Práticas pedagógicas inclusivas para alunos com baixa visão no ensino de Língua Portuguesa

Autores

  • Andressa Marchesan
  • Diego Marlon Marcondes
  • Fernanda Dias da Rosa
  • Claudia Camerini Correa Perez

Palavras-chave:

Inclusão, escolar, tecnologias, assistivas, equidade, educacional

Resumo

A educação inclusiva na Educação Básica constitui um dos pilares fundamentais para a consolidação de uma escola democrática e socialmente justa, capaz de acolher a diversidade e assegurar que todos os estudantes tenham condições iguais de aprendizagem. Entre as diversas deficiências, a deficiência visual apresenta desafios particulares que exigem atenção específica dos educadores. Nesse contexto, a baixa visão ocupa um lugar, muitas vezes, invisibilizado nas práticas pedagógicas, embora represente uma realidade significativa entre os estudantes. Diferente da cegueira total, que implica ausência completa da visão, a baixa visão caracteriza-se por um comprometimento visual grave, mesmo após correções ópticas ou cirúrgicas, mas que ainda permite algum uso funcional da visão. Essa distinção é essencial para compreender que os alunos com baixa visão não formam um grupo homogêneo: alguns apresentam visão central comprometida, outros têm campo visual reduzido ou sensibilidade à luz, o que demanda intervenções pedagógicas diferenciadas e personalizadas. Nesse sentido, a acessibilidade constitui um requisito indispensável para garantir não apenas o acesso físico à escola, mas, sobretudo, a equidade no processo de ensino-aprendizagem, assegurando que todos os estudantes tenham condições reais de participar e se desenvolver de acordo com suas potencialidades. A pesquisa realizada, de natureza básica, abordagem qualitativa e caráter bibliográfico, fundamenta-se na análise crítica de produções científicas, legislações e documentos oficiais publicados nas últimas duas décadas, priorizando referências que discutem acessibilidade, inclusão escolar e práticas pedagógicas relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa para estudantes com baixa visão. A metodologia adotada teve como propósito reunir, sistematizar e refletir criticamente sobre os conhecimentos já produzidos, construindo um referencial teórico sólido que subsidie a reflexão sobre a atuação docente. Os resultados evidenciam que a formação inicial de professores ainda apresenta lacunas significativas em relação às temáticas da inclusão, pois, em muitos cursos de licenciatura, o assunto é tratado de forma superficial ou restrito a disciplinas isoladas, comprometendo a atuação docente diante das demandas reais da sala de aula inclusiva. Verificou-se também que a inclusão não se efetiva apenas pela adoção de metodologias adaptadas ou pelo uso de recursos técnicos, mas exige uma postura ética e empática diante da diversidade, valorizando cada estudante como sujeito singular de aprendizagem. Além disso, constatou-se que as tecnologias assistivas desempenham papel central nesse processo, ao proporcionar meios de acesso ao conhecimento e maior autonomia aos alunos. Ferramentas como fontes ampliadas, contrastes visuais adequados, softwares de leitura de tela, audiolivros, lupas eletrônicas e atividades multissensoriais mostraram-se especialmente relevantes quando integradas a um planejamento pedagógico intencional e ao diálogo com os próprios estudantes, reconhecendo suas necessidades e preferências. No ensino de Língua Portuguesa, destaca-se como estratégias eficazes a utilização de textos com fonte ampliada e contraste, atividades orais, exploração de recursos táteis e a leitura em voz alta, práticas que ampliam as possibilidades de participação e tornam a aprendizagem mais significativa. Outro ponto ressaltado foi a importância da ludicidade como recurso de engajamento e inclusão, por meio de jogos e atividades adaptadas que possibilitam a interação multissensorial sem comprometer a complexidade cognitiva exigida. Conclui-se que ensinar além do visível é um exercício contínuo de escuta, adaptação e compromisso ético com a equidade, demandando do professor não apenas conhecimento técnico, mas também criatividade, sensibilidade e disposição para reconhecer e valorizar as diferenças como parte constitutiva da vida escolar. A efetivação da inclusão depende de ações concretas, como a formação continuada dos professores, o uso consciente das tecnologias assistivas, o planejamento colaborativo entre educadores, familiares e estudantes e a construção de uma prática pedagógica humanizada que reconheça o aluno com baixa visão como protagonista de sua trajetória educacional. Dessa forma, reafirma-se que a inclusão não é um favor, mas um direito inalienável. Somente por meio de uma pedagogia da equidade será possível consolidar uma escola verdadeiramente inclusiva, onde todas as formas de ver o mundo sejam respeitadas, acolhidas e potencializadas.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Práticas pedagógicas inclusivas para alunos com baixa visão no ensino de Língua Portuguesa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120433. Acesso em: 17 abr. 2026.