O Papel da Força de Trabalho Negra na Formação Econômica do Brasil

Autores

  • Saimon Rodrigues
  • Rodrigo Abbade da Silva

Palavras-chave:

Economia, brasileira, População, negra, Desigualdade, estrutural, Cultura, afro-brasileira, Políticas, afirmativas, criativa

Resumo

Este estudo tem como objetivo analisar a trajetória do negro na economia brasileira, desde a escravidão até a contemporaneidade, sob uma perspectiva cultural e socioeconômica ampliada, que permita não apenas compreender a inserção dos indivíduos negros no sistema produtivo, mas também revelar as permanências históricas que moldaram as condições de desigualdade ao longo dos séculos. A metodologia adotada foi o levantamento bibliográfico, conforme orienta Gil (2008), utilizando obras clássicas, artigos científicos de periódicos especializados, legislações, documentos oficiais e produções acadêmicas disponíveis em bancos de dados como SciELO e Google Scholar, de forma a garantir a credibilidade das informações levantadas e a diversidade de interpretações analíticas. O período analisado abrange desde a colonização até a contemporaneidade, abrangência temporal que permite compreender os processos históricos em suas raízes coloniais e as repercussões que ainda se manifestam em práticas sociais, econômicas e políticas atuais. Os principais artigos e referências foram selecionados pela relevância teórica e pela contribuição crítica para o debate acerca da presença negra na economia brasileira, garantindo solidez e consistência à análise desenvolvida, bem como legitimidade científica ao estudo. A investigação destaca que o trabalho escravo constituiu a base da acumulação colonial, viabilizando a formação de elites econômicas brancas e de estruturas agrárias concentradoras, enquanto a abolição da escravidão, desprovida de políticas de inserção social e econômica, relegou os ex-escravizados à marginalização, criando um ciclo de exclusão que se perpetua em desigualdades estruturais e no racismo institucional ainda hoje presente. A pesquisa evidencia, por outro lado, que a cultura negra, entendida enquanto processo simbólico e identitário, atuou como mecanismo de resistência, de afirmação e de construção coletiva, consolidando-se como fundamento da identidade nacional brasileira, não apenas no plano cultural, mas também no econômico, uma vez que práticas, saberes e tradições afro-brasileiras constituem parte significativa do patrimônio imaterial do país e contribuem para setores estratégicos da economia, como a música, a culinária, o turismo e a moda. No século XX, com a intensificação dos movimentos sociais negros e a criação de políticas afirmativas, somadas ao fortalecimento do empreendedorismo negro e da participação em segmentos da economia formal, observou-se uma ampliação no acesso a oportunidades e na visibilidade das pautas de equidade racial, ainda que barreiras estruturais, como a discriminação racial, a concentração de renda e a desigualdade educacional, continuem a limitar a plena inclusão. Destaca-se, nesse sentido, o papel das universidades e dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEABs), que têm atuado como espaços de valorização da cultura afro-brasileira, de promoção do diálogo entre academia e sociedade e de estímulo a pesquisas críticas que visam superar estigmas e propor soluções inclusivas. A economia criativa, impulsionada por expressões culturais negras nas áreas da música, da dança, da literatura, da gastronomia, da moda e do turismo, é apresentada como vetor de desenvolvimento econômico, de fortalecimento da diversidade cultural e de inserção internacional do Brasil, ao mesmo tempo em que se converte em instrumento de emancipação social e de geração de renda para populações historicamente excluídas. Conclui-se que a presença negra na economia brasileira não pode ser compreendida apenas como uma herança histórica vinculada ao passado escravista, mas como força dinâmica que resiste, se reinventa e projeta perspectivas de transformação social, representando tanto um desafio ao enfrentamento das desigualdades quanto uma oportunidade para a construção de novos paradigmas de desenvolvimento. Reconhecer, valorizar e incorporar esse protagonismo ao debate econômico e político é essencial para a construção de um futuro mais justo, equitativo e representativo da diversidade brasileira, na medida em que somente através do reconhecimento das contribuições históricas e contemporâneas do povo negro será possível caminhar em direção a um projeto de nação verdadeiramente democrático e inclusivo. Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com apoio da EDITAL Nº 139/2025 (PIBIC-AF) - CNPQ/UNIPAMPA.

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Publicado

2025-11-03

Como Citar

O Papel da Força de Trabalho Negra na Formação Econômica do Brasil. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120389. Acesso em: 14 abr. 2026.