As raízes que nos formam
Palavras-chave:
Arte, Autopercepção, ComportamentosResumo
Conforme a Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (2019), o diagrama da Árvore de Comportamentos é uma ferramenta visual que explicita e mapeia o repertório comportamental dos indivíduos, permitindo analisar e compreender seus pensamentos e suas ações. Em tal analogia, as raízes representam as crenças nucleares (valores, princípios); o tronco, por sua vez, são as crenças intermediárias (regras pessoais, temperamentos); e, por fim, os ramos e as folhas (ou os frutos) podem receber simbologias distintas, ilustrando os conhecimentos e os comportamentos, ou serem inseridos no mesmo conjunto, significando os pensamentos automáticos do ser humano (tal qual as distintas e multifatoriais formas de autodefinição). Em síntese, as crenças nucleares (raízes da árvore) são as bases dos comportamentos e dos pensamentos de um indivíduo (folhas ou frutos). Desse modo, o objetivo do presente resumo é relatar a experiência da autora na construção de uma pintura interativa denominada As raízes que nos formam, tendo como base teórica a Árvore de Comportamento da Terapia Cognitiva-Comportamental e visando promover uma reflexão acerca dos múltiplos fatores que constituem os indivíduos como seres sociais e que embasam suas ações no mundo. O público-alvo da ação foram os residentes da cidade de Uruguaiana, RS, em especial aqueles vinculados a serviços de atenção neurodivergente. O projeto trata-se de uma ação vinculada ao Programa de Fomento à Criação Artística (PROARTE), promovido no ano de 2025 pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e inscrito na Chamada Interna Nº03/2025, na categoria individual com tema livre. Aprovado em julho do mesmo ano, a atividade iniciou-se com a compra de uma tela de pintura (40x30 centímetros), utilizando para tal os recursos financeiros disponibilizados pelo PROARTE. A compra de demais materiais não foi necessária, usufruindo dos equipamentos já em posse da autora (pincéis, tintas, lápis, caneta e pincel para quadro branco). A gravura base foi uma árvore preta, uma versão mais simples da analogia supracitada, contendo apenas as raízes (como crenças nucleares) e um espaço para as futuras folhas (autopercepção das pessoas sobre si mesmas). Ademais, a discente também produziu um vídeo curto, para divulgação nas redes sociais da PROEC, apresentando a ideia da obra e utilizando a identidade visual da Pró-Reitoria, conforme solicitado aos contemplados pelo programa. Após a conclusão de tal fase, foi realizado o contato com os centros de atenção neurodivergente: um grupo local de apoio a autistas adultos e o Grupo de Estudos em Neurodiversidade e Deficiência (GENED) da UNIPAMPA. Posteriormente, reservou-se a data para a execução da dinâmica, a qual consistiu na pintura de uma folha colorida, por parte de cada participante, e na escrita de como o indivíduo se definia (folhas) e do porquê acreditava ter tal definição (raízes). Assim, ao final das sessões, foram identificadas relações como: Sou determinado a ser sempre uma pessoa melhor, Sou culpado porque deixo o medo me incapacitar, entre outras. Ademais, reservou-se um momento para o público-alvo, caso assim se sentisse confortável, dialogar sobre o porquê de tais percepções. Desse modo, o projeto cumpriu seu objetivo inicial de promover uma reflexão acerca das crenças dos indivíduos e do impacto de tais pensamentos na percepção social destas pessoas sobre si mesmas, bem como, por permitir o espaço ao diálogo e à troca de experiências, também foi elemento fomentador para a criação e o fortalecimento de vínculos dos participantes dos grupos nos quais a ação foi realizada. Por fim, conclui-se que a Analogia da Árvore é uma metáfora eficaz para entender como as crenças fundamentais moldam os pensamentos e as ações humanas, evidenciando a forma de que uma ideia negativa, se adotada como sustentáculo, pode paralisar o crescimento pessoal dos indivíduos ou trazê-los a sensação de incapacidade ou inutilidade, ao mesmo tempo que expõe que uma raiz de bom progresso ou boas esperanças promove sentimentos de determinação, perseverança e estimula a busca por uma qualidade de vida melhor, respeitando as particularidades de cada organismo. Ademais, foi notório que, mesmo que a crença nuclear esteja tão profunda quanto uma longa raiz, ela pode ser podada ou ter seu danos secundários reduzidos com a força das redes de apoio, as quais também mostram-se como elementos promotores e cultivadores de bons frutos, pensamentos e comportamentos.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-11-03
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
As raízes que nos formam. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120395. Acesso em: 14 abr. 2026.