Tipagem sanguínea no ensino de Ciências: Reflexões a partir de uma intervenção do PIBID
Palavras-chave:
Ensino, Biologia, Metodologias, Ativas, ExperienciaResumo
Este trabalho apresenta uma proposta de análise e reflexão sobre a aplicação de uma aula prática de tipagem sanguínea abrangendo o Sistema ABO e o fator Rh realizada no contexto do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), com foco no ensino de Ciências e Biologia. A intervenção foi conduzida por Pibidianos junto a turmas da Educação Básica e buscou explorar não apenas o conteúdo biológico, mas também estratégias metodológicas que pudessem tornar a aprendizagem mais significativa. A relevância desta experiência se fundamenta no fato de que a tipagem sanguínea é um conteúdo presente na matriz curricular do Ensino Médio e possui forte aplicabilidade social, especialmente na compreensão da importância da doação de sangue e das transfusões seguras. A escolha desta prática partiu da percepção de que atividades experimentais despertam maior interesse nos alunos e contribuem para consolidar conceitos complexos, principalmente quando são adaptadas com recursos acessíveis e seguros. A proposta da atividade teve como objetivos principais: compreender os fatores envolvidos na determinação do tipo sanguíneo e do fator Rh; simular o processo de tipagem sanguínea de forma segura, utilizando materiais alternativos; interpretar reações de aglutinação; relacionar o conhecimento adquirido à importância da doação de sangue; e estimular o raciocínio investigativo dos estudantes. Para isso, foi estruturada uma sequência didática que incluía a contextualização do tema, a apresentação de um problema (um caso fictício sobre a compatibilidade sanguínea entre dois personagens), a execução da prática em grupos e a análise coletiva dos resultados obtidos. O conteúdo abordado incluiu a explicação do Sistema ABO, seus quatro tipos sanguíneos (A, B, AB e O) e os anticorpos correspondentes, além do fator Rh e sua influência nas transfusões. Foram utilizados materiais de baixo custo para simular o sangue e os reagentes: leite com corante vermelho representou o sangue, enquanto soluções de vinagre e água colorida simularam os soros anti-A, anti-B e anti-Rh. O procedimento consistiu em adicionar a amostra de sangue a três lâminas e aplicar sobre cada uma os diferentes soros, observando a ocorrência ou não de aglutinação, que indicaria a presença dos respectivos antígenos. A avaliação da intervenção foi feita por meio de um questionário aplicado aos alunos, que contemplava aspectos como organização, metodologia, aprendizado, clareza das explicações, motivação e sugestões de melhoria. A análise das respostas revelou que a maioria dos estudantes considerou os materiais adequados e a atividade diferente das aulas tradicionais, apontando-a como interessante ou muito interessante. Muitos relataram que a experiência despertou curiosidade e favoreceu o interesse por atividades práticas em Biologia. No entanto, também surgiram críticas construtivas: alguns alunos apontaram que as explicações poderiam ser mais claras e que o domínio do conteúdo, por parte dos Pibidianos, poderia ser mais seguro. Em relação à sequência metodológica prática antes da teoria, as opiniões se dividiram: parte da turma afirmou que a ordem aumentou a curiosidade e a atenção na explicação posterior, enquanto outros disseram ter sentido confusão inicial. Entre as principais contribuições relatadas pelos estudantes, destacaram-se a oportunidade de aprender o conteúdo de forma prática, a possibilidade de integrar teoria e prática e a percepção mais concreta da importância da tipagem sanguínea. As respostas abertas também evidenciaram a valorização da simulação, com comentários como gostei da simulação do sangue e aula prática mais legal, mas também recomendações como explicações mais claras e menos nervosismo. Do ponto de vista pedagógico, a experiência reforça que atividades práticas investigativas, quando bem planejadas e articuladas com o conteúdo teórico, têm potencial para tornar o aprendizado mais significativo. A utilização de recursos simples e adaptados possibilita levar experimentação para contextos escolares com infraestrutura limitada, sem comprometer a segurança dos alunos. Por outro lado, a prática evidencia a importância do preparo prévio e do domínio conceitual por parte dos ministrantes, para que possam responder a dúvidas, estabelecer conexões entre a prática e a teoria e evitar que dificuldades de compreensão se acumulem. Os resultados desta intervenção permitem afirmar que, apesar dos desafios observados, a prática foi bem recebida pelos alunos e cumpriu parte importante de seus objetivos formativos, especialmente no engajamento e na promoção do interesse pelo tema. Recomenda-se, para futuras aplicações, equilibrar o tempo destinado à experimentação e à explicação teórica, considerar momentos de revisão coletiva imediata e investir no treinamento prévio dos ministrantes para aumentar a segurança e clareza na condução em futuras aulas. Esse trabalho faz parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID).Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Tipagem sanguínea no ensino de Ciências: Reflexões a partir de uma intervenção do PIBID. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120416. Acesso em: 14 abr. 2026.