Entre Trilhos e Silêncios: Duas Realidades em Contraste
Palavras-chave:
Crítica, social, Desigualdade, Educação, Identidade, Jaguarão, Memória, Narrativas, periféricas, PertencimentoResumo
A proposta artística apresentada nasce do desejo de transformar em linguagem visual a experiência de deslocamento entre realidades sociais, culturais e territoriais distintas. A infância na periferia do Rio de Janeiro foi marcada pela desigualdade, dificuldades materiais e pela presença constante de sons urbanos intensos, como trens lotados, comércio popular e, sobretudo, a sirene da polícia, símbolo de tensão, medo e violência estrutural. Já em Jaguarão, no extremo sul do Brasil, o cotidiano é marcado pelo silêncio das ruas de pedra e pelo ritmo lento, em contraste com a metrópole. Essa mudança, contudo, não elimina as desigualdades, mas evidencia que a exclusão social é estrutural e se manifesta em diferentes contextos. Esse percurso suscita reflexões sobre memória, pertencimento e identidade, revelando como experiências periféricas podem se transformar em potência estética, política e crítica. O objetivo do trabalho é construir, por meio de uma pintura em técnica mista, uma narrativa visual que sobreponha essas realidades, articulando memórias pessoais, crítica social e expressão artística. A obra foi contemplada pela Chamada Interna nº 03/2025 Programa de Fomento à Criação Artística (PROARTE/PROEC) da Universidade Federal do Pampa, o que reforça a legitimidade acadêmica e cultural da proposta. A metodologia incluiu pesquisa visual em arquivos pessoais, fotografias e imagens das duas cidades, além de estudos de composição com cores vibrantes para representar o excesso urbano e tons sóbrios para o silêncio do interior. Também foram incorporados materiais como papéis, tecidos, mapas e bilhetes de transporte, compondo camadas de memória em colagem com tinta acrílica sobre tela. O desenvolvimento da obra parte do diálogo entre lembranças, artistas contemporâneos e conceitos teóricos. De um lado, o Rio de Janeiro com favelas, trens e sons urbanos; de outro, Jaguarão com ruas silenciosas e trilhos abandonados. A sirene da polícia é símbolo central, remetendo à infância na periferia e às marcas da violência na subjetividade. A pintura dialoga com artistas como Marcelo Eco, Panmela Castro e Rosana Paulino, que exploram experiências periféricas e memória como potência estética e política. Teoricamente, aproxima-se das paisagens sonoras de Schafer (1977) e das reflexões sobre identidade e território de Silva (2012), ressaltando como sons e espaços moldam memórias e trajetórias. Além disso, discute desigualdades persistentes sob a perspectiva dos direitos humanos, reforçando a educação como direito fundamental para inclusão e emancipação. A obra reflete também minha trajetória, da Chatuba de Mesquita até a universidade, ressaltando o contraste entre exclusão educacional e o acesso atual a espaços de pesquisa e criação, possível graças ao ingresso no curso de Pedagogia da UNIPAMPA e à participação no Programa de Educação Tutorial (PET Pedagogia), que fortalece a formação acadêmica e a produção de conhecimento crítico. Esse movimento revela que narrativas das margens têm potência transformadora e devem ser reconhecidas como parte legítima da produção cultural e científica. Em outubro, a obra será apresentada em exposição para docentes e discentes da universidade, fortalecendo os vínculos entre arte e pesquisa e ampliando o espaço de diálogo acadêmico e cultural. Espera-se que a pintura provoque reflexões sobre desigualdades, deslocamentos e pertencimento, dialogando com experiências coletivas de migração e mobilidade social. Os sons urbanos e o silêncio interiorano surgem como símbolos que representam tanto violência quanto estagnação. Assim, a obra reafirma a importância das narrativas periféricas no espaço universitário e defende a arte como instrumento de crítica, inclusão e transformação social, além de inspiração para que outros estudantes e artistas utilizem suas próprias vivências como fonte legítima de pesquisa e criação.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre Trilhos e Silêncios: Duas Realidades em Contraste. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120404. Acesso em: 14 abr. 2026.