Distocia e retenção de placenta em égua: Relato de caso
Palavras-chave:
Retenção, placentária, Distocia, EquinoResumo
O parto em éguas, quando ocorre de forma fisiológica, é um processo rápido e eficiente, geralmente com duração inferior a 30 minutos. No entanto, complicações como o parto distócico, caracterizado pela dificuldade ou incapacidade de expulsão fetal, representam emergências obstétricas que demandam intervenção imediata. As causas de distocia em equinos podem incluir estática fetal incorreta, anomalias fetais ou falhas na contração uterina, sendo menos frequente que em ruminantes, mas de alto risco para o feto e a égua. Entre as complicações pós-parto, destaca-se a retenção de placenta, definida como a falha na eliminação completa das membranas fetais no período de até três horas após o parto. Está relacionada a inércia uterina, distocia, exaustão do miométrio, estiramento excessivo e a lesões na parede uterina, as quais são consequência de fatores como o estresse, falhas de manejo no pré-parto, placentite, deficiência de vitaminas e minerais, distensão excessiva do útero, distúrbios hormonais, hereditariedade, entre outros. A abordagem terapêutica inclui administração de ocitocina, lavagens uterinas com solução estéril morna, antibióticos sistêmicos e infusões intrauterinas, com a conduta adaptada de acordo com a resposta clínica. O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico envolvendo ambas as condições, destacando as estratégias terapêuticas adotadas e sua evolução clínica. Este trabalho descreve o caso clínico de uma égua da raça Crioula que apresentou parto distócico seguido de retenção de placenta. O caso ocorreu em uma propriedade rural, no município de Uruguaiana (RS). A égua foi observada com sinais de desconforto abdominal, sugerindo início do trabalho de parto, aproximadamente um mês antes da data prevista. No dia seguinte, ao constatar que o potro não havia sido expulso, foi solicitada a intervenção veterinária. No exame clínico constatou-se que o feto se encontrava em apresentação anterior, posição superior e atitude flexionada dos membros pélvicos anteriores, bem como flexão da cabeça e pescoço, porém com dilatação cervical adequada, permitindo a realização de manobras obstétricas de extensão e, posteriormente, tração. O potro foi removido com facilidade, porém já sem sinais vitais. Após a remoção do feto, observou-se retenção placentária. Imediatamente a retirada, foi administrado cloridrato de tetraciclina (Ginovet®, Vetnil), 1g intrauterino (vela uterina). No dia seguinte, observou-se a persistência de fragmentos placentários e odor fétido à inspeção vaginal. Iniciou-se o protocolo terapêutico utilizando sonda nasogátrica estéril e água destilada nas primeiras lavagens, juntamente com ceftiofur (Topsef®, Pearson) sistêmico. Posteriormente utilizou-se sonda uterina (Bivona) e solução fisiológica morna. Ainda, a partir do lavado foi coletada amostra para cultura, antibiograma e citologia que apresentou crescimento de Escherichia coli e muitos neutrófilos na avaliação citológica. Além da administração de antibiótico, foi usado anti-inflamatório (flunixin meglumine, Flumax®, 1,1mg/kg IV, JA Saúde Animal) e ocitocina, UCBVET, 20UI, por quatro dias. No 5º dia de tratamento, o exame ultrassonográfico evidenciou presença de conteúdo intrauterino denso, compatível com inflamação uterina severa. No 6º dia de tratamento, com intensificação do odor fétido e eliminação de conteúdo purulento à palpação vaginal, optou-se por realizar nova lavagem uterina com 10 litros de solução fisiológica. Após o primeiro litro, já se observou melhora na coloração e no odor do líquido de lavagem. Diante da evolução, o protocolo terapêutico foi ajustado com a infusão intrauterina de gentamicina, Gentrin®, Ourofino, 4mg/kg, por 5 dias, suspensão da administração de ocitocina e alteração da dose do anti-inflamatório, para a dose antiendotoxêmica, 0,25mg/kg IV, associado a Firocoxibe Vetnil®, oral. Juntamente a última lavagem, foi realizada a coleta de material uterino para cultivo no laboratório de microbiologia da universidade (UNIPAMPA), conferindo resultado negativo. Concluindo, houve evolução do caso com melhora clínica progressiva, demonstrando a importância da abordagem sistêmica e local, do monitoramento diário e da individualização terapêutica em quadros de retenção placentária em equinos. Dessa forma, a condução rápida e eficiente em casos de distocia e retenção placentária é essencial para preservar a vida e a fertilidade da égua.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Distocia e retenção de placenta em égua: Relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120421. Acesso em: 14 abr. 2026.