Sarau de Literatura e Leitura: Valorização da Cultura Indígena por Meio da Literatura

Autores

  • Joana Martins
  • Arthur Gemelli Pereira
  • Denise Aristimunha de Lima
  • Nola Patricia Gamalho

Palavras-chave:

Literatura, indígena, Extensão, universitária, Sarau, Eliane, Potiguara, Resistência, cultural

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo apresentar e refletir sobre a experiência extensionista desenvolvida no âmbito do projeto Sarau de Literatura e Leitura, vinculado ao Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas Lanceiros Negros (NEABI do campus São Borja) da Universidade Federal do Pampa, atividade realizada mensalmente que envolve estudantes e docentes, com o propósito de aproximar os participantes da literatura, fomentar o debate sobre diversidade cultural, identidade, resistência e letramento racial, promovendo um espaço de diálogo e troca de saberes entre universidade e sociedade. O sarau de agosto de 2025 foi dedicado ao poema Identidade Indígena, de Eliane Potiguara, escritora e ativista de grande relevância para a literatura indígena brasileira, cuja escolha possibilitou aprofundar a reflexão sobre ancestralidade, pertencimento e luta por direitos, reconhecendo a literatura como instrumento de afirmação cultural, resistência política e construção de subjetividades críticas. A questão que orienta esta pesquisa é: de que forma o Sarau de Literatura e Leitura contribui para a promoção e valorização da cultura indígena por meio da literatura? Para responder a essa pergunta, adotou-se uma metodologia qualitativa e participativa, estruturada em três etapas: leitura coletiva do texto, discussão mediada pelo grupo organizador e sistematização das percepções dos participantes, abordagem que valorizou a oralidade, a escuta ativa e o diálogo, permitindo que a obra fosse ressignificada a partir das experiências individuais e coletivas, fortalecendo a compreensão da literatura como espaço de ensino-aprendizagem, mas também como ferramenta de intervenção social e política. A análise dos registros do encontro indicou que a leitura do poema foi percebida como um ato político e pedagógico, mobilizando memórias pessoais e coletivas em diálogo com a história de exclusão e resistência dos povos originários, e evidenciando a capacidade da literatura de reafirmar identidades e projetar futuros dignos, em consonância com a ideia de ecologia de saberes de Boaventura de Sousa Santos, que defende a valorização de múltiplas epistemologias. Além disso, o sarau demonstrou ser um espaço relevante para o fortalecimento do letramento racial e para a promoção do sentimento de pertencimento, fatores que contribuem para a permanência acadêmica e o engajamento social dos estudantes, conforme discutido por Cunha (2018), ao mesmo tempo em que reforçou o papel da universidade como instituição pública democrática, plural e comprometida com a inclusão e a justiça social. Os resultados preliminares indicam que a valorização da literatura indígena vai além da dimensão estética, atuando como ferramenta de transformação social, capaz de estimular reflexões críticas, práticas educativas antirracistas e consciência sobre a importância da diversidade cultural. O Sarau de Literatura e Leitura, do NEABI Lanceiros Negros, portanto, se consolida como iniciativa de relevância para a promoção da diversidade, a democratização do conhecimento e a construção de uma universidade que integra teoria, prática e extensão, articulando saberes acadêmicos e comunitários e contribuindo para o fortalecimento da pluralidade identitária, da justiça social e da cidadania cultural, ao criar um espaço em que literatura, história e política se encontram para gerar aprendizado, engajamento e consciência crítica, reafirmando a literatura indígena como um instrumento de resistência, afirmação cultural e produção de conhecimento que promove a reflexão sobre identidade, ancestralidade e direitos, consolidando o sarau como prática cultural que articula educação e transformação social de forma significativa, evidenciando a importância de iniciativas que ampliem o acesso à cultura, fortaleçam a identidade de grupos historicamente marginalizados e incentivem o diálogo intercultural como estratégias de construção de uma sociedade mais inclusiva e plural. ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2018. CUNHA, Maria Isabel da. Qualidade da educação superior: evasão, inclusão e políticas de permanência. Campinas: Autores Associados, 2018. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1996. MULHERIO DAS LETRAS INDÍGENAS. Coletivo de escritoras indígenas. Disponível em: https://www.mulheriodasletras.com.br/. Acesso em: 30 ago. 2025. NEABI LANCEIROS NEGROS UNIPAMPA. NEABI São Borja. Disponível em: https://eventos.unipampa.edu.br/forumneabis/neabisao-borja/. Acesso em: 30 ago. 2025. POTIGUARA, Eliane. Identidade Indígena. In: Poesia Indígena Hoje. n. 1, p. 110-113, ago. 2020. POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. 3. ed. Rio de Janeiro: Global, 2018. RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. São Paulo: Cortez, 2006. SILVA, Carina Oliveira. Literatura indígena: retom

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-26

Como Citar

Sarau de Literatura e Leitura: Valorização da Cultura Indígena por Meio da Literatura. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120425. Acesso em: 17 abr. 2026.