Teoria Histórico-cultural de Vigotski: Produção de Materiais Didáticos Digitais com Uso de Uma Ferramenta Cultural

Autores

  • Miguel Angelo Adrian Ribeiro Gonçalves
  • Guilherme Frederico Marranghello
  • Elisabete de Avila da Silva

Palavras-chave:

Ensino, química, Cultura, indígena, Teoria, Aprendizagem

Resumo

O presente trabalho descreve a utilização da Teoria Histórico-Cultural de Vigotski na aplicação de uma ferramenta cultural digital denominada Tabela Periódica Etnocientífica, no qual abordou-se a cultura indígena e o ensino de química como temas principais de estudo. A Teoria Histórico-Cultural de Vigotski, tem como preceito o desenvolvimento intelectual do indivíduo por meio de experiências mentais e sociais, no qual o meio cultural é um fator importante para instigar e compreender a evolução cognitiva do sujeito. Nesse contexto, essa teoria entende que o homem é moldado pela cultura que ele mesmo cria, ou seja, por meio das aprendizagens sociais, interiorização da cultura e interações sociais para construção do conhecimento. Em sua teoria, Vigotski deixa explícito o papel do homem e seu desenvolvimento baseado na interação com o meio cultural, no qual para o autor o conceito de cultura é amplo, podendo ser a cultura de um povo ou o ambiente à sua volta, não possuindo uma definição concreta sobre o termo. Para que ocorra a construção desse desenvolvimento cognitivo, torna-se necessária à utilização de instrumentos ou ferramentas culturais que atuam como mediadoras das interações do indivíduo com o meio cultural, no intuito de facilitar a compreensão desta teoria de aprendizagem quando aplicada em um contexto de ensino. Dessa forma, a temática indígena ocupa o conceito de cultura proposto pelo autor e a Química Orgânica como embasamento científico. Com base nisso, a proposta de pesquisa embasada na teoria histórico-cultural de Vigotski foi aplicada em um contexto escolar fazendo uso da Tabela Periódica Etnocientífica. Essa ferramenta consiste em uma tabela periódica usual (símbolos, nomenclaturas e números atômico e de massa), elaborada em plataformas digitais como o Genially (template padrão e imagens interativas), o Canva (Cards dos elementos e imagens padronizadas) e o Google Sites (repositório do material). A tabela Etnocientífica possui essa denominação justamente por apresentar saberes populares referente à cultura dos povos originários e conhecimentos científicos por meio dos conceitos presentes na Química do Carbono. No material todos os 118 elementos periódicos foram confeccionados seguindo um padrão, no qual contém uma breve descrição abaixo dos cards seguido de um link, em que este direciona o leitor para as imagens interativas, na qual nelas apresentam-se os saberes científicos e populares dialogando entre si, interligados por meio de setas que conduzem a leitura. Para compreender a eficácia do material, elaborou-se uma sequência didática, no qual alunos de uma turma de 3°ano do ensino médio regular de uma escola da rede pública do município de Bagé-RS, puderam criar imagens interativas para a tabela por meio de um sorteio de alguns metais de transição. Ao final da elaboração das imagens os estudantes apresentaram e debateram as aprendizagens obtidas ao longo da produção do material. As imagens produzidas pelos alunos cumpriram alguns dos requisitos pré-estabelecidos inicialmente quando solicitou-se a atividade, como uso de saberes populares (cultura indígena) e científicos (química orgânica), e uso correto da plataforma digital Genially, porém muitas lacunas ficaram evidentes em seus materiais, como pouco embasamento teórico de ambos os saberes, ausência de contextualização sobre à temática e uso limitado de materiais de apoio, como imagens, vídeos e atividades lúdicas. Para a atividade foram criados quatro grupos, sendo eles: Grupo Níquel; Grupo Zinco; Grupo Ouro e Grupo Prata. No grupo do níquel, os representantes optaram por uma noticia de 2015 sobre mineração ilegal do niquel em terras indígenas, no qual limitou-se a apenas à essa noticia sem expandi-la com os saberes científicos à respeito desse metal. Em relação ao grupo do zinco, o mesmo aconteceu com esse grupo de abordar a mineração ilegal, sem destacar outros meios, como exemplo, beneficios desse metal para os povos indígenas. O grupo do ouro e da prata também retrataram em suas imagens a mineração e extração, sem aprofundamento cultural e científico. Com base nessa atividade, pode-se observar que a ferramenta cultural serviu como ignição para o desenvolvimento do assunto na componente, pois ao fundamentá-la com a teoria histórico-cultural de Vigotski, entendeu-se que as lacunas existentes na produção de seus materiais devem-se à ausência de interação com o meio cultural, ou seja, a interação com membros pertencentes à etnias indígenas em suas vidas cotidianas e acadêmicas, acarretando em informações limitadas e estereotipadas à seu respeito, sendo refletidas em suas imagens. Com base nessa proposta, é possível compreender que esse quadro é reversível e com mais atividades como esta podemos nos encaminhar para uma educação mais inclusiva e contextualizada nos âmbitos educacionais.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

Teoria Histórico-cultural de Vigotski: Produção de Materiais Didáticos Digitais com Uso de Uma Ferramenta Cultural. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120394. Acesso em: 14 abr. 2026.