções sobre a experiência. De acordo com Minayo (2012), a pesquisa qualitativa valoriza as interações sociais e a compreensão do significado atribuído pelos sujeitos às experiências vivenciadas. Nesse sentido, a escolha dos instrumentos buscou contemplar tanto a observação das práticas quanto a voz dos alunos surdos. Os resultados evidenciaram que, frente às atividades propostas com o uso de recursos digitais jogos, vídeos em Libras e a tela interativa , os alunos mantiveram-se participativos, motivados e atentos. Na avaliação final, verificou-se que 12 alunos conseguiram assimilar os conteúdos trabalhados e reconhecer o bloco de palavras estudadas ao longo da sequência. Ainda que 4 estudantes não tenham conseguido ler frases completas, foi possível observar avanços: todos conseguiram identificar e representar, no mínimo, duas palavras de cada enunciado, o que aponta para progressos significativos no processo de aprendizagem. Na roda de conversa, todos avaliaram positivamente a experiência, destacando o uso dos recursos digitais como fator motivador. 8 alunos ainda sugeriram que a escola mantivesse a utilização de jogos e vídeos por meio da tela interativa em futuras práticas pedagógicas. Os dados permitem afirmar que os recursos digitais constituem ferramentas potentes para o ensino de alunos surdos na EJA, favorecendo um aprendizado colaborativo, interativo e visual. Assim, pode-se concluir que a incorporação dos recursos digitais no processo educativo ao articular Libras, Língua Portuguesa e tecnologias digitais em práticas pedagógicas, fortalecem-se a autonomia, a participação e a construção de conhecimentos significativos, reafirmando a importância de metodologias inclusivas que reconheçam e valorizem as especificidades linguísticas e culturais dos alunos surdos.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Acessibilidade Digital: o Uso da Tecnologia na Aprendizagem de Alunos Surdos da Eja. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120434. Acesso em: 17 abr. 2026.