Bestiário do Pampa: Entre Sombras e Saberes Gaúchos
Palavras-chave:
Decolonialidade, Imaginário, cultural, Narrativas, popularesResumo
O presente resumo é um relato de experiência elaborado para o EDITAL n.º 03/2025 Programa de Fomento à Criação Artística (PROARTE 2025). O projeto Bestiário do Pampa: Entre Sombras e Saberes Gaúchos busca documentar, reinterpretar e divulgar mitos e criaturas do folclore gaúcho, integrando pesquisa, ilustração e produção de material educativo. A proposta se fundamenta em estudos decoloniais, que sustentam a valorização de saberes locais e plurais. Neste sentido, o Pampa é aqui compreendido como território estratégico para uma abordagem decolonial, reunindo múltiplas camadas de colonialidade ainda presentes. Marginalizada nos circuitos culturais e acadêmicos, a região abriga uma identidade formada pela confluência de saberes indígenas, africanos e ibéricos. Suas narrativas orais, embora ricas, são historicamente desvalorizadas frente às tradições eurocentradas. Também se configura como zona de fronteira, geopolítica e epistemológica, tensionando noções fixas de identidade e pertencimento. A metodologia adotada combinou etapas de pesquisa bibliográfica, criação artística e desenvolvimento de narrativa ficcional. Foram consultadas obras sobre folclore e tradição oral, bem como fontes digitais contemporâneas, interpretadas como formas contemporâneas de oralidade. Com base nisso, foram elaboradas fichas descritivas no estilo de um caderno de caçador, inspiradas em RPGs como The Witcher e Monster Hunter. Esses materiais combinam informações históricas e culturais com elementos ficcionais, narrando a jornada de um gaúcho caçador pelo Pampa. As criaturas foram ilustradas com técnicas tradicionais e reunidas em um livreto de linguagem acessível, com publicação prevista para outubro de 2025. A seleção inicial inclui dez fichas, composta por lendas amplamente conhecidas, lendas de forte simbolismo local, lendas menos difundidas, além de lendas urbanas. A proposta também busca questionar a visão que relega o folclore brasileiro a um prestígio inferior frente a tradições como as greco-romanas, vikings ou japonesas. Nota-se, em espaços de circulação de discursos públicos, a predominância de visões baseadas no senso comum, que subestimam a força simbólica das lendas nacionais. Como resultados parciais, destaca-se a valorização do folclore como patrimônio imaterial e o reconhecimento da potência das tradições orais frente ao academicismo eurocêntrico. Esses resultados foram observados com a disponibilização de uma prévia textual, ainda sem ilustrações, com três das dez lendas: o Boitatá, amplamente conhecido, o Monstro da Panela do Candal, tradicional em Bagé e a Teiniaguá, menos conhecida. A escolha buscou equilibrar familiaridade, identidade local e novidade, promovendo a coleta de impressões, sugestões e expectativas. A participação envolveu estudantes, docentes, técnicos e comunidade externa, com idades entre 16 e mais de 60 anos. De modo geral, o material foi bem recebido: considerado claro, envolvente e eficaz na aproximação dos leitores com o patrimônio imaterial do Pampa. A experiência reforçou a importância das lendas como elementos de identidade cultural e memória coletiva, contrapondo-se ao olhar acadêmico tradicional. A boa recepção também evidenciou o potencial do bestiário para uso pedagógico, cultural e turístico, consolidando-o como ferramenta que vai além do entretenimento, contribuindo para a valorização crítica da região. As preferências apontadas ajudaram a mapear diferentes dimensões de interesse. O Boitatá reforça a continuidade da tradição pelo seu simbolismo já conhecido; a Teiniaguá desperta curiosidade e amplia os horizontes do imaginário, mesmo que nem todos a tenham considerado tão envolvente; já o Monstro da Panela do Candal se destacou como forte expressão da identidade bageense, revelando o poder das narrativas locais em despertar pertencimento e orgulho comunitário. Entre as sugestões, destacou-se o papel das ilustrações como elemento central na experiência, além do incentivo à ampliação do bestiário com novas figuras, incluindo mitos urbanos e personagens como o lobisomem, já previstos no escopo do projeto. Em síntese, a prévia confirmou a relevância cultural, pedagógica e patrimonial da iniciativa, demonstrando sua capacidade de dialogar com públicos diversos e de promover uma valorização crítica do imaginário pampeano. Com a publicação prevista para outubro e a apresentação no 17º SIEPE/UNIPAMPA em novembro, espera-se que o projeto gere impactos concretos tanto na comunidade acadêmica quanto na externa, ampliando o acesso e o reconhecimento da riqueza cultural do Pampa.Downloads
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Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Bestiário do Pampa: Entre Sombras e Saberes Gaúchos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120396. Acesso em: 14 abr. 2026.